domingo, 26 de fevereiro de 2017

CORAÇÃO

CORAZÓN


Continuação de SE O TIJOLO FALASSE


- No me gustan los hombres.
- Penso que toda sexualidade é algo bom.
- ¿No tenés otro tema que no sea garchar?
- Rerrê. Tenho. Mas foi você que falou em foder. Do que gostaria de conversar?
Silêncio. E, enquanto Benito falava, o outro se levantou da mesa olhando com raiva nos seus olhos, deu as costas e se foi. Até aqui eu, o tijolo, narrei o que vi. Agora outro será o narrador; uma narradora, na verdade.
Ao amanhecer Benito foi ao trabalho e tudo ocorreu normal. Quer dizer, nenhum conflito até agora para manter leitor. Mas a semana avança porque o tempo continua. Será que você, que lê, percebe o rumo que estamos seguindo? Vejamos! Desde o cronto da semana passada uma discussão sobre o permissível na sexualidade humana. O que acha que virá? Talvez uma nova discussão entre os dois? Huuum! Provável que não; já que falei sobre isso... Ou será que por isso mesmo falaremos disso? Tantas possibilidades...
- Professor Benito, o diretor mandou lhe chamar. Pode ir que eu fico na sala para você.
Ele vai e, claro, estranhando o chamado no meio de uma aula.
- Quem está falando de mim?
Realmente! Ele é capaz de nos perceber...
- Sou a nuvem que te sombreia.
- Desde que não me assombre pode “sombreiar” a vontade. – Sorrindo encerra a nossa conversa feita em pensamento. Diante da diretoria:
- Pode entrar, professor Benito.
- Por que me chamou?
- Alguns pais estiveram aqui reclamando de você... – com o silêncio e o olhar interrogativo, continua – Ficaram sabendo de sua sexualidade e estão com medo do que poderá fazer com os filhos deles... Vieram até com um discurso da ex-deputada Myrian Rios sobre homoafetividade...
É claro que você sabe o rumo da conversa. Já viu histórias variadas sobre o mesmo tema. Mas resumo tudo dizendo que meses se passaram entre despede, não despede; discussões com pais etc. Até tudo se assentar. Concluo então:
- ¡Benito!
O argentino se aproxima depois de alguns não muitos anos após a confusão acima.
- Ah! Oi!
- Quiero pedirle disculpas. Estoy arrepentido por denunciarlo a algunos padres, amigos míos.
- Denunciar-me! Denúncia se faz em ocorrência de crime. E sexualidade não é crime.
- Sin embargo, le pido perdón.
- Não há necessidade. Superei o problema e continuo trabalhando normalmente.
- Pero… todavía quiero disculparme.
- Seu pedido de desculpas vai desfazer a dor de cabeça que sofri? As ofensas que ouvi? Ofensas que não deveriam existir. Não! Então você é o único beneficiado pelo pedido. Eu não ganho nada. Estou em paz, sem raiva e nem amizade por você.
- Pero…
- Pero Vaz de Caminha. Se eu lhe digo que perdoo, você se sentirá bem sozinho; não mudará meu passado. Se digo que não, você ficará um pouquinho chateado, mas logo-logo se consolará pensando “Bem... Pedi perdão, ele é que não quis aceitar. Então, problema dele”.
- Entonces… ¿No me perdona?
- Não há o que perdoar. Tchau.
- ¡Caray! Como es duro de corazón…
Observo os dois. Um parado, o outro se afastando e eu observando as pessoas sem entender a diferença entre humanidade e desumanidade; e no porquê do outro chamar o um de coração duro...



