domingo, 2 de julho de 2017

CARIRU – PARA DENTRO DE SI

EL PROPRIO INTERIOR


Listening music of church
Reading the Bible
Smoking the rock
Totally hallucinating.

Em português
Lido pelo autor no canal aRTISTA aRTEIRO, no youtube:

Debaixo da lua minguante, Lima e Coelho bebem umas cervejas no Avesso, bar muito bom no Cariru, Ipatinga. Lima é alguém que pensa para agir, e age. Coelho é alguém que não age nem pensa. Este recebeu o nome em homenagem a você sabe quem (não o do Harry Potter...) e aquele em homenagem ao Barreto. Agora, de quem são as homenagens, se são dos pais ou se são do autor isso é outra história que não vem ao caso.

- Ouvindo música de igreja / Lendo a Bíblia / Fumando pedra / Alucinando-se total.
- Hum! Ácido, não?! Pesado!
- Sabe. No livro O Cemitério dos Vivos, de Lima Barreto e publicado pela editora Planeta, Fábio Lucas diz “Lima Barreto partiu da reflexão sobre o alcoolismo para entender a loucura”.
- E o que tem isso?
- Parto da leitura da Bíblia para entender a alienação.
- Credo! Isso é blasfêmia.
- É... Dizer o que nos ensinam a não pensar é sempre mal visto e chamado de pecaminoso...
- Não é isso. É... É... – E rebate citando Feliciano, Bolsonaro, João Paulo II e outros mais. E Lima só ouvindo. Até que cansou e se foi para dentro de si.
Enquanto isso e longe dali, encostada a uma árvore feiamente podada, boca desdentada meio aberta, olhos fechados abertos para as lágrimas. A fome, as drogas, a violência, a solidão de cada um por si no mundo.


En español
Leído por el autor en el canal aRTISTA aRTEIRO, en youtube:

Bajo la luna menguante, Lima y Coelho toman tapas y beben cervezas en la bodega El Revés. Lima es un tipo que piensa para actuar, y actúa. Coelho es un tipo que no actúa ni piensa. El pasivo recibió este nombre porque a su madre le gusta Paulo, el falso escritor brasileño. Y el otro fue nombrado en honor a Barreto; pero, no se sabe si fuera el autor o si fueran los padres que lo nombró porque esto es otra historia…

- Oyendo música de iglesia / Leyendo la Biblia / Fumando piedra / Alucinándose total.
- ¡Caray! Es pesado eso.
- El libro brasileño “O Cemitério dos Vivos”, de Lima Barreto hay la palabra de una persona, creo que su nombre es Fábio Lucas, que haré una traducción libre según mi recuerdo: “Lima Barreto partió de la reflexión sobre el alcoholismo para comprender la locura.”
- ¿Qué tiene eso de importante?
- Parto de la lectura de la Biblia para comprender la alienación.
- ¡Caray! Eso es blasfemia.
- Decir que nos enseñan a no pensar es siempre mal visto y llamado de pecaminoso…
- No es eso. Es… Es… – Y contesta citando palabras de los políticos y religiosos más preconcebidos de Latinoamérica. Mientras eso, Lima solamente escucha hasta no soportar más y entrar en el propio interior.
Al mismo tiempo, pero en otro rincón, acostada a un árbol feamente podado, boca desdentada un poco abierta, ojos cerrados abiertos para las lágrimas. El hambre, las drogas, la violencia, la soledad de cada uno por si en el mundo.


Ofereço como presente aos aniversariantes
Beatriz Myrrha, Daniel R. Salgado, Joice Soares, Mayra F. Gonçalves, Alano A. Barrbosa, Garcia P. Teleka, Rita E. Rocha, Tairony Novais, Ronalla Kelly, Sueli M.B. Silva, Alysson Nascimento, Amosse Mucavele e Walace Silva.

Recomendo a leitura de “O Destruído”, de Sued; “Generolidade”, deste macróbio que vos fala; “Sussurros”, de Girvany; “Combativa”, de Jackeline Vasconcelos Valentim; e “O Povo Tem o Governo que Merece?”, de Javier Villanueva. Respectivamente nos endereços abaixo:

 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve e publica neste seu blog literário aRTISTA aRTEIRO todo domingo e colabora no Ad Substantiam às quintas-feiras.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. É, por segunda gestão, Secretário da ASSABI – Associação de Amigos da Biblioteca Pública Zumbi dos Palmares (Ipatinga MG). Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura).


