domingo, 10 de setembro de 2017

O POLÍTICO, A NAÇÃO E A CORRUPÇÃO

EL POLÍTICO, LA NACIÓN Y LA CORRUPCIÓN
THE POLITICIAN, THE NATION AND THE CORRUPTION


Leitura pelo autor do cronto em português e em espanhol:
Lectura por el autor del croento en portugués o español:


Em português

Em um restaurante um homem de cabelos cinza puxados para trás sorri. O telefone toca, olha o mostrador e sorri mais ainda mostrando dentes pontiagudos.
- Amor! (Pausa de segundos) Uai! Estou almoçando... (Outra pausa) Tomei o lugar da ex-chefe; não preciso avisar aos meus subordinados. (Mais pausa) Com ninguém não; estou sozinho, amor! (Pausa mais longa) Tchau!
Desliga o aparelho, chama o garçom, paga a conta. Entra no carro para ir para outro lugar que não seja a Empresa.  E faz tudo isso tendo a companhia e o sorriso de Solange.


En español

En un restaurante un hombre de canos pelos estirados para tras sonreí. El teléfono suena, mira la pantalla y sonreí más aun mostrando dientes puntiagudos.
- ¡Cariño! (Un rato de pausa) ¡Oye! Estoy comiendo… (Otra pausa) Tomé el cargo del jefe anterior; no necesito avisar a mis subordinados. (Más pausa) Con nadie; estoy solito, cariño. (Pausa más larga). ¡Hasta pronto!
Apaga el aparato, llama el mozo, paga la cuenta. Entra en el coche para ir a otro lugar que no sea la Empresa. Y hace todo eso tiendo la compañía y la sonrisa de Solange.


In English
Revision of Delsyn Carvalhaes.

Inside a restaurant, a man of grey hair pull behind smiles. The phone rings, he looks at the dial and smiles, more yet exhibiting pointed tooth.
- My Darling! (Short pause) I lunch… (Other pause) I take place of the ex-boss; I not need inform my subordinates. (More pause) I with anyone; I’m alone, my darling! (Pause more long) Bye-bye!
He turns telephone, he talks “waiter, check please”. He enters in car to go to other place as not firm. The man makes all has with a company and smile of Solange.


Ofereço como presente aos aniversariantes:
Jamil Boali Mattar, Heloise Guerra, Kenia Junia, Vera Almeida, Willian Delarte, Michael A. Monroe, José D. Carmo, Lucy Cristina, Wagner G. Mineiro, Jeferson Santos, Geórgia A. Bastos, Ricardo Alves, Wina Lidiane e Deise Brenda.

Recomendo a leitura de “A Felicidade no Contexto da Razão”, de Josué da Silva Brito; “Prazeres e dores”, de Vinicius Siman; “Autonomia”, deste macróbio que vos fala; “Libertação”, de Xúnior Matraga; “Hugo Pratt en la Argentina”, de Javier Villanueva. Respectivamente nos endereços:

 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve e publica neste seu blog literário aRTISTA aRTEIRO todo domingo e colabora no Ad Substantiam às quintas-feiras.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. É, por segunda gestão, Secretário da ASSABI – Associação de Amigos da Biblioteca Pública Zumbi dos Palmares (Ipatinga MG). Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura).


Escrito 18 de maio de 2016 e trabalhado entre 20 de junho e 10 de setembro de 2017.

domingo, 3 de setembro de 2017

BELA VISTA – PROBLEMA RELIGIOSO DE NOSSOS DIAS – II


Continuação.

¿Es posible discutir lo que ignora? No; por eso intentan impedir discusiones sobre respeto al distinto, a la mujer y otras cosas más. ¿Cuál es el motivo de intentar retirar algo que no se encuentra allá y acrecentar prohibición a cualquier discusión sobre género? ¡Piense! ¡Piense! ¡Piense! Observe el hecho de los curas y pastores presentes exigieren prohibición y sus seguidores solamente gritaban sin conocimiento. Interesantemente triste es observar que no aceptaban dialogar. Toda vez que apuntábamos los hechos la respuesta era chifla. ¿Por qué abucheo? Porque no tenían como argumentar. Y no pudieron argumentar porque no saben reflexionar, filosofar.
Un rato mirando alrededor y sentido en el hombro, como una aprobación, la flor que se desprendiera del árbol.
¿Y qué discusión puede ocurrir sin conocimiento del asunto?
Es importante no tener miedo de mirar; y coraje para ver.

