domingo, 19 de novembro de 2017

RETORNO FANTASMA


Leitura do cronto no canal aRTISTA aRTEIRO:


Em português

Não tanto o sono
Mas o desânimo da vida
Dificultam o meu levantar.

Foram-se!
Um Mal habitou um ponto local assustando cada Menor Mal.
Retirado por Bom Mal, o Um Mal se foi. Ficou o vazio de almas sem sair a sombra retinente.
Um Menor Mal veio e se foi. Vieram outros e se foram. Agora há um bolinho trevoso donde escuros lumes faiscaram vez e vez. E carrinho de churrasquinho fatura na diversão sanguínea.
A rua frequentada por usuários de craque saíram para uma boca se instalar. A polícia os retirou(?) para paulatinamente voltarem usuários.
Usuários da vida na morte.


En español

No tanto el sueño
Pero, el desánimo de la vida
Dificultan mi levantar.

¡Se salieron!
Un Mal habitó un punto local aterrando cada Menor Mal.
Retirado por Buen Mal, el Un Mal se fue. Se quedó el vacío de almas sin salir la sombra tintiniente.
Un Menor Mal veo y se fue. Surgieron otros y se fueron. Ahora hay un oscuro alboroto tenebroso de donde negros rayos chisparon vez y vez. Público festivo compra peros calientes a salsa de sangre.
La calle frecuentada por drogadictos salieron para un fumadero¹ instalarse. (¿)El policía lo retiró(?) para de poco a poco volvieren adictos.
Adictos de la vida en la muerte.


¹ Punto de venda de drogas.

Ofereço como presente de aniversário:
Manuel Ayala, Sávio Tarso, Igor Dias, Fernanda Hergis, Nari Farias, João Borges, Helon Tavares, Tania Mattos, Ruana Shipton, Aline Valadares, Sula Valgas, Stéfany Késsya, Débora Juliane, Rubens Ramalho, Erdinachele M. Salatiel e Aline Medeiros.
Recomendo a leitura de:
“Aldravismo, a escola poética minimalista”, de Vinícius Siman:
“Coisas de Família”, quadra trilíngue deste macróbio que vos fala:
“Dias Incertos”, de Girvany de Morais:

 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve e publica neste seu blog literário aRTISTA aRTEIRO todo domingo e colabora no Ad Substantiam às quintas-feiras.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. E em breve também professor de História. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura). Foto de Vinícius Siman.

Quadra escrita no fim da madrugada de 10 de agosto de 2017. Dois dias depois, no início da manhã, a prosa foi escrita. Trabalhadas entre os dias 05 e 19 de novembro do mesmo ano. Foto de Vinícius Siman.

Viva a Bandeira do Brasil (hoje – 19 de novembro – é seu dia). Viva a Bandeira de Minas Gerais.

domingo, 12 de novembro de 2017

JARDIM PANORAMA – FECHA OS OLHOS

  
Leitura do cronto pelo autor no canal aRTISTA aRTEIRO:

... pensamentos do que vem à frente à dos já acontecidos conduzem seus pés pelo bairro Jardim Panorama. De vez em vez para sob uma árvore qualquer de uma calçada, abre a caixinha e olha a aliança de noivado que a sociedade não lhe autoriza. Já atravessou a Avenida Minas Gerais, sentou na Praça Capitania de Minas Gerais, passou pela Avenida Juscelino Kubitscheck e agora olha a casa mais bonita da Rua Serra do Espinhaço.
Cria coragem e chama.
Ninguém atende.
Chama de novo.
Ninguém
Chama outra vez.
Alguém?
Em um momento temerário testa o portão estranhamente destrancado. Entra. Experimenta a porta da sala, também destrancada. Entra. Atravessa alguns cômodos e chega ao quarto.
Quem buscava se encontrava sobre a cama. Olhos fechados, rosto palidíssimo, braços rentes ao corpo nu. Olha o sexo; para o sexo que ansiava e que se mostrava inapto para a realização do sexo que se avizinhava a sonho.
Aproxima-se sem medo, pudor ou nojo do corpo.
Senta-se, leva a mão ao rosto amado, beija a boca sem se preocupar ou mesmo pensar em como ou por qual motivo morrera.
Deita-se ao lado, braços rentes ao próprio corpo, com uma das mãos sobre a mão fria.
Fecha os olhos.

- Não dá para acreditar nisso...
- As pessoas creem no que querem; não na verdade.
- Mas essa história é verdadeira?
- A verdade é o que as pessoas acreditam; não o que realmente seja.
- Então, aconteceu realmente?
- Pode ser que sim...


Ofereço como presente aos aniversariantes:
Natália Andrade, Jaeder T. Gomes, Isac Silva, Fernanda La Noce, Rodrigo Neiva, Eder Loures, Chicão Fidideus, Carla L. Barros, Vera Pagani, Caroline Fael, Carla L. Mafra e Terroso Amador.

Recomendo a leitura de:
“Juckbox”, de Girvany de Morais;
“William Waack, entre os sacis e as fadas”, de William Delarte.

 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve e publica neste seu blog literário aRTISTA aRTEIRO todo domingo e colabora no Ad Substantiam às quintas-feiras.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. E em breve também professor de História. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura). Foto de Vinícius Siman.