Escrito no início da tarde de 22 de janeiro de 2017. E trabalhado entre os dias 15 de junho e 02 de julho do mesmo ano.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

BARRA ALEGRE – RESPIRAÇÃO, INSPIRAÇÃO, DESESPERAÇÃO


  
Leitura do cronto pelo autor em:

Esta história se passa na escola E.E. Caetana América Menezes, no Barra Alegre, bairro de Ipatinga, MG. Mas, antes, o dia amanheceu sombrio. E, durante, os sóbrios professores dão suas aulas. Alguns até tentam sorrir, mas... Bem, a história foi nesta escola, mas poderia ser em outra... Acontece em todas.
- Gente! Verbo é o que permite um diálogo, que ocorra a comunicação. Por exemplo, se digo “homem”, “casa”... E aí? São apenas palavras. Mas se digo, por exemplo, “O homem entrou na casa. O homem grita na casa. O homem fugirá da casa.” comuniquei algumas coisas; aconteceu uma conversa, um diálogo com vocês. Entenderam?
- Sim, professor. – Vozeio de quase metade da turma.
- Então, no primeiro e segundo parágrafos do texto Galinha ao Molho Pardo, de Fernando Sabino, tem quantos verbos?
“Tem 23, professor!”. Diz uma aluna e outro intervém: “Não, tem 13”. “Oceis tão tudo errado. É 18”, fala o terceiro estudante.
O professor abre a boca. E, após alguns segundos:
- Não, são oito os verbos. E desconsiderando os que se repetem, quais verbos estão no passado?
- É pra dizer quantos verbos tão no passado, professor?
- Não. Não quantos, mas quais são eles.
- Era... Tinha... Um... Quase... Gabiroba...
O professor abre a boca tentando respirar. E, após alguns segundos:
- Não, não. “Era” e “tinha” estão certos. Mas “um” é numeral. Já “gabiroba” é uma fruta. Se não a conhece é só prestar atenção no texto: “... um pé de gabiroba, um pé de goiaba branca”; quando se fala em pé de goiaba já dá para saber que goiaba é fruta. Da mesma forma, ao falar pé de gabiroba é possível entender que gabiroba é fruta. E “quase” é advérbio; não é verbo. Ou você fala “eu quaso, ele quase, nós quasemos”? Os advérbios têm ligações com verbos, mas não são verbos. Advérbio é palavra invariável que expressa uma circunstância do verbo ou a intensidade da qualidade dos adjetivos ou reforça outro advérbio e, em alguns casos, modifica substan...
- Vai tomar no cu!
Na sala, dois alunos ouvem o professor; três mexem no celular; os demais conversam entre si e, entre estes, o autor do palavreado acima no meio da explicação.
Um suspiro quase lacrimoso e:
- Os advérbios não são verbos. Eles expressam uma circunstância do verbo; ou a intensidade da qualidade dos adjetivos; ou reforçam outro advérbio; ou, em alguns casos, modificam os substantivos. Os advérbios podem ser de lugar, de tempo, de modo, de negação, de dúvida, de intensidade e de afirmação. “Quase” exprime uma intensidade. Vejam: “O quintal de nossa casa era grande, mas não tinha galinheiro, como quase toda casa de Belo Horizonte naquele tempo”. No referido trecho da memória literária que Fernando Sabino escreveu dá para perceber que “quase” tem o mesmo sentido de “praticamente”; ou seja, de um grau próximo ao máximo: “quase toda casa” pode ser dito “praticamente todas as casas”. O trecho que lemos fornece a ideia de que muitas casas tinham galinheiro; quero dizer, intensifica a ideia de quantidade de casas com galinheiro.
- Aaammm!
- Então, quais são os verbos?
- Usvérbu, fessor, é “galinha ao molho pardo”.
A boca não tenta se abrir porque não entra mais ar nos pulmões.


Ofereço como presente aos aniversariantes
Sérgio R.P. Brandao, Feliciana Saldanha, Ana C. Silva, Sá Meury, Maria C. Vitarelli, Wendel Rafael, Lavinia Lemos, Helio G.T. Melo, Emi E. Rodrigues, Pedro Soares, Hudson Dias, Claudia Turatti e Rodinea Martins.