Leitura pelo autor postada no endereço:

O dia continua lindo debaixo do ipê amarelo e a conversa continua pesada; todavia, Benito não se cala:
- A discussão acerca da literatura anticlerical portuguesa nos ajuda a refletir abertamente e menos contaminado sobre o problema religioso de nossos dias.
- Já vem você com esse papo de literatura...
 - É Adão, continuo sim. E como exclamei não faz muito tempo: observe que falei “cristãos” e não “Cristianismo”, pois o problema é que seus frequentadores não a seguem. Apenas falam, falam e falam... Outro ponto, a discussão na Câmara Municipal não era “respeito aos homoafetivos”. Aliás, o plano sequer falar de sexualidade, que inclui homem, mulher, masculino, feminino, heteroafetividade, homoafetividade, violência contra a mulher, violência contra o homoafetivo e muito, muito mais, e os cristãos ali foram discutir o que não estava no plano... Eles foram discutir o que ignoravam. Como isso é possível? Não é; e por isso vaiavam os fatos e os esclarecidos.
- Ando com a religiosidade em baixa. – Entra na conversa o até então calado Jairo. – Mas penso que Cristo lutou exatamente para acabar com os rótulos.
- Exatamente por isso que digo que cristãos não seguem Cristo...
- Autodenominados cristãos, com “c” bem minúsculo. Usam o nome dEle para ganharem notoriedade e credibilidade para fazerem o mal.
- Só não sorri com sua fala porque ela é triste, Jairo. Concordo contigo.
- Estamos juntos.
- Não são cristãos apenas, Benito e Jairo. – Diz Salomão. – São fundamentalistas, ignorantes, manipulados e cheios de ódio.
- Não sou cristão, mas você os chama de ignorantes e estúpidos, afim de que algum aqui o xingue para reafirmar sua tese ou de alguma forma, o ego. Fico em duvida se isto e hipocrisia ou idiotice.
- Eu os xinguei, Elson? E por insultá-los eles retaliariam? Xingar seria se eu tivesse dito sobre eles coisas de baixo calão. Sugiro que, por gentileza, olhe no dicionário os significados das palavras “estúpido” e “ignorante”. Verá que não houve ofensa. Aproveite e veja também o que seja “ofensa” e aí perceberá quando ela ocorre. Porque dizer fatos não é ofender; é ser duro. E a realidade é dura. A verdade é dura. Por gentileza, olhe nos dicionários e verá coisas boas e bem interessantes.
Necessário dizer que nos olhamos irritados? Penso que não, mas se precisar eu digo: Estávamos à flor da pele; não à flor do ipê... E continuo:
- Mas pode observar, Elson, que ninguém falou mal deles, mas de mim. Por que será? Hipocrisia minha? Será!? Por que eu estaria sendo hipócrita em expor algo que eu sabia que se voltaria contra mim? E sabendo disso por que falei? Por idiotice minha? Veja também o que significa “idiota”. Do pouco que você me conhece viu algo que possa corroborar esta sua ideia a meu respeito? Então a “minha” tese teria saído pela culatra porque fui apenas vilipendiado e meu ego estaria ferido, não reafirmado. Então, qual a causa de eu ter falado o que disse? Crê realmente que foi por vulgaridade? Vontade de falar mal? De criar polemiquinha?
- Embora você tenha tido suas experiências com cristãos, ou talvez pessoas que se acham cristãos, a sua fala é generalista. Benito, o cristão é alguém que imita Cristo, e Cristo foi manso no seu tratamento com pessoas diferentes, mesmo com pecadores. Mas eu não estou a par de tudo o que vem acontecendo com você e então acho que só posso falar daquilo que você está dizendo aqui, neste momento, debaixo deste ipezinho no Bela Vista. Mas, como disseram agorinha mesmo, o cristão também é um ser humano, e por isso sujeito e erros, como também é o homossexual, o irreligioso, o ateu, o judeu, e todos outros.