En español

Continuación de SI EL LADRILLO HABLASE


- Eu não gosto de homem.
- Pienso que toda sexualidad es buena.
- Você não tem outro assunto além de foder?
- ¡Jejé! Tengo. Pero, fue tú que hablaste en joder. ¿Qué te gustaría hablar?
Silencio. Y, mientras hablaba, el otro se levantó de la mesa mirándolo enojado, dio las espaldas y se fue. Hasta acá yo, el ladrillo, narré mis testigos. Ahora, otro será el narrador; una narradora, en verdad.
Al amanecer nuestro héroe fue trabajar y todo ocurrió normalmente. Quiero decir, ningún conflicto hasta ahora para mantener lector. Pero, la semana avanza porque el tiempo continúa. ¿Será que tú, que leer, percibes el rumbo que estamos siguiendo? ¡Pensemos! Desde el croento de la semana pasada una discusión sobre el permisible en la sexualidad humana. ¿Qué piensas que ocurrirá? ¿Tal vez una discusión entre los dos? Es probable que no; ya que hablé sobre eso… ¿O será que exactamente por eso abordaremos este tema? Hay tantas posibilidades…
- Maestro, el director lo llama. Puede ir que me quedo en el aula para usted.
Él se va y, es cierto, pensando en el raro que es esta convocación en medio de una clase.
- ¿Quién está hablando de mí?
¡Realmente! Él es capaz de nos percibir…
- Soy la nube que te sombrea.
- Si no me asombrar puedes sombrearme lo tanto que quieras. – Sonriendo encierra nuestra charla hecha en pensamiento. Delante del directorio:
- Adelántate, maestro.
- ¿Por qué me llamaste?
- Ayer unos padres requirieron tu salida de la escuela… – con el silencio e la mirada interrogativa, continúa – Descubrieron tu sexualidad y tienen miedo que podrás hacer “cosas” con sus hijos… Vinieron hasta con discursos de religiosos y políticos argentinos, peruanos, chilenos, uruguayos y brasileños contra la homoafectividad…
Obviamente tú sabes el rumbo de la charla. Ya has visto historias variadas sobre el mismo tema. Pero, resumo todo diciendo que meses se pasaron entre despide, no despide; discusiones con padres etc. Hasta todo se asentar. Concluyo entonces:
- Benito!
El brasileño se acerca después de algunos no muchos años tras la confusión arriba.
- ¡Ah! Hola…
- Cara! Quero te pedir desculpas. Estou arrependido por tê-lo denunciado a alguns pais, amigos meus.
- ¡Denunciarme! Denuncia se hace en ocurrencias de crimen. Y sexualidad no es crimen.
- Ainda assim te peço perdão.
- No hay necesidad. Superé el problema y continúo trabajando normalmente.
- Mas... ainda gostaria de pedir desculpas.
- ¿Presentarme sus excusas deshará el mal? ¿Las ofensas que oír? Ofensas que no deberían existir. ¡No! Entonces tus excusas beneficiarán solamente a usted. Nada logro. Estoy en paz; si no seguimos amigos también no estoy enojado.
- Mas…
- ¿Qué quiere? ¡Amistad! Si digo que lo perdono, solo usted se sentirá bien; no cambiará mi pasado. Si digo que no, usted se quedará un poco molesto; sin embargo, pronto se consolará pensando “¡Caray! Lo pedí perdón, él es que no aceptó. Entonces, es problema de él. Estoy libre”.
- Então... Não me perdoa?
- No hay nada a perdonar. ¡Adiós!
- Nossa! Que coração duro o seu...
No quito mis ojos de ellos.  Un parado, el otro se alejando y yo observando las personas sin entender la diferencia entre humanidad e inhumanidad; y en la causa del otro llamar el un de corazón duro…



Ofereço como presente aos aniversariantes:
Josiane Hungria, a doce bruxa Rosana Mont’Alverne com seus livros de feitiços, Rodrigo Miranda, Isabela Guerra, Tiago Gonçalves e seu piano de condão, André Beraldino, Vera L.P. Dionizio, Mariza L. Souza, Domingos Tibúrcio e sua música encantada, Igor Rodrigues, Dyego D. Cordeiro, Gaston L. Stefani, Ely Monteiro e suas palavras mágicas, William Lacerda, João P. Brito, Maria Ribeiro, Leo Guerra, Vanda Valério, Rosangela Guintanilha e Lucas Alves.

Recomendo a leitura de “Ventura”, de Xúnior Matraga; “Veredas”, deste que te fala; “As perguntas que deveriam incomodar”, de Sued.


Escrito em fevereiro de 2017; entre o início da manhã de 20 e o final da madrugada de 26.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

SE O TIJOLO FALASSE…

SI EL LADRILLO HABLASE…


Em português

Esta noite de segunda-feira e esta lua crescente estão bonitas. No Avesso está se sentindo agradavelmente o avesso do avesso do avesso. Recomendo a todos que passem por aqui. Com ele está um rapaz argentino. Ele fala em português e o argentino em espanhol.
- Olha aquele tijolo na parede!
- ¿Qué pasa a él, Benito?
- Parece estar vivo… E observando a gente...
- ¿Estás ebrio?
Estão falando de mim? Bem que ouvi dizer que ele é diferente... especial... Mas voltemos ao assunto de hoje: Já conversaram sobre livros, música, política, futebol e agora:
- Todas as pessoas me agradam. Gordas, magras, negras, brancas, brasileiras, estrangeiras.
- ¡Sos más regalón que un conejo!
- Rerrê. Porém não trepo com todas as pessoas que conheço.
- A mí no me atraen los hombres.
- A mim todos são admiráveis.
- A mí no me gusta que me metan la pija en el culo. No, no me gusta mismo.
- Como acabei de dizer, todos me agradam. Entretanto, quando namoro alguém é somente ele ou ela. Não quero ninguém mais.
- Pero a mí no me gusta la pija en el culo; así que a los hombres los descarto.
- Não tem nada de errado nisso; não querer que comam sua bunda.
- No me gusta. Me parece absurdo. Prefiero las gorditas
- Por que seria absurdo?
- Porque no disfruto nada.
- É possível que isso seja apenas por você ser heterossexual. E penso que toda sexualidade é algo bom.
- No pasa nada. Pero, ¿no tenés otro tema que no sea garchar?
- Rerrê. Tenho. Mas foi você que falou em foder. Do que gostaria de conversar?
Silêncio. E, enquanto ele falava, o outro se levantou da mesa olhando com raiva nos seus olhos, deu as costas e se foi. Deste então ele está chorando muuuuito pela situação. Rarrarrarrá! Está vendo as suas lágrimas? Rerrê.