Recomendo a leitura de “Alívio”, De Girvany; “A Língua e as Mudanças Segundo as Épocas”, de Javier Villanueva; e “Manhã Sob Goiabeiras”, deste que vos fala. Os textos se encontram, sequencialmente, nos endereços:

Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve e publica neste seu blog literário aRTISTA aRTEIRO todo domingo e colabora no Ad Substantiam às quintas-
feiras.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. É, por segunda gestão, Secretário da ASSABI – Associação de Amigos da Biblioteca Pública Zumbi dos Palmares (Ipatinga MG). Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura).

Escrito na noite 03 de agosto de 2016. Trabalhado depois disso em algum dia de janeiro e depois entre os dias 23 e 26 de junho de 2017.

domingo, 18 de junho de 2017

POEMA BILINGUE



Luís Gonzales
e Rubem Leite.


Raticida na escola
Alunos x professores, alunos x colegas
Nuvens no céu madrugal
E ainda assim nasce o sol.

Canta gallo y otros pájaros
En la vida no me bajo
Mientras no seamos barro
Somos hombres, seamos o no varo.

Ele estava cansado da família,
Enfastiado da namorada,
Ignorado na escola,
Desanimado pelo trabalho.
Ele estava abatido pela vida.
Sem hora para voltar
Para espairecer saiu de casa
Minutos depois estava de volta.

Mudar
Mudar!
Mudar?
Mudar...

Canta el gallo y otros pájaros.
De la vida no me bajo.
No nacimos autmóviles,
Apenas somos hombres
Seamos o no varones.


Ofereço como presente aos aniversariantes
Ton Xavier, Alexandre R. Lecko, Gianmarco F. Cerdan, Luiza Carreiro, Adriane Lima, Amnon K. Oliveira, Cosette Valjean, Lígia Schmidt, Elizabeth M. Reis, Wagney Machado, Raquel Marquesis, Maria Flor, André Q. Silva, Camila Giacometti, Tiago Neri, Rinaldo A. Gomes, Maria I. Lopes e Carolina Ferreira.


Escrito 19 de agosto de 2014 por mim e por Luís. Trabalhado por mim entre os dias 15 e 18 de junho de 2017.

domingo, 11 de junho de 2017

IDEAL – CHOVE, MAS NÃO REFRESCA


  
Leitura pelo autor:

O céu amanheceu nublado apesar do dia quente; e a incidência do sol sobre as nuvens enfeitaram o céu que prometia chuva, mas que não jurava refrescar. Foi assim o início do ano letivo de 20... E neste dia Elizabeth Farias e Elizabete Matias se conheceram na sala da turma 203 da E.E. Amaro Lanari Junior, no bairro Ideal. Gostaram das semelhanças sonoras nos nomes e chamavam uma a outra de Paroxítona Beth e Oxítona Beti.
A primeira morava na rua Orlando Silva, próxima à Igreja Santo Antônio e a outra, na rua Ari Barroso, próximo ao RIC (Recanto Ideal Clube). Após as aulas Beti ia à casa da amiga as segundas e quintas feiras estudar; e as terças e sexta, Beth ia à casa da amiga para estudarem. Quarta elas deixavam para ir ao shopping. Nas noites de sábado iam à igreja de Santo Antônio e de lá para alguma festa ou barzinho com amigos. Nas manhãs de domingos também iam à igreja e depois ao RIC.
Assim foi todo o segundo ano e no terceiro também. E quando concluíram o ensino médio, Paroxítona Beth cursou licenciatura e a Oxítona Beti, arquitetura.
Em um domingo no Feirarte, a dupla conheceu a Banda O Trio. Beth ficou com o guitarrista e Beti, com o vocalista. Beth não se saciava e ficou também com o baterista. E Beti nunca chegava lá, para desespero do noivo, que até sabia fazer e praticava tudo direitinho. Os dois da Beth não gostavam de partilhá-la e o da Beti, de gozar sozinho.
A sós (sem namorados e sem a outra saber) iam à igreja pedir ajuda a Santo Antônio, que olhava por elas e intervia.
O tempo continuou sem pausa e as duas grandes amigas concluíram seus cursos. Beth conseguiu trabalho na escola Amaro Lanari Junior e também novos namorados. As manhãs e tardes ela passava trabalhando e as noites, namorando. Solitária, Beti abriu seu escritório com dois amigos na Avenida Pedro Nolasco. A busca pela sobrevivência fizeram os sócios trabalhar dia e noite. Com tanto trabalho o tempo continuou sem pausas e as duas amigas quase não se viam e não percebiam a distância crescente.
Em janeiro, Beth viajou para Vila Velha e por acaso se encontrou com Beti. Ou seria por acaso se Santo Antônio não olhasse pelas duas e intervisse. E, tocando lá, O Trio. Rindo beberam, beberam, beberam e acabaram dormindo na areia da praia. Ao acordarem, tocaram-se e...
Hoje completa dois anos que elas moram na rua Luís Carlos Pena. O céu amanheceu nublado apesar do dia quente; e a incidência do sol sobre as nuvens enfeitaram o céu que prometia chuva, mas que não jurava refrescar a Paroxítona Beth saciando-se e a Oxítona Beti chegando lá.
As duas continuam indo aos fins de semana a igreja conversar com Santo Antônio, padrinho de ambas; ao RIC e festejando com os amigos. No resto da semana trabalham com a qualidade própria aos homoafetivos.