- Pascoali, concordo com o que disse. Principalmente quando falou que o cristão imita Cristo e que Ele foi manso inclusive com os diferentes. O que não acontece, nunca aconteceu e pelo andar da carruagem será difícil que um dia venha a acontecer. Peço perdão se lhe ofendi ao dizer que não acontece. Até porque toda regra tem exceção. A questão é que as exceções pouco ou nada fazem enquanto a regra é atuante. Sabe por que o mal avança mais que o bem? Observe ao redor, e não apenas ao redor dentro da Igreja durante o momento de culto ou missa, e verá que não estou inventando ou exagerando. O mal avança mais que o bem porque os bons ficam aguardando alguém que faça enquanto os maus não esperam, fazem. Quando eu era criança, adolescente, jovem... eu acreditava que os cristãos imitavam ou procuravam se espelhar em cristo. Hoje, no meu quase meio século, vejo que apenas berram “Jesuuuus”, mas ação mesmo que é bom, não. Talvez você seja a exceção, parabéns! Mas a regra se comprova não por minhas palavras, mas pela ação dos cristãos.
Mais um golinho de vinho à brisa debaixo do ipê e Benito continua:
- Ontem, por exemplo, houve uma reunião para discutir se deve ou não ter discussão de gênero nas escolas e a população cristã foi à câmara para proibir isso. O interessante é que no plano sequer aparece a palavra gênero. De onde eles tiraram isso? Da leitura do plano é que não foi porque se tivessem lido veriam que não consta essa questão. Inventaram; sim, o termo é IN-VEN-TA-RAM que o plano iria obrigar os alunos usarem o mesmo banheiro (unissex), que menino seria tratado como menina e menina seria tratada como menino. Quem bolou ou concebeu tamanha tolice? Alguém que não leu o plano ou que planejou abafar as discussões sobre gênero; que não fala apenas de homoafetividade, mas também de heteroafetividade; fala mais do que isso, fala de masculino e de feminino, fala, entre outros assuntos, do estupro dentro de casa, estupro na escola, estupro nas ruas, pedofilia e muito mais; fala do respeito ao diferente, à mulher e muito, muito mais. Qual o motivo que queriam retirar algo que não estava lá e acrescentar uma emenda que proibisse qualquer discussão sobre gênero? Pense! Pense! Pense! Atente-se pelo fato que os Padres e Pastores presentes queriam impor tal emenda, mas seus seguidores apenas gritavam sem saber. E interessantemente triste é observar que não aceitavam dialogar. Toda vez que mostrávamos os fatos a resposta era vaia. Por que vaia? Porque não tinham como argumentar. E não puderam argumentar porque sequer leram. Porque não sabem pensar, refletir, filosofar. Afirmo que não leram porque não sabiam o conteúdo do plano e quando perguntado, confirmaram! – Pausa olhando ao redor e sentido no ombro, como um apoio, a flor que se desprendera da árvore. – Eles mesmos afirmaram que não leram e aqueles que disseram que leram não souberam responder às perguntas que fizemos sobre o plano... E que discussão pode acontecer sem conhecimento do assunto?
- Ah, não Benito – intervém Manoela – deve ter alguma pândega em toda essa pendenga.
- Bem... Talvez a única coisa boa na Bíblia seja que Jesus torce pelo Galo e os... ahm, “cristãos” sejam cruzeirenses...
- Como é que é?