Caso queira, poderá ouvir o autor lendo o cronto em:


En español

Esta noche de lunes y esta luna creciente están bonitas. En la bodega El Revés se siente agradablemente el revés del revés del revés. Recomiendo a todos que vengan acá. Con él está un muchacho brasileño. Habla en español y el brasileño en portugués.
- ¡Mira aquél ladrillo!
- O que tem ele?
- Parece estar vivo… Y observándonos…
- Você está bêbado?
¿Están hablando de mí? Ya me dijeron que él es distinto… especial… Pero, volvemos al asunto de hoy: Ya charlaron de libros, música, política, fútbol y ahora:
- Todas las personas me encantan. Gordas, flacas, negras, blancas, argentinas, extranjeras.
- Você trepa mais que coelho, hem.
- Jejé. Pero, no cojo todas las personas que conozco.
- Os homens não me atraem.
- A mí todos son admirables.
- Eu não gosto que metam o pau na minha bunda. Não gosto mesmo.
- Como dije a poco, todos me encantan. Sin embargo, cuando me enamoro de alguien es solo él o ella. No quiero nadie más.
- Mas eu não gosto mesmo de pica na bunda; por isso eu descarto tudo quanto é homem.
- No hay ningún error en eso, no querer que cojan tu culo.
- Não gosto! Isso é um absurdo. Prefiro as gordinhas.
- ¿Por qué sería un absurdo?
- Porque não gosto mesmo.
- Es posible que eso sea apenar por ser heterosexual. Toda sexualidad es buena.
- Ok. Mas você não tem outro assunto além de foder?
Jejé. Tengo. Tú eres que habló en garchar. ¿Qué deseas charlar?
Silencio. Y, mientras hablaba, el otro se levantó de la mesa mirándole enfadado, le dio las espaldas y se fue. Desde entonces está llorando muuucho… ¡Jejejejejé! ¿Ves las lágrimas? Jejé.

Si quieres, podrás oír el autor leyendo en


Ofereço como presente aos aniversariantes
Helena L. Lopes, Orlando Júnior, Thalisson Abreu, Dinei Gonçalves, Alex de Sá, Sidney Muniz, Roseli Marques, Anuska D. Karine, Dago T. Veja, Imperatriz B.W. Leite, Paulo R.F. Campos, Meire Alves, Túlio Silva, Cleucy N. Afonso, Matheus M.A. Pires, Christine D.P. Sathler e Giulliano Nepomuceno.

Recomendo a leitura de “qualquer poesia”, de Xúnior Matraga; “No Sâbi Uêi”, deste que vos fala; “Entre a espiritualidade e a batata frita eu escolho a batata frita”, de Sued.


Trozo de una charla en Facebook con un joven argentino en la tarde de 09 agosto de 2016. Y trabajado en las dos lenguas entre los días 20 de enero y 19 de febrero de 2017.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

APENAS ESTAVA LÁ


Sentado sempre no mesmo lugar. Ele na mesma mesa na mesma barraca; a de coquetéis.
Janeiro chegou e o sol com as férias escolares levaram muitos mineiros para o Espírito Santo. E levou os coquetéis também (mais lucro lá do que aqui). Na ausência das bebidas de sempre ele foi para outra barraca.
Alguns domingos comendo peixe e bebendo vinho branco comprado para ficar a espera na barraca.
Fevereiro chegou. E trouxe uma reunião de emergência no Senado para mudança no nome de um estado brasileiro. Agora não será mais ES, mas sim EP. Deixa de ser Espírito Santo para ser Espírito de Porco...
E, repito, fevereiro chegou. Os coquetéis também. Mas ele não voltou ao seu antigo lugar. Continuou onde estava apenas porque se acostumou. Não pensou em ingênua retaliação pelo tempo sem drinques. Apenas se habituou ao novo lugar. Mas também ninguém cobrou seu retorno antigo lugar. Ninguém notou a mudança dele.


Ofereço como presente aos aniversariantes
Tadeu Vilalba, Wellington P. Santos, Ana Mª Guerra, Ilton V. Melo, Rodrigo M.C. Silva, Sandra Lemos, Laura Simões, Saulo Almeida, Claudina Abrantes, Rodolfo Belo, Fran Silvestre (Torosca), Zé Mário Pimentel, Daniel S. Emílio, Hugo de la Vega, Fernanda de Lima, Walter B. Villar, Lucas Vidau, Márcia Carmo, Katia Macedo, Geraldo Cupertino, Thalita Kiro, Mª Fátima W. Leite Macedo e Susilene Justino.