Ofereço como presente aos aniversariantes:
Auíri Tiago, Fabí Dolabela, Claudiane Dias, Mª Bernadeth W. Duarte, Pedro Claudino, Ariene Medina, Raphael Vidigal, Mª Lurdes F. Lopes, Anderson Oliveira, Marciliane E. Silva, Kaique Santos, Bruno Coelho e Marcela Gomes.

 Recomendo a leitura de “Passarinho”, de Xúnior Matraga; “Las Proezas del Vasco de las Carretillas”, de Javier Villanueva; e “Ilusão Perdida”, de Girvany. Respectivamente nos endereços abaixo:


Manuscrito no início da tarde de 28 de maio de 2017. E trabalhado entre os dias 03 e 11 de junho do mesmo ano.

domingo, 4 de junho de 2017

NOVO CRUZEIRO – RITA



Leitura pelo autor:

Rita, de passagem, entrou em minha vida. Na minha vida? Na verdade, nem um capítulo. Uma página, talvez, ou um parágrafo apenas. Na verdade, em uma linha ela foi o meu rito de passagem.
Mas não na casa dos três viúvos. Não, lá não.
Clóvis, Glória e Justina. Dois irmãos e a prima juntos na casa de uma. O pai de Clóvis e Glória era irmão do pai de Justina. E a mãe desta era irmã da mãe daqueles. E as duas mães gostavam de Dom Casmurro. Bem, o que importa é que os três se apoiavam uns nos outros para suportar a solidão; e que a lua, exatamente sobre a Av. São Marcos no Novo Cruzeiro, está bonita.
Clóvis se encontrou duas vezes com Rita. E a paixão passou sem ninguém conhecê-la. Se é que houve alguma... Paixão ele teve foi por uma favelada. Mulher com que não se unia por pensar não ser-lhe digna...
Glória se encontrou duas vezes com Rita. E sem ninguém conhecê-la porque tais prazeres não lhe eram suficientes atrativos como os obtidos com um sujeito ou outro após as boates que iam espaçadamente...
Justina se encontrou duas vezes com Rita – Depois dos encontros com uma colega professora também aposentada com quem descobrira coisas e gozos afins –. E depois Justina e Rita se encontraram outras e outras vezes...
Tá, tá... E o que tem isso?
Nada. Além das pessoas se preocuparem com a vida alheia; desejarem coisas, despejarem pessoas e terem medo de morrerem sozinhas.
E a política, a conversa, a economia... Tudo acontecendo baixo da lua e entre goles de cerveja no Marisc Bar e Lancheria.


Ofereço como presente aos aniversariantes:
Olinda Guedes, Freddy Panaifo, Ana B. Cecília, Adriana Garcia, Isadora Zeferino, Marcelo S. Marinho, Leandro Silva, Danielle Guerra, Lua Salles, Amanda Vita, Carmen Ligia, Adriana A. Santos, Moisés Salatiel, Thieres Tayroni, Ubirathan do Brasil, Jeferson Lana e Luciano A. Maciel.