- Uai! Está na Bíblia, São Lucas capítulo 13... – vendo a cara de espanto, Benito recita: “Jerusalém! Quantas vezes quis juntar o povo, como a galinha – excelentíssima senhora dona esposa do GAAALOOOOO – ajunta os seus filhotes debaixo das asas, mas você, cruzeirense, não me quis...”. – Entre as risadinhas dos amigos, ele continua: E tem mais. É nesse mesmo capítulo que Jesus solta um palavrão... Pior que xingar a mãe... Ele assim fala sobre Herodes, que se equipara palidamente aos cristãos de nossos dias: “Vai e diga àquela raposa”. Viram? Quer coisa pior que raposa?
O pessoal ri, até os cruzeirenses, meio a contragosto, diante do amaciante na dura e pesada conversa.
- É só uma bobagem, gente. É só um chiste. E...
- Estão criando essa polêmica, usando essa questão do gênero apenas para se promoverem, Benito... Apenas para se promoverem.
Marialva corta o assunto e Marissol completa:
- Quanto maior a ignorância, melhor tem que agir um professor. Ensine; não crie polêmica!
- É o que os professores tentam fazer e a bancada não deixou. É o que queremos fazer e os coxinhas não aceitam.
- Há uma esperança. Nem todos são assim.
Continua Marialva e Mário abre sua boca em uma tarde que poderia ter sido tranquila:
- Quando você fala “cristãos”, você está entrando para o grupinho que você abominou.
- Benito, não me agrada o que você disse. – Intervém o até então calado poeta Jurandir. – É necessário muito cuidado na comunicação e você, pessoa que admiro e o inteligente que é, desconsiderou esse cuidado e viés. O mal não pertence aos cristãos. Pertence ao bípede supostamente racional. Uma propriedade nata e não se passa de pai para filho... Mas Deus, perfeito que é, fez metamorfa a humanidade, apesar de divina na essência. Uns fazem uso dessa santidade e outros a ignoram. Quem usa dessa divindade é cristão; os que a ignoram são só... “gente”.
Ele para alguns segundos enquanto olhamos o ipê florido e bebemos. Depois ele continua:
- Qualquer pessoa, seja boa ou má, é “gente”, e a divindade é propriedade ativa e constante do “humano”. Então são esses humanos os “cristãos”. No meu livro “Quase Verbo”¹ eu o abro com uma mensagem que tento exercitar no meu cotidiano – ele pega o livro e lê: “Não nasci para ser herói / Nasci para ser humano.” E essa mensagem é um convite para essa pertinente discussão. Até porque estamos juntos na luta e sua fala é convite para uma reflexão interior.
- Jurandir! – Benito retorna à fala. – Dissemos coisas muito similares em vernáculos diferentes. Muito parecidas mesmo. E é como venho dizendo: A discussão acerca da literatura anticlerical ajuda a refletir sobre o problema religioso da atualidade.
- Por isso você é um desses amores amigos que trago no peito.
Jurandir responde e tranquilamente se volta para dentro de si depois da contrarresposta de Benito:
- A questão é: observamos o contraste e ignoramos os similares.
 Macieira intervém:
- Gostaria de ver os bons cristãos em ação, assim saberemos que de fato existem.
- Falou bem, Macieira. Porque o mal avança por causa dos bons. Enquanto estes ficam de braços cruzados esperando alguém fazer alguma coisa, aqueles trabalham para realização de seus objetivos. É só ver o acontecido na Câmara Municipal... É só ver o religioso prefeito dançando diante da amargura dos aposentados. É só vê um juiz inocentar o tarado ejaculador no ônibus. É só ver o religioso Bolsonaro dizer que seus filhos são bem educados e servos de Jesus; por isso não namorariam uma negra.
O vento balança a flora ao redor e os livros a cabeça de quem tem.
- É só não ter medo de olhar; e ver.