Recomendo a leitura de “Na janela do ônibus em um dia chuvoso”, de Saed; e “Vamos nos divertir juntos”, deste que vos fala. Respectivamente:


Escrito 08 de janeiro de 2017. Trabalhado entre os dias 25 de janeiro e 12 de fevereiro do mesmo ano.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

ESTOU

ESTOY – I AM


Do negro ao cinza
Do tráfego ao pássaro
O sol tranquiliza
O canto nos é doce e caro.

Flores perfumam o ar
Autores escrevem uma história
Pessoas vivem suas vidas
Avô é a flor que escreve a própria vida.


Del negro al gris
Del tráfico al pájaro
El sol tranquiliza
El canto nos es dulce y rico.

Flores perfuman el aire
Autores escriben una historia
Personas viven sus vidas
Abuelo es la flor que escribe la propia vida.


From black to gray
From traffic to bird
The sun reassures
Song is sweet and important to us.

Flowers perfume the air
Authors write a story
People live your lifes
Grandad is the flower to write own life.


Ofereço como presente de aniversário
Alexandre F. Luna, Eddy Khaos, Wadson Lourenço, Rodrigo Robleño, Vitória Soares, Gleison Oliveira, Isabelly Cristinny, Luzia Barros, Renato Silva, Sâmara C. Botelho, Paulinho Manacá, Alice Pacheco, Bárbara Alves, Albino de la Puente e Brska (Luciano Soares).

Recomendo a leitura de
“O Capital”, de Bispo Filho; “Abre Voz”, de Xúnior Matraga; “Uma Linda e Medíocre Historinha de Amor”, de Vinícius Siman. Respectivamente nos endereços:


Escrito em inglês no dia 05 de maio 2016. Dois meses depois reescrito em português e entre os dias 11 de janeiro e 05 de fevereiro de 2017 trabalhado nas três línguas.

domingo, 29 de janeiro de 2017

ZUNIDO


O início desta tarde quente está agradável no Feirarte. Ao contrário do costume, bebo cerveja e não os coquetéis do Marcelo. Mas não bebo aquelas quaisquer, comuns por aqui. Prefiro a – pelo menos é o que eles dizem – artesanal Brüder. Gosto da Red e com o copo na mão leio:
Ela escuta eu falar? – Fala com voz rouca de chorar. – Ela escuta eu falar? Ela escuta eu falar? / Na mesa do bar um diz para o outro. Este bebe satisfeito um gole de cerveja e desatento fala para aquele: / - Disse alguma coisa?
- Nossa! Que história deprimente... – Joana fala quando lhe contei parte da história que escrevia. – Por que não escreve algo bonito... Como os escritores de verdade; aqueles duzestaduzunidos? E não essas coisas que só tem violência e lamentações. É por isso que lá fora as pessoas pensam que no Brasil só tem mazelas. Não mostramos nada de bom.
- Por fazermos filmes com violência os estrangeiros pensam que só isso existe no Brasil?
- É!
- Então se pelo que assistimos julgamos uma nação... E vemos como é seu povo... Na América do Norte só tem super-herói neo-liberais, como diz Vinícius Siman. Ou então zumbis descerebrados e vampiros pisca-pisca...
- Não é isso não.
- O que falta lá é parar para pensar.
- Não é isso não. É que só vemos coisas bem produzidas nuzestaduzunidos.
- Bem produzidas? Sobre isso, como Rubem costuma afirmar, só digo uma coisa: Não digo nada! Estaduzunidos... Realmente! De lá se vê e lê muitos zunidos...
Sua boca não fala nada, mas sua cara declara: “Não entendi”. Então continuo:
- Fascinante seria ter entendido. Mas prefiro falar sobre flores e outros amores. Ou dores e outros desamores.
- Hem? Como?
- Borboleta do jardim de Alá / Sobrevoa meu coração. / Dizendo palavras assim, tão doces / Acho que vou ‘vomitá’.
- Agora sim um poema bonito. Estragou no finalzinho... Mas é quase tipo a duzestaduzunidos.
- Huum, sei. Só que fazer poema não é rimar qualquer coisa. E fazer poesia então... Nem se fala. – Pausa para um gole de cerveja. – E que tal assim:
Quase um ano plantei um pezinho de antúrio bem florido. Semanas de beleza á janela de meu quarto. Mas as flores murcharam. Passou-se não sei quantos meses só o verde da planta. Nem um pouco triste por isso. Há tanta beleza só nas folhas. Semanas atrás um pendãozinho e neste período longuinho foi crescendo; sempre fechado. Anteontem começou a abrir e não sei se amanhã já estará pronto. Mas observo a flor. Pequena e semifechada.
- Essa sim é boa como se fosse duzestaduzunidos.
- Não! Não tem zunidos em minhas histórias.
- Antipático... Você é bem antipático.
- Sou mesmo.
- Vamos mudar de assunto. São Paulo está pintando os muros de cinza...
- Sou contra. Se bem que a gente pode dar uma demão de outras cores por cima que vai dá tudo certo, sabe. Uma renovada.
- Que ideia?! Bem, os Estados Unidos estão criando um baita muro separando-os do mundo.
- Sou a favor. Aí a gente bota um cadeado daqueles bem bão no portão para eles não vazarem para as banda de cá.
- Ridículo. Você é ridículo.
Olho nos olhos e bebo mais um gole de cerveja. Não falo nada. Só fico pensando, pensando. E olhando para O Cemitério dos Vivos, de Lima Barreto; que pouco tem ligação com esta história. Mas é tão bom.