Escrito em 02 de março de 2015. Trabalhado no início da tarde de 28 de maio de 2017 e retrabalhado entre os dias 03 e 04 de junho do mesmo ano.

terça-feira, 30 de maio de 2017

AMARO LANARI – CATARTÍDEOS

 

A noite estava fria quando Adão, cidadão angolano, chegou ao Vale do Aço. E após alguns meses conseguiu trabalho de professor de português. Já estava no Brasil a mais de dois anos e conseguira documentação para lecionar.
A manhã já estava no seu fim e a Escola Estadual Raulino Cotta Pacheco, com as paredes de sua frente em vermelho e... que cor é aquela? Bem, tanto faz. E suas paredes internas em dois tons de verde enfrentava o fim dos dias do professor de português.
Primeira semana de aula e um caderno sujo de... de... uma “pasta” marrom, pegajosa, mal cheirosa... Outros tão ensebados que suas páginas grudavam nas mãos.
- Vocês têm até a próxima segunda-feira para trazerem seus cadernos e livros encapados.
- E se a gente não trazer, professô? – Desafia um.
- Perderá pontos aquele que não tiver cuidado com seus materiais.
“Absurdo... Quê isso?... Como pode?...” Disseram.
- Agora vamos estudar os verbos. – Silencia a turma. – Estrutura dos verbos: radical, vogal temática, tema, desinência modo-temporal e desinência número-pessoa. Hoje falaremos das três primeiras.
Burburinho na sala.
- Andem, que vou ditar...
“Espera, professô!”; “Ai, dita não.”
- Vocês estão demorando. Já estou em sala tem muito tempo e até agora não abriram os matérias; ficaram só conversando.
“Espera, professô!”; “Ai, dita não.”
- Radical é a parte que mostra o significado básico, essencial dos verbos. – Fala mais duas vezes. Quais são as cinco vogais?
“A, e, i, o, u”. – Respondem alguns.
- É isso aí. As vogais temáticas são ainda mais fáceis porque são apenas três. Qual é a primeira vogal?
“A”, responderam.
- E a segunda? “E”, responderam. E a terceira? “I”, responderam. Pois bem, as vogais temáticas são apenas estas três; as outras não interessam. E são elas que indicam qual é a conjugação que o verbo pertence. Então recapitulando. Radical é a parte do verbo que transmite a ideia principal e vogal temática é a parte que identifica a qual das três conjugações o verbo pertence. E para finalizar vejamos o que seja tema. Tema é a união da vogal temática mais o radical e ao acrescentar a letra “R” forma-se o infinitivo. Sabem o motivo de ter o nome de infinitivo? É porque vem de infinito, ou seja, o verbo poderá mudar para várias finalizações. E sabem o que é infinitivo?
- Não!
- É o nome do verbo. Por exemplo: Eu amei? Que verbo é esse?
- É o verbo amar!
- Exato. O nome do verbo conjugado “amei” é “amar”. Ou seja, infinitivo é o nome do verbo. Qual é o nome do verbo conjugado ‘dormi’; “eu dormi”?
- É... É dormir! – Arriscam alguns.
- Certo. Qual é o infinitivo do verbo conjugado “dormi”?
- É... É dormir?
- Sim, isso mesmo. Então o nome do verbo é o infinitivo. Então verbos terminados em “ar” são os verbos de primeira conjugação. Afinal, a primeira letra é “a”. a segunda vogal é “e” e qual é a terceira vogal?
- I! – Responderam.
- Então a segunda conjugação termina com que letra?
Ficaram em dúvida; por isso o professor pergunta: Qual é a segunda vogal?
- E!
- Então qual é a segunda conjugação? Lembrem-se de colocar o “r”...
- Er?
- Exato! E a terceira?
- Ir!
- Exemplos de verbo de primeira conjugação?
- Amar! – Disse uma aluna.
- E de segunda e de terceira...
- Correr... Fugir... – Respectivamente responderam a mesma aluna e uma outra.
- Fácil, não é? A língua portuguesa não é difícil. O que ela tem são regras. Basta estudá-las que aprendemos direitinho.
Contudo, apesar da boa aula, foi uma semana de pais reclamando do professor pela exigência de cuidados com o material.
E na outra semana percebia-se sujeira nas salas pelo descuido dos alunos.
- Que imundície é esta? A partir de agora, quero a sala limpa.
- Não somos obrigados a limpar a sala?
- A limpar, não. Mas a não sujar, sim.
- E se não fizermos?
- Perderão pontos.
“Absurdo... Quê isso?... Como pode?...” Disseram.
- Agora vamos estudar os verbos. – Silencia a turma. – Estrutura dos verbos. Semana passada nós estudamos o radical, a vogal temática e o tema. Hoje concluiremos o que começamos.
Burburinho na sala.
- Andem, que vou explicar...
“Espera, professô!”; “Ai, não.”
- Vocês estão demorando. Já estou em sala tem muito tempo e até agora não abriram os matérias; ficaram só conversando.
“Espera, professô!”; “Ai, não.”
- Primeiro vamos recapitular o que estudamos. Prestem atenção. Radical é o que contém as informações principais do verbo. Vogais temáticas são as três primeiras vogais e elas definem a qual conjugação pertence o verbo; se primeira, segunda ou terceira. Infinitivo é o...
Não souberam responder. E o professor relembra: Infinitivo é o nome do...
- Do verbo! – Concluem três alunos.