Ofereço como presente aos aniversariantes:
Cleverton Nunes, Matheus Menezes, Didi Peres, Gabi Hipólito, Chrika de Oliveira, Heloísa Martins, Tamirys Fernandes, Lourenço Godoi, J. Petrônio Pethros, Guilherme R. Cabral, Andrea G. André, Maxwell Martins, Wemerson Dias, Elizabeth Z.C. Valverde, Emília Domingues, Dione Costa, Monica Novaes e Wantuil J. Sousa.

Recomendo a leitura de “A Ideologia Alemã, de Karl Marx e Friedrich Engels – resenha simplificada em série (parte 1)”, de Sued; “Celebração”, de Girvany; “Oração Ateia”, de Xúnior Matraga. Respectivamente:

¹ BARBOSA, Jurandir. Quase Verbo. São Paulo: Catrumano, 2014.

 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve e publica neste seu blog literário aRTISTA aRTEIRO todo domingo e colabora no Ad Substantiam às quintas-feiras.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. É, por segunda gestão, Secretário da ASSABI – Associação de Amigos da Biblioteca Pública Zumbi dos Palmares (Ipatinga MG). Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura).


Foto do ipê é do autor.

Escrito na noite de 15 de julho de 2015; trabalhado um pouco em algumas madrugadas de 2016, mas realmente construído entre 23 de agosto e 03 de setembro de 2017.

domingo, 27 de agosto de 2017

BELA VISTA – PROBLEMA RELIGIOSO DE NOSSOS DIAS – I

  
¿Qué discusión puede ocurrir sin saber el asunto discutido? Chifla es la respuesta que se da cuando falta argumento y no quiere dar marcha atrás. El cristianismo podría ser lindo si no fuera como es predicado por las religiones. Eça de Queirós y Saramago acusan las religiones como las causas de los sufrimientos y perversidad humana; siempre bien dispuestas a produjeren y a reprodujeren la miseria y la opresión.
Discutir literatura anticlerical portuguesa nos ayuda a pensar abiertamente y con menor contaminación el problema religioso de nuestros días.

Leitura do cronto pelo autor no endereço:

Cinco horas da tarde em ponto, Adão sai de sua casa na rua Dionísio e Macieira também. Dois minutos depois saem os irmãos Marialva, Marissol e Mário na casa da rua Alvinópolis. Salomão, da rua Nova Era. E Gustavo é da Raul Soares. Pascoali, Benito, Manuela e Jurandir são os alienígenas no bairro. Mas Jairo e Elson, não. Os dois são da rua Itabirito. Todos se encaminham para a avenida 26 de outubro do bairro Bela Vista; e o pequeno ipê carregado de flor os acolhe.
- Sou fascinado pelos cristãos. Cada encontro com os cristãos é um encontro com o ódio, a estupidez e a ignorância.
- Será? – Adão responde perguntando.
- É o que sempre se vê. – Benito contrarresponde. – Hoje mesmo, na Câmara Municipal de Ipatinga, um vereador disse “Pela defesa da família cristã”. Perguntei-lhe e a minha família? Não sou cristão... A resposta foi “Junte seu grupinho e se defenda”. – Segundos silenciosos. – Aconteceram outras coisas além dessa.
- Mas, Benito, isso não é o suficiente pra julgar dessa maneira os cristãos ao todo.
- Dei apenas um exemplo, Adão. Além desse e hoje à tarde, na mesma câmara e por outros cristãos, houve dezenas de outros acontecidos. Fora esses há outros que tenho visto em aproximadamente quarenta anos.
- Sei lá, Benito! O cristão é pessoa e como tal está sujeito a falhas de sua espécie.
- Sim, mas o interessante é que botam Jesus no meio de suas falhas e o “indicam e indiciam” como cúmplices de suas violências e responsabilizam-nO por suas estupidezes e ignorâncias.
- Nisso já não tenho como dizer algo!
- “Jagera” não, Benito! – Intervém Manuela. – Você é meu amigo, vem em casa e ainda não cozinhei você para o almoço ou pra sopa... Rirri.
- Ai, Manuelita de mi corazón. Precisava ver as barbaridades que escutei dos cristãos hoje na câmara municipal. Entre dezenas de outras coisas uma que lá foi em nome de Jisuis me contou “Mal vejo a hora de ir embora desse paizim di merda” e a mesma, sem querer ou não, me contou em seus arroubos que pagou caro o diploma que comprou...
- Esse menino está precisando é de orar, Manuela! – Gustavo entra na conversa.
- Já orei muito e li bastante a Bíblia. – Responde Benito. – Mas me cansei de ver cento e quarenta Salmos desejando mal aos outros... Ter o Rei Davi como um exemplo importante a ser seguido; sendo que o famigerado era estuprador, torturador, mutilador, escravagista, traidor, falso amigo e falso religioso. Ter a violência justificada no Antigo Testamento e os preconceitos confirmados no Novo.