Ofereço como presente aos aniversariantes
Raul F.M. Leite, Lene Oliveira, Rodrigo C. Andrade, Bras Sarb, Marcelio O. Sousa, Andriza G. Souza N., Isaac Andrade, Iuri Cupertino, Celma Anacleto, Marileuza Lopes, Vitória Elizabeth, Paulo J.C., Cida Pinho (Mª Aparecida D. Pinho) e Marlene Brum.

Recomendo a leitura de “‘Penso, logo existo’; consumo, logo sou”, de Vinícius Siman; “No Canto Escuro”, de Sued; “Julio Cortázar. Graffites em tempo de opressão”, de Javier Villanueva; e “Se você viver poeticamente encontrará felicidade”, de Edgar Morin e recomendado por Robinson Ayres. Respectivamente nos endereços:


Escrito entre a madrugada de 31 de maio de 2016 e 29 de janeiro de 2017.

domingo, 22 de janeiro de 2017

ARROJO

OSADO


Potira itapitanga.


Em português

Quando você ler minha carta, se alguém ler, saiba que estou no ano de 2030. Mas foi no ano de 2016 que Ipatinga se tornou uma cidade de mortos vivos. O Brasil se tornou uma espécie de... de... De Estados Unidos!
Meses depois conseguimos sitiar quatro faixas da cidade: Barra Alegre com parte do Limoeiro, Bethânia, Bela Vista e, para plantio, o Parque Ipanema. Este último, apesar de próximo ao Centro, é desprovido da comida dos mortos vivos...
O momento e a história que mais ficaram na minha memória foram quando ainda viviam meu amor, seu pai, eu, uma criança e o vira-lata. Moramos... Morávamos. Seu Ricardo na faixa Bela Vista e nós outros na faixa Barra Alegre-Limoeiro.
Em 2029 festejávamos o aniversário de Ipatinga e seu Ricardo conseguira autorização para nos visitar. Depois do almoço nós dois saímos para conversar e vimos sair um caminhão ambulância, mas algo não estava certo. Quando colocaram pessoas para dentro, elas estavam coagidas pelas armas da milícia. Enquanto pensávamos em avisar ao prefeito da faixa o vimos comandando a operação. Grande parte era gente conhecida, mas de oposição aos governos do que sobrou do Brasil.
Movidos por... Heroísmo? Heroísmo! Rarrá! Decidimos salvá-los ou morrer tentando. Seu Ricardo custou, mas conseguiu completar uma ligação para Dom Paulo, o prefeito da faixa dele, que nos prometeu saber o que estava acontecendo e intervir, se fosse o caso.
Um carro forte com Dom Paulo aparece... apareceu à minha porta algumas horas depois e convidou minha família a entrar para explicar os fatos. Menos eu, que não estava em casa e disseram que não sabiam onde eu me encontrava. Nunca mais os vi... Vivos. Uma semana depois os muros não salvavam mais. A praga já alastrara para dentro. E por quê? Ora, você já sabe. Acabei de falar. É só pensar um pouco.
O lugar onde escrevo é... era a casa forte do campo de alimentação. Não foi fácil e só Deus sabe como consegui chegar aqui. Como vê, apesar do nome, “casa forte”, aqui é mais um barracão de concreto onde guardávamos as ferramentas e nos abrigávamos nos momentos de ataque. Mas vamos falar de 2016 e 2017. Creio que explicará tudo, inclusive minhas últimas palavras para alguém que ainda pense. Você, assim espero.
Um carro cinza prateado avança lento pela rua vazia de almas. Pelo menos de almas vivas. Duas filas de carros parados. De um lado há carros... Cinza, preto, preto, vermelho, preto, azul escuro e vários outros carros cinzentos. Do outro lado, cinza, branco, cinza, branco, cinza, preto, preto, cinza, azul escuro e mais três cinzas.
O carro que passa não me vê atrás de um monturo de lixo. A caçamba ainda arde de livros queimados. Livros que continham Graciliano Ramos, Cruz e Souza, Olavo Bilac, Clarice Lispector, Cecília Meireles, Cora Coralina, Castro Alves, Rubem Braga, Rubem Fonseca, Marilda Castanha, Hilda Hilst, Mario Benedetti, Marília Siqueira Lacerda, Nena de Castro, Goretti de Freitas, Cida Pinho, Flavia Frazão, Nancy Nogueira, Marcelo Garbine, William Delarte, Vinícius Siman, Mário Quintana, José Mauro de Vasconcelos, Florbela Espanca, Federico Garcia Lorca, Carlos Drummond de Andrade, Orides Fontela e principalmente Machado de Assis. Queimados todos os autores que não nos continham: lançavam-nos!
E também não sei a razão, mas acabei de me lembrar do conto “A Terceira Margem do Rio”, de Guimarães Rosa que foi transformado em peça de teatro pela Cia. Teatral Letras de Rosa. Todavia, nas “bibliotecas”, acessível para os poucos que tiveram permissão para estudar: Anne Rice, J.K. Rowling, Stephenie Meyer, Tolkien, Nicholas Sparks e outros – muitos, mas com exceções – do Norte e, claro, a Bíblia...
Na rua não tem os autofalantes do Novo Governo. É uma rua tóxica, frequentada pelos que ainda pensam, os Sobreviventes.
O carro sumiu. Levanto-me de onde me escondia. E pude ver quem eu amei ao volante do camburão que arrastava os acorrentados mortos-vivos para nos devorar. Para que dizer que quem me amou agora me mataria por eu não me entregar e integrar? Por tudo que já foi dito é possível que você entenda isso.
Preparado para fugir ou lutar, ando pela rua tóxica. Mas ir por onde? Para onde ir? Se não morrer meu corpo morrerá meu cérebro. Horas depois... – Penso que você imagina acertadamente que busquei desviar-me das atenções e dos possíveis seguidores. – Horas depois, no terraço onde me abrigo com outros Sobreviventes, abro Lima Barreto. Alívio. Nas mãos de alguém ao meu lado, Mário de Andrade.
Barulho de carros na rua chegou ao terraço do prédio. E apesar disso, apesar de tudo... aliviado por Barreto.


