domingo, 12 de junho de 2016

A FOME

Potira itapitanga.


The spider dead walks to Isabella and kiss her.
And she… Pah!
The rain falls on the body and Isabella open eyes.
The sister of the spider of the Spider Man that makes first walking dead the word.

Ou

La araña muerta camina hasta Isabella y la besa.
Y ella… ¡Pah!
La lluvia cae en el cuerpo e Isabella abre los ojos.
Fue la hermana de la araña del Hombre Araña que hizo la primera muerta viva del mundo.


A noite em Ipatinga já vai avançando. É dito que em outros países já é dia, mas aqui a noite está em seu meio e longe da madrugada que antecede o... dia? Não estou só. Comigo estão Edgar Alla Cat e Don Perro de La Mancha, os amigos de um amigo. O gatinho olha soturnamente para as sombras e o cachorrinho rosna ameaçadoramente para os objetos que as geraram. Mas nada acontece; nem outros movimentos além dos nossos, nem outros sons se somam aos que produzimos.
Nada acontece; ninguém nos aparece. E continuamos andando sem saber para onde; sem saber o que ou quem procurar. Simplesmente andamos, andamos e andamos na noite que, eu sei, tardará a terminar. Quando a madrugada começa, uma casa. Enorme! Quatro andares, quarenta metros de largura, quarenta de comprimento. Enorme, caindo aos pedaços e, creio, vazia.
Don Perro e Edgar Allan param diante de sua porta. Experimento o trinco; está aberta; empurro-a; olhamos para seu interior; escuridão; entramos no momento que sons e movimentos desconhecidos surgiram atrás de nós. Fecho a porta; algo a arranha; dou dois passos para trás; o trinco não se move; na casa nada se move.
No céu lá fora não se via nenhuma luz, nem da lua nova. Através do telhado de vidro do casarão se vê a lua; cheia. Como? Por quê?
Andamos pela casa. Da sala vemos uma aranha estranha em outro cômodo. Ela parece doente. Com seus pequenos olhos observa-nos como se nos apreciando... Com suas patas feridas e podres se mexe na teia branca como seus olhos. Mas assim mesmo, passando o mais longe possível, vamos ao cômodo  um salão de vinte por vinte metros. Olhando para cima se vê os três andares superiores. No canto direito, uma escada. Subimos. Don Perro à frente e Edgar Allan em meu colo. Estamos famintos, mas sem nada para comer. O gato olha para uma porta no último andar: “Miaumore”; o cão fareja a porta e abana o rabo; abro-a e entramos. Um quarto com uma grande cama no centro; grandes janelas na parede à esquerda da porta dão para a escuridão completa; grandes baús na parede à direita; e um grande espelho de frente para a porta mostra um retrato de um busto de mulher acima do umbral; olhos e cabelos negros enfeitam sua pele morena; traja um bonito vestido vermelho; seu sorriso não é alegre; e apesar de parecer estar morta ela é bela.
Com fome deitamos. E dormimos com Edgar olhando a pintura. No meio da madrugada Don Perro se desperta e rosnando nos acorda. Com medo olho para a porta; com coragem me levanto, vou até ela, mas Edgar e Don Perro se posicionam na minha frente; parecem querer me impedir de sair. Abro-a assim mesmo e vou para fora. Os amigos do Benito agora são meus amigos também e me acompanham. Do corredor olhamos para baixo. Pessoas estão deitadas no salão. Três, cinco, dúzia de gente.
- Quem são vocês? O que querem? – Pergunto.
Os deitados se sentam e me olham. De uma porta vem uma mulher gorda; olhos e cabelos negros enfeitam sua pele morena; ela traja um desbotado vestido vermelho; sorri com pouca alegria e muitos, muitos dentes; dentes demais.
- Desça! Você deve estar faminto. Vem comer com a gente!
Desço e meus amigos me seguem relutantes. As pessoas no salão agora estão de pé, sujas, feias, assustadoras. A mulher gorda, sorrindo, faz sinal para que a siga. Entramos na cozinha do casarão. No fogão várias panelas fumegam soltando um cheiro bom de comida.
- Ponha a toalha na mesa do salão. – Ela me diz e fala para duas mulheres magras na cozinha: “depois ponham os pratos e talheres”. Virando-se para mim: Temos hoje carne assada e ensopado de carne. Gosta?
À mesa posta, sentamos todos. Três mulheres, treze homens; doze de nós pegam com a canhota um talher e... Falta o braço direito em cada um; das panelas o cheiro bom de carne. Penso em sair, mas não posso. Estou faminto e como. Algo muda em mim e... E então vejo o gato e o cachorro saindo pela janela em direção à madrugada que se converte outra vez em noite.
E logo eu e os demais homens sairemos.


Ofereço como presente de aniversário a
Claudiane Dias, Pedro Claudino, Raphael Vidigal, Ariene Medina, Maria L.F. Lopes, Marciliane E. Silva, Anderson Oliveira, Bruno Coelho, Juliana Santos, Marcela Gomes, Ton Xavier, Alexandre R. Lecko e Gianmarco F. Cerdan.

Recomendo a leitura de “A máscara da traição e o mordomo que roubou 500 milhões de cruzeiros”, de Javier Billanueva; “Poeta-se”, Xúnior Matraga; respectivamente:

Escrito partindo de um sonho na madrugada de 03 de setembro de 2015. Trabalhado entre os dias 08 de março de 2016 e 12 de junho 2016.

Um comentário:

Josmar Divino Ferreira disse...

Estranha de narrar uma noite terroficada por Alan Cat... E tu... Gostei do final com as panelas com uma só alça e o uso da mão esquerda... Rubem Leite o artista arteiro. Lindo domingo.