- Mano Benito, Davi como homem teve as suas falhas e avarias, mas isso não pode abalar a fé de alguém, sendo que ele era homem dotado de limitações!
- E posto como exemplo de conduta... – Por alguns segundos olhos se entreolham. – Lembro-me de alguns anos atrás em Ipatinga uma “coisa curiosa” que aconteceu. A Caixa Econômica Federal recebeu em um dia o número de pedidos de seguro desemprego que recebe em um mês. Desconfiada acionou os órgãos competentes e uma das pessoas presas disse estar arrependida... Interessante que se arrependera depois que foi pega... Mostrou-se boa discípula de Davi e verdadeira estudiosa da Bíblia.
Uma pausa para beberem debaixo das flores amarelas, pensarem e Benito continuar:
- Também sou limitado, mas não pretendo matar meus amigos para ficar com suas esposas e me “arrepender” quando ameaçado por quem tem mais poder que eu...
- Benito, não resisti por isso tive que entrar na conversa. – Fala a sempre calada Macieira. – Sabe, muitas pessoas então no caminho errado, mas creem em seus corações que estão no caminho certo até depararem com alguém ou alguma coisa que mostre o contrário. Por exemplo: Você está seguindo estrada para o Sul, mas está louco pra chegar à Bahia, você vai chegar lá? Não até que alguém lhe diga que está na estrada errada então você faz uma conversão rumo à estrada certa.
Um vendedor de sorvete interrompe a conversa para oferecer seus produtos. Com nossa recusa ele vai embora e Macieira continua suas ideias:
- O que acontece é isso, as pessoas só refletem ou mudam se forem confrontadas e, da mesma maneira que você diz ter ouvido coisas horríveis; o que muitos homossexuais têm feito não é diferente e por causa disso não vou colocar todo mundo no mesmo saco e dizer que ninguém presta. Por favor, seja prudente. Não posso generalizar por causa da atitude de alguns, o evangelho não é isso, vida cristã com certeza é diferente do que você descreve.
- Macieira, curiosamente as pessoas cristãs que “juravam” estar no caminho certo sequer conheciam a estrada, ou seja, o plano em discussão na Câmara e digo isso por diversos motivos, como foram discutir o que não estava lá e afirmaram que não leram. Uai! Que discussão pode acontecer sem saber o que está sendo discutido? E no plano sequer aparece a palavra “gênero”, que tanto os atormentava  e queriam proibir o que não estava lá... Quanto ao se deparar com alguém ou coisa, ou seja, o plano que mostra o caminho a reação deles não foi retornar, mas vaiar quando os fatos foram apresentados. Vaiar é a resposta que se dá quando falta argumento e não quer dar o braço a torcer. Preferiram continuar indo para o Sul para chegar à Bahia... Não precisa acreditar em mim, veja os fatos em fontes diversas. Observe que eu disse “cristãos” e não “Cristianismo”. Com certeza não foi por acaso ou acidente que escolhi um termo e não outro. Pode acreditar, eu pensei bem antes de dizer o que falei. Cristianismo é lindo; ou poderia ser se não fosse como é pregado pelas religiões. Em O Crime do Padre Amaro e outros livros, Eça de Queirós representou bem a religiões; ele acusa não só o clero, mas toda a Igreja e o Cristianismo – e aí se vê o radicalismo; não é só o clero, mas a religião – que ela prega como a causa dos sofrimentos e perversidade humana. Saramago também; ele busca entender o ser humano e a sua surpreendente capacidade de produzir o mal. E para isso ele se utiliza de Portugal e do Cristianismo como metáforas da natureza humana e de sua forma de organização social; sempre prontas a produzirem e a reproduzirem a miséria e a opressão. É o que bem se vê em O Evangelho Segundo Jesus Cristo. Mas em diversos textos ele apresenta todo o ódio e violência comum às diversas religiões: o judaísmo, o islamismo, o cristianismo católico ou protestante. A discussão acerca da literatura anticlerical portuguesa nos ajuda a refletir abertamente e menos contaminado sobre o problema religioso de nossos dias.
O ventinho faz cafunés no ipê e nos amigos; inspirando-nos dar uma pausa.