En español

Cuando leer mi carta, si alguien leerla, sepa que estoy en el año 2030. Pero fue en el año 2016 que esta ciudad se cambió en un rincón de muertos vivos. Latinoamérica se cambió una especie de… de… ¡De Estados Unidos!
Meses después conseguimos sitiar cuatro trozos de la ciudad. La más cerca del Centro es donde plantamos nuestra comida porque siempre fue la más desprovista de la comida de los muertos vivos…
El momento y la historia que mejor se quedan en mi memoria fueron cuando aún vivían mi amor, su padre, un niño y la mascota. Vivimos… vivíamos. Don Ricardo en el trozo cercano de la zona de plantío y nosotros en la zona más ancha.
2029 celebrábamos el cumpleaños de la ciudad y don Ricardo consiguiera autorización para nos visitar. Después del almuerzo nos dos salimos para charlar y vimos salir un camión ambulancia, pero no estaba cierto. Cuando punieron personas adentro, ellas estaban coaccionadas por las armas de la milicia. Mientras pensábamos en avisar al alcaide del trozo lo vimos comandando la operación. Gran parte era gente conocida, pero opositores a los gobiernos de que sobró de Latinoamérica.
Movidos por… ¿Heroísmo? ¡Heroísmo! ¡Jajá! Decidimos salvarlos o morir intentando. Don Ricardo demoró pero consiguió completar una llamada para don Pablo, el alcaide del trozo de él, que nos prometió saber que estaba sucediendo e intervenir, se necesario.
Un carro fuerte con don Pablo surge… Surgió a mi puerta algunas horas después e invitó a mi familia a entrar para explicar los factos. Menos yo, que no estaba en casa y dijeron que no sabían adonde me encontraba. Nunca más los vi… Vivos. Una semana después los muros no salvaban más. La plaga ya alastrara para dentro. ¿Y por qué? Ora, tú ya sabes. Acabé de decir. Es solo pensar un poco.
El lugar adonde escribo es… era la casa fuerte del campo de alimentación. No fue fácil llegarme acá; pero conseguí sólo Dios sabe cómo. Conforme ves, a pesar del nombre, “casa fuerte”, acá es más un cobertizo de concreto donde guardábamos la herramientas y nos abrigábamos en los momentos de ataque. Pero, vamos hablar de 2016 y 2017. Creo que explicará todo, incluso mis últimas palabras para alguien que aún piense. Tú, así espero.
Un coche gris plateado avanza lento por la calle vacía de almas. Al menos de almas vivas. Dos colas de coches parados. De un lado hay coches… gris, negro, negro, rojo, negro, azul oscuro y muchos otros coches grises. Del otro lado, gris, blanco, gris, blanco, gris, negro, negro, gris, azul oscuro y más tres grises.
El carro que pasa no me ve tras de la montañita de basura. El gran cubo aún arde de libros quemados. Libros que contenían Mario Vargas Llosa, Alfredo B. Echenique, Ciro Alegría, Oscar Malca, César Vallejo, Jorge E. Eielson, Clorinda Matto de Turner, Blanca Varela, Mario Benedetti, Federico García Lorca, Gabriel García Marques, Piedad Bonnett, Andrés Caicedo, Jorge Luís Borges, Julio Cortázar, María Elena Walsh, Pablo Neruda, Roberto Bolaño, Gabriela Mistral, Eduardo Galeano, Horacio Quiroga, Clarice Lispector, José Mauro de Vasconcelos y Machado de Assis. Quemados todos los autores que no nos contenían: ¡nos lanzaban!
Y no sé la razón, pero me recuerdo ahora del cuento “La Tercera Orilla del Rio”, del brasileño Guimarães Rosa convertido en pieza de teatro por la Cia. Teatral Letras de Rosa. Sin embargo, en las “bibliotecas”, accesible para los pocos que recibieron permiso para estudiar, solamente se encuentran Anne Rice, J.K. Rowling, Stephenie Meyer, Tolkien, Nicholas Sparks y otros – muchos, pero con algunas excepciones – del Norte y, es obvio, la Biblia…
En la calle no hay altavoces del Nuevo Gobierno. Es una calle tóxica, frecuentada por los que aún piensan, los Sobrevivientes.
El carro se fue. Me levanto de donde me escondía. Y pudo ver quien amé al volante del furgón que arrastraba los encadenados muertos vivos para nos devorar. ¿Para qué decir que quien me amó ahora me mataría por no me entregar e integrar? Por todo lo que ya fue dicho es posible que comprendas eso.
Preparado para huir o luchar, camino por la calle tóxica. Pero, ¿ir por adonde? ¿Para adónde ir? Si no morir mi cuerpo morirá mi cerebro. Horas después… – Pienso que imaginas acertadamente que busqué desviarme de las atenciones y dos posibles seguidores. – Horas después, en la terraza donde me abrigo con otros Sobrevivientes, abro José María Arguedas. ¡Alivio! En las manos de alguien próximo a mí, Nicolás Guillén.
Barullo de coches en la calle llegó a la terraza del predio. A pesar de eso, a pesar de todo… aliviado por Arguedas.