- Bom, bom. É isso aí. Vamos para frente agora. Para saber qual é o radical de um verbo basta separar a vogal temática do que vem antes. Tudo que vier antes é radical. Exemplo: no verbo “viajar”, qual é a vogal temática?
- A.
- E o que vem antes da vogal temática?
- J.
- Quase. É tudo que vem antes da vogal temática...
- Viaj...
- Certíssimo.
Fez o mesmo questionamento sobre outros verbos: correr, sorrir, cantar... Inclusive de verbos conjugados: mordíamos, fujamos, sonhei... Explicando que se ficar em dúvida é só escrever o infinitivo e separar da vogal temática para saber: Mord+er; Fug+ir; sonh+ar.
Contudo, apesar da boa aula, foi outra semana de pais reclamando do professor pela exigência de higiene. E nas semanas posteriores era perceptível os alunos amotinando-se e sabotando suas aulas; fazendo-o perder a cabeça, irritar-se, irritar-se, irritar-se e... Perder a cabeça e dizer mais do que devia. Resultado: demissão. Mas sobre isso, já dá para calcular a postura do professor e a postura dos alunos. Falemos então de sua última aula, antes do triste derradeiro ocorrido.
- Vamos continuar o estudo dos verbos. – Silencia a turma. – Estrutura dos verbos. Semanas anteriores, estudamos o radical, a vogal temática e o tema. Falamos também das três pessoas do singular e das três pessoas do plural, ou seja, dos pronomes pessoais do caso reto: eu, tu, ele, nós, vós, eles. Que “eu” é a primeira pessoa porque a primeira coisa que temos consciência é a gente mesmo. Assim como o bebê percebe primeiro a si mesmo e não reconhece nem a mãe, percebendo-a apenas como a fonte do alimento. “Tu” é a segunda pessoa porque é aquele com quem conversamos. E “ele” é a terceira pessoa porque é o objeto da conversa; e dela não participa ativamente; sendo apenas o assunto. Hoje vamos para a desinência número-pessoa e para a desinência modo-tempo.
Burburinho na sala.
- Andem, que vou ditar...
“Espera, professô!”; “Ai, dita não.”
- Vocês estão demorando. Já estou em sala tem muito tempo e até agora não abriram os matérias; ficaram só conversando.
“Espera, professô!”; “Ai, dita não.”
- As desinências são formadas por dois casais inseparáveis. Se o radical contém a informação principal do verbo, as desinências mostram a quem fala, quantos falam, quando e de que maneira falam. Por exemplo: Amo. O radical é...
- Am.
- Certíssimo. Pelo radical sabe-se que é o sentimento de gostar muito de alguém. Agora, pela letra “o” no verbo conjugado “amo” percebe-se que a pessoa é...
Não souberam responder. Então o professor continua:
- Eu am...
- Eu amo!
- Então quais são a pessoa e o número?
- Primeira pessoa do singular.
- E o tempo?
- Presente.
Exato. Então anotem que vou realmente ditar (e assim faz repetindo duas e até três vezes cada frase ou parte dela): Se o radical não muda, a desinência número pessoa pode ser flexionada indicando quem fala e qual é sua quantidade. Já a desinência modo-tempo indica se é passado, presente ou futuro e também se é indicativo, subjuntivo ou imperativo. O modo indicativo indica uma certeza; já o modo subjuntivo indica uma possibilidade ou dúvida; por sua vez, o imperativo indica uma ordem ou pedido. Vamos agora explicar e dar alguns exemplos e...
Ele é interrompido por seis alunos, que “puxaram” a turma a falarem, mexerem no celular, dizerem palavrões e... Você já sabe. O professor se excedeu e foi convidado a se retirar da escola.
A noite está fria e Adão, professor de português recém demitido, conversa com seus dois primeiros amigos brasileiros.
- Adão, noite passada tive um pesadelo horrível e acordei suando de tanto medo.
Sonhei com uns urubus cor de rosa. Foi a coisa mais apavorante que já vi.
- Claudio, o que é urubu?
- Engraçado... Imaginei que essa palavra fosse comum na língua portuguesa. Urubu é uma ave de rapina grande de plumagem preta com ponta das rêmiges brancas, cabeça nua e negra que come carne em decomposição. É semelhante ao abutre.
- O que rêmige? – Pergunta Vinícius.
- É cada uma das penas maiores das asas de uma ave; com que sustenta e dirige o voo.
- Que horror! Imagino o tédio que viveste. Isso é medonho. Por isso odeio mato e capim desta mata próxima. Prefiro concreto puro... Imagino que os seus rosados urubus não cheguem ao Amaro Lanari.
- Espero que não, pelo menos não os rosas... Rosa bom é somente o Guimarães. Rerrê. Urubu também é encontrado nas cidades. Eles são úteis para eliminar animais mortos.
- Isso é grande? Quanto mede um urubu?
Vinícius responde: Não tenho certeza, mas deve ser em torno de cinquenta centímetros. São animais benéficos e inofensivos.
- E o voo deles é muito bonito.
Param um estante a conversa para uns goles de cerveja.
- Já tivestes contacto direito com estes?
- Sempre é visto pelas ruas. Sempre tem algum animal morto: cão, gato...
- Em Angola, qual é a ave que se alimenta de carne putrefata.
- Em Luanda nunca vi uma ave de rapina assim. No Brasil os vejo nas escolas. Apodrecendo a paciência e a dedicação...