Continua.


Ofereço como presente aos aniversariantes
Sued, Hildete T. Santos, Luana Rodrigues, Maylde Trevenzole, Aldair Pinguim, Michel Ferrabbiamo, Paula Gomes, Luis F. Rezende, Raquel A. Oliveira, Luciana M. Silva, Samuel Costa, Rita de Cássia, Débora Cristina, Cristiane Duarte, Carla Paoliello.

Recomendo a leitura de “Quanto Tempo Você Tem?”, de Clóvis Marcelo; “Perdido de Amor”, de Girvany; e, deste macróbio que vos fala, “¡Denso, Muy Denso!”.

 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve e publica neste seu blog literário aRTISTA aRTEIRO todo domingo e colabora no Ad Substantiam às quintas-feiras.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. É, por segunda gestão, Secretário da ASSABI – Associação de Amigos da Biblioteca Pública Zumbi dos Palmares (Ipatinga MG). Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura).


Escrito na noite de 15 de julho de 2015; trabalhado um pouco em algumas madrugadas de 2016, mas realmente construído entre 23 e 27 de agosto de 2017.

domingo, 20 de agosto de 2017

POETOPATAS


Em 20 de agosto de 2017 a gloriosíssima
Cora Coralina
Faz/faria 128 anos.




“A história precisa resolver o próprio problema da história,
o saber precisa voltar o seu ferrão contra si mesmo.”
NIETZSCHE.


Silencio de las mujeres
Para pensar
– en sí y en todo –
Mudez de las mujeres
– más real que el silencio –.


Silence of women
For think
– in herself and in whole –
Muteness of women
– more true who silence –.


Leitura pelo autor do poema:

No Brasil há o temeroso Fora.
Na Venezuela, dizem, há o caindo de Maduro.
Em USA há o Duck Trump.
E o mundo está desuno.

Lendo o poema “Enredo para um Tema”, de Adélia Prado, pensei e escrevi:

Silêncio das mulheres
Para pensar
– em si e no todo –
Mudez das mulheres
– mais real que o silêncio –.

Vendo homens, vendo povo
Ó, antitrabalhadores patos amarelos
E pró-ricosbranquelos.
Versus
Em todas suas linhas os escritores
Em todos vendo valores
Vendo os homens, vendo os trabalhadores.

Vendo de verbo financista
Versos
Vendo de verbo literário.


Ofereço como presente aos aniversariantes:
Carlos Glauss, Armindo M. Noma’s, Mateus Oliveira, Maria F. Rodrigues, Rubem Junior, Guilherme Costa, Professora Kakau, Ronyn Oliveira, Jurandir Barbosa, Mª Anjos Dias, Carol Steine e Mª Amelia Oliveira.

Recomendo a leitura de “Descanso”, de Girvany; “La Poesía Gallega Actual: Salvador Mira y ‘Destierro em la tierra’”, de Javier Villanueva; “Um Miniconto Sobre Uma Otimista”, de Sued; e, desde macróbio que vos fala: “Aloquezia”.

NIETZSCHE, Friedrich. Segunda consideração intempestiva: da utilidade e desvantagem da História para a vida.

Imagem de Cora Coralina:

 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve e publica neste seu blog literário aRTISTA aRTEIRO todo domingo e colabora no Ad Substantiam às quintas-feiras.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. É, por segunda gestão, Secretário da ASSABI – Associação de Amigos da Biblioteca Pública Zumbi dos Palmares (Ipatinga MG). Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura).


Escrito 15 de março de 2017. Trabalhado entre os dias 15 de julho a 20 de agosto do mesmo ano.

domingo, 13 de agosto de 2017

CONTINUO COMIGO

Foto do autor: Lua e Nuvens; Centro de Ipatinga MG.
Felicidades a todos os pais.


Leitura do poema pelo autor no canal aRTISTA aRTEIRO:


Meu olhar deu meia noite
E você não se achegou
Ressoaram doze baladas
Nos meus olhos

Deu meia noite em meu olhar
E você me ignorou
Doze baladas ressoaram
Nos meus olhos

Você se afastou
De meus olhos
De meia noite

Você se foi
Abalando a noite
De meus olhos.


Ofereço como presente aos aniversariantes:
P. Melanie W. Leite, Ivan F. Machado, Cemario Campos, Jesus D. Duarte, Michelly Tellys, José Duarte, Gedeon Marques, Dani Gomes, Wander Santos, Denise Silva, Nelson M. Esfinge, Silas C. Leite, Junio Endrik, Marilda Lyra, Fabiane Borges e Simone Penna.

Convido a ler “Balé Infinito”, de Xúnior Matraga; “Meu Coração”, de Girvany; a entrevista “Hernán Lara Zavala”, de Gianmarco Farfán Cerdán; e, deste macróbio que vos fala, “Castanheira Vermelha”.

 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve e publica neste seu blog literário aRTISTA aRTEIRO todo domingo e colabora no Ad Substantiam às quintas-feiras.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. É, por segunda gestão, Secretário da ASSABI – Associação de Amigos da Biblioteca Pública Zumbi dos Palmares (Ipatinga MG). Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura).