Ofereço como presente de aniversário a
José C. Pinho, Andreza Costa, Chrystian Stocler, Fernando Pires, Andreia Bragança, Antonio Netto, Thaís L. Macedo, Ivone Piló, Laio Moura, Jhomar Sayo, Alexandre Farah, Monica Cuba, Graça Costa e Edinaldo Felipe.

Recomendo a leitura de “Solidão”, de Xúnior Matraga; e que assistam ao espetáculo “A Terceira Margem do Rio”. Mais informações:


Escrito entre o início da tarde de 29 de maio de 2016 e 22 de janeiro de 2017. Parte consciente e parte fruto de um sonho.

domingo, 15 de janeiro de 2017

ANDADAS

Potira itapitanga



Debaixo da lua nova acima do céu nublado em um sábado à noite ele se aproxima maciamente de casa. A sua frente uma usuária de craque está parada olhando para cima. Um carro passa por ele e para uns vinte metros depois da mulher. Ela sai de seu estupor e vai pesadamente ao motorista. Conversam alguns segundos, entra no automóvel e vão não se sabe aonde. A noite se vai, a madrugada está no seu fim e ele sai maciamente com seu amigo meio estabanado. Outra usuária está sentada na calçada, outro carro passa pelos amigos e para vários metros depois da mulher. Ela se levanta, vai pesadamente até o carro, conversam, entra no automóvel e se vão.
O dia avança. Chega à sua metade e o Feirarte está agradável.
Ao dar uma olhada vê uma pomba preta comendo sementes vermelhas e amarelas no chão cinza. Esquece-se dela e sobe a árvore de verdes copas irregulares; deita em um de seus galhos.
Observa um homem que sente saudades do amor de sua vida e chora seco. Edgar Alan Cat mantém seu olhar mesmo não sendo percebido por ninguém e o homem se esquece do amor, olha ao redor, encanta-se com uma garota loura de cabelos crespos, dá uma cantada que ela não gostou.
O gato parece sorrir, pula para o chão, fala com Don Perro de La Mancha e este, parecendo também sorrir, olha o casal; fixa o olhar na menina.
A garota tinha começado a sair quando para e volta até o homem, que lhe pega nas mãos e os dois irão se pegarem em algum lugar sossegado.
Os dois – gato e cachorro – vão até a mesa do dono, deitam e dormem enquanto Benito bebe algo com goiaba e lê um livro:
Os contos são viajantes impenitentes. As asas dos contos vão mais além e mais rápido do que logicamente pudessem crescer. (...) Não existem mais que meia dúzia de contos. Mas, quantos filhos vão deixando pelo caminho! (...) O conto é astuto. Infiltra-se no vinho, nas línguas das velhinhas, nas histórias dos santos. Transforma-se em melodia torpe na garganta de um caminhante que bebe nos botecos e toca cavaquinho. (MATUTE, 1990).
- Sabe quanto tempo estou lendo este livro?
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- Tem seis meses e só agora passei da metade. E sabe quanto tempo gastei para ler a trilogia O Lar da Senhorita Peregrine para Crianças Peculiares?
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- Nem um mês. Grandes Sertões: Veredas tem mais de cinco anos que estou lendo e não cheguei à metade. Também tem muitos meses que estou lendo A Máquina do Tempo, de Siman. E sabe a causa de demorar tanto?
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- Porque é bom. Coisa ruim ou “não tão boa” a gente acaba logo; mas o que bom eu gosto de prolongar. Degustar. Sentir. Pensar.
Um carro para meio distante de alguém de aspecto sujo. Este se vai pesadamente àquele, conversa rápido com o condutor, entra e saem para não sei onde. E pela terceira vez me pergunto por que não podem parar perto... Por que tem que fazê-los ir até eles.
E os Ferrera toca muito bem suas músicas.