Ofereço aos aniversariantes
Rosa Kanesaki, Ivone M. Andrade, Sirleia Lima, Andreia Dutra, Cassinha Carvalho, José Carlos Rosa, Kilder Andrade, Bruno Grossi, Valdiene Gomes e Lorrayne Helena.

Recomendo a leitura de “Digitais”, de Xúnior Matraga; e “Mauricinhos Tiranos”, de Girvany.


A última parte do texto foi escrito em 18 de junho de 2015. E todo ele foi trabalhado entre os dias 25 e 30 de maio de 2017.

terça-feira, 23 de maio de 2017

SINÔNIMO DE POETA





- Ser coxo na vida
É coisa de duro.
Há de sermos desdobráveis.
- Esperar alguém que não vem.
Lamentarirritarse.
- Desdobrável!
- Ninguém pega meu fone.
- Micro ou macro?
- É... fone.
- Entendo...
- Pegue meu fone e grave!
- Outro dia.
- Adélia de santos pecados
E Federico poeta biba vermelha.
- Pecado santo?
Existe isso?
- Existe o sinônimo: poeta!
- Pior é ser um Federico.
- Não! Pior é não sê-lo.
- Daqui a pouco falará...
- De política?
É quase só o que falo
– Nas entrelinhas –
- Afinal, quem é você?
- Não sou ninguém.
- Então... O que é você?
- Nada! Não sou nada.
- Impossível.
- Impossível é o que sou.
- A quem você tem?
- A ninguém.
- O medo te prende...
Ou a coragem é pouca.
- Tenho bastante coragem.
Não me entrego a você...
Sou íntegro.


Ofereço como presente aos aniversariantes:
Beto de Faria, Tiago Costa, Deivid Paula, Sinésio Bina, Geraldo Valentim, Jaquelaira Prado, Alysson Jhony, Filipe Boanerges, Adê Araújo, Vinícius Cabral, Eloy Santos, Katia Gutterres de Paula e Fernando Campos.

Recomendo a leitura de “Bicho do Mato”, de Girvany; “Michael Temer ou Bem Vindos ao Deserto do Real... no Brasil”, de Sued.

 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve e publica neste seu blog literário aRTISTA aRTEIRO todo domingo e colabora no Ad Substantiam às quintas-feiras.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. É, por segunda gestão, Secretário da ASSABI – Associação de Amigos da Biblioteca Pública Zumbi dos Palmares (Ipatinga MG). Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura).

Escrito no início da tarde de 05 de março e trabalhado entre os dias 20 e 23 de maio de 2017.