Escrito no início da tarde de 12 de fevereiro de 2017. E trabalhado entre os dias 05 e 13 de agosto do mesmo ano.

domingo, 6 de agosto de 2017

BOM JARDIM – SILÊNCIOS SEGUNDOS

Foto do autor.

Mientras saborea cerveza con soledad, una lluvia de hojas y flores del árbol atrás del chaval lo baña y él no percibe.

Leitura do cronto pelo autor no canal aRTISTA aRTEIRO, conforme endereço abaixo:

“... de olhos admirados como se neles pairasse o espanto de um espetáculo visto e esquecido”¹. Foi assim que vi Jonas. Um sujeito de barba castanha, mas com cabelos e olhos pretos. Camiseta e tênis cinzentos, bermuda vermelha. E, sozinho, tomando cerveja na praça cheia de gente enquanto espera o Festival Roda Viva que retornou após longos anos de vazio.
Jonas desconhece a história do bairro. Não sabe que já era habitado na época do Império. Que depois a grande fábrica comprou o terreno e não pagou. E mais tarde um prefeito a comprou e igualmente fez calote. Ignora isso e mais porque é de fora; não um dos moradores apaixonados do bairro Bom Jardim.
Enquanto saboreia cerveja com solidão, uma chuva de folhas e flores da árvore atrás do rapaz o banha e ele não percebe. Atento admira quem ou o que está em seus pensamentos e não vê o que nem quem passa a sua frente. A música, os músicos, as barracas, os vizinhos, quem o olha, quem o ignora.
Nada admira. Nada vê.
Ninguém.
Olha ao redor, bebe mais um pouco, lê o que aparece no celular sem tirar o que ocupa sua cabeça.
“Que esse desespero é moda em setenta e três”². – Paramos, eu e Vinícius, para ouvir a música que voa nos ares. – “Tem gente estranha...”. Ouço, mas ele não continua. Penso em perguntar. Porém o barulho do trânsito nos cala; então olhamos para nossas frentes, não para o outro.
- Tem gente que... Não sei...
Pergunto ou deixo passar?
- Acho que vou para o Parque das Samambaias encontrar-me com umas pessoas...
- Não acho exemplo de beleza, mas penso que faz bem...
- O quê?
- Sexo, claro! – Respondo após três segundos de silêncio.
- Mas será que faz bem?
- Não sei se, digamos, para saúde, mas para o gozo acho que faz.
- Estou falando de mim.
- Estou falando de nós.
- Nós? Não nos vejo em sua conversa fiada.
- É disso que estou falando. Es como comer castañas hablar con un ser que no conocés.
- O quê?
- Nada. Mas mudei de ideia. O Festival parece que vai começar na hora programada.


Ofereço como presente aos aniversariantes:
Andriely K. Sophia, Luciana Araújo, Juninho Zeff, Alyda Sauer, Pricilla P. Leite, Raiza Priento, Vera Tufik, Dalvina S. Aredes, Gui Givisiez, Marjorie Marj, Teuler Guimarães, Gustavo Nolasco, Raul Gonçalves e Catarina Angela.

Recomendo a leitura de “Minha Janela”, deste macróbio que vos fala; “Decoro”, de Xúnior Matraga; e “Beijo de Despedida”, de Girvany.

¹ TABUCCHI, Antonio. Mulher de Porto Pim. Lisboa: Difil Hesperides. Sonho em forma de carta.

² BELCHIOR. A Palo Seco:

Maiores informações sobre o bairro Bom Jardim:

 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve e publica neste seu blog literário aRTISTA aRTEIRO todo domingo e colabora no Ad Substantiam às quintas-feiras.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. É, por segunda gestão, Secretário da ASSABI – Associação de Amigos da Biblioteca Pública Zumbi dos Palmares (Ipatinga MG). Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura).


Manuscritos escritos em inícios de algumas tarde de outubro de 2015 no Feirarte; o cronto foi trabalhado nos dias 18 e 25 de dezembro de 2016 na Praça do Bom Jardim. E concluído em minha casa, no Centro, entre os dias 30 de julho e 06 de agosto de 2017.