Bajo de la luna nueva arriba del cielo nublado en un sábado por la noche él se acerca fofamente de la casa. A su frente una adicta está parada mirando arriba. Un coche pasa por él y para unos veinte metros después de la mujer. Ella sale de su estupor y se va pesadamente hacia el conductor. Charlan algunos segundos, entra en automóvil  y se van no se sabe adónde. La noche se va, la madrugada este en su fin y él sale blandamente con su amigo desmañado. Otra adicta está sentada en la acera, otro coche pasa por los amigos y para muchos metros después de la mujer. Ella se levanta, se va pesadamente al coche, platican, entra en el automóvil e se van.
El día avanza. Llega a su mitad y el Feirarte está agradable.
Echando un vistazo mira una paloma negra comiendo semillas rojas y amarillas en el suelo gris. Se olvida de ella y se echa a subir el árbol de verdes copas irregulares; se acuesta en una de sus ramas.
Observa un hombre que se echa de menos del amor de su vida y llora en seco. Edgar Alan Cat sostiene su mirada mismo no siendo apercibido por nadie y el hombre se olvida del amor, mira alrededor, se encanta por una muchacha rubia de pelos crespos, le echa un piropo que a ella no le hay gustado.
El gato parece sonreír, brinca al suelo, charla con Don Perro de La Mancha y este, pareciendo también sonreír, mira la pareja; fija la mirada en la chica.
La chica había empezado a salir cuando para y se vuelve hacia el hombre, que le coge la mano y los dos se van se cogieren en algún lugar sosegado.
Los dos – gato y perro – se encaminan a la mesa del amo, se acuestan y se duermen mientras Benito bebe algo con guayaba y leer un libro:
Los cuentos son viajeros impenitentes. Las alas de los cuentos van más allá y más rápido de lo que lógicamente pueda crecerse. (…) No hay más que media docena de cuentos. Pero, ¡cuántos hijos van dejándose por el camino! (…) El cuento es astuto. Se filtra en lo vino, en las lenguas de las viejas, en las historias de los santos. Se vuelve melodía torpe en la garganta de un caminante que bebe en la taberna y toca la bandurria. (MATUTE, 1990).
- ¿Sabes cuánto tiempo llevo leyendo este libro?
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- Hay seis meses y solo ahora pasé de la mitad. ¿Y sabes cuánto tiempo necesité para leer la trilogía El Hogar de Miss Peregrine para Niños Peculiares?
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- Ni un mes. Gran Sertón: Veredas llevo más de cinco años leyéndole y no llegué a mitad. También hay muchos meses que estoy leyendo La Máquina del Tiempo, de Siman. ¿Sabes por qué demoro tanto?
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- Porque es bueno. Mala cosa o no tan buena nosotros acabamos deprisa; pero, cosas buenas me encanta prolongar. Degustar. Sentir. Pensar.
Un coche para a media distancia de alguien de aspecto sucio. Este se va pesadamente aquel, charla rápido con el conductor, entra y salen para no sé dónde. Y por la tercera vez me pregunto por qué no pueden parar cerca… Por qué tienen que hacerlos ir hasta ellos.
Y el conjunto Os Ferrera tañen agradablemente sus músicas.


Ofereço aos aniversariantes
Osvaldo Mayevicz, Dulce Pereira, Vanessa Lessa, Felipe Wallace, Patrícia Nunes, Luciana Hermógenes, Daniele Roza, Marrione Warley, Nanda Abrahão, Diana Duarte, Aline Alves, Thays Júnia, Raissa Fernandes, Dalgreis Lage e minha sobrinha Mariana Cheloni.

Recomendó a leitura de “Emergencia en los acantilados”, de Javier Villanueva; e “No Canto Escuro”, de Sued.

MATUTE, Ana María. Leer es Fiesta – España Cuenta. Francisco J. Uriz (Org). Madrid: Edelsa, 1990. Los Cuentos Vagabundos. Traducción libre de Rubem para el portugués.


Escrito originariamente en español al fin de la mañana de 31 de enero de 2016. Escrito en las dos lenguas entre los días 12 y 13 de julio de 2016 y 09 a 15 de enero de 2017.