Manuscrito no início da tarde de 30 de abril de 2017 e trabalhado entre os dias 04 de agosto e 12 de novembro do mesmo ano.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

IGUAÇU – AFETO


AFECTO


Leitura do autor postado no canal aRTISTA aRTEIRO:

Em português:

Percorri com Benito a Rua Xingus, passamos em algumas outras, fomos à igreja de Nossa Senhora Aparecida e fizemos uma prece à Virgem que nos olhava sorrindo. Depois que saímos andamos até atravessar a Avenida Brasil, chegamos à praça e...
- Benito! Ô, Benito! Benitinho!
Olhando para o som vejo um sujeito numa moto suja. Não o conheço. Contudo, Benito o reconhece. Não pela sujeira, mas sim a voz sobre a moto.
- Luzmário!
Enquanto o conhecido se apeia da moto e se aproxima de nós diante da banca de revista onde estávamos, Benito me olha e diz em pensamento quem é. E sem me ver – pois somente olhos especiais me captam – ele para ao meu lado e à frente do protagonista. Os dois se abraçam quando retira o capacete e se beijam.
“Beijaram!?! Isso é coisa de viado.” Ouço a exclamação de alguns leitores; e falo para todos: Não discutirei isso. A mim me basta gostar de meus irmãos. Ouço a insistência de alguns: “Irmãos? Sei!” Irmãos no sentimento. E escuto ainda a insistência de alguns: “Mas...” Mas o quê? Por favor; eu gosto de dialogar com quem me lê, mas no momento vocês estão atrapalhando o desenrolar do cronto. Desenrolar que, provável, ajudar-te-iam entender. “Credo, e o cara ainda mesocliseia...” Desde que não me xinguem de Temer eu usufruo de todas as possibilidades que nossa língua permite; principalmente hoje, Dia Nacional da Língua Portuguesa. Mas, voltemos à história, por favor.
- Vou te dar carona.
Ele é moto-taxista quando não está internado pelas surras ou se fumando via pedras de seu cachimbo.
- Parabéns pelo seu aniversário, Luzmário.
- Você lembrou? No dia, só Jesus e minha mãe me cumprimentaram...
Percebo, e Benito também, que a voz saiu difícil.
- Lembro-me de você sempre.
- Sabe a última vez que a gente se viu? – Pausa enquanto Benito aquiesce. – Tinha um sujeito que me conhece e nos viu. Quando você saiu ele perguntou se você é viado ou religioso.
Eu ri e Benito também. Eu despreocupado e ele desinteressado; a gente riu.
- Disse o que vejo: religioso!
Benito sorriu contente, mas tranquilo. Olho para as árvores na praça, para o trânsito de um final de tarde na avenida que leva aos bairros Cidade Nobre e Ideal; volto às árvores da praça e aos dois amigos.
- Suba na moto que eu te levo.
Com carinho o transporta. E eu os sigo pelos ares. Chegando ao destino:
- Gostaria de verocê mais vezes. Apesar do atraso, eu tô quereno comemorar o meu aniversário. – Desce da moto. – Você vai?
- Sim, claro. Quando?
- Em um sábado próximo. Você vai?
- Vou sim.
Sobe na moto e dá um beijo rápido e suave nos lábios do amigo. Afasta-se lento. Uma lágrima nos olhos de Benito. Vai, não sei se para algum carinho, se para algum cliente ou se para a noite. Entramos na casa e...
- Você vem? Sim, você que está lendo. Você vem?


En español

Recorrí con Benito una calle, pasamos en algunas otras, fuimos a la iglesia charlar con la Virgen que nos miraba sonriendo. Después que salimos caminamos hasta atravesar la Avenida Brasil, llegamos a una plaza y…
- ¡Benito! ¡Oh, Benito! ¡Benitito!
Mirando hasta el sonido veo un tipo en una moto sucia. No lo conozco. Pero, Benito lo reconoce por la voz, no por la suciedad.
- ¡Luzmario!
- Mientras el conocido se apea de la moto y se acerca de nosotros delante el quiosco donde estábamos, Benito me mira y dice en pensamiento quien es. Y sin me ver – pues solamente ojos especiales me captan – él para a mi lado y a la frente del protagonista. Los dos se abrazan cuando saca el casco y se besan.
“¡¿¡Besaron!?! Eso es cosa de maricón.” Oigo la exclamación de algunos lectores; y hablo para todos: No discutiré eso. A mí me basta amar mis hermanos. Oigo la insistencia de algunos: “¿Hermanos? ¡Sé!”. Hermanos en sentimiento. Y unos todavía insisten: “Pero…” ¿Pero qué? Por favor, a mí me encanta dialogar con quien me lee, sin embargo, en ese momento vosotros atrampáis el desenrollar del croento. Desenrollar que, probablemente, te ayudaría a comprender. “¡Ay, caray! El sujeto es presumido; aún usa vosotros...”. Solo no puedes insultarme diciendo que soy Temer del Brasil; pues me encanta todas las posibilidades de la lengua. Pero, volvemos a la historia, sí.
- Te lo llevaré adónde vas.
Él es conductor de moto, una especie de taxista, cuándo no está internado por las palizas o se fumando a través de las piedras de su pipa.
- Congratulaciones por tu cumpleaños, Luzmario.
- ¿No te olvidaste? En el día, solamente Jesús y mi mamá me cumplimentaron…
Percibo, y Benito también, que la voz salió difícil.
- Siempre me recuerdo de tú.
- ¿Sabe la última vez que nos vimos? – Pausa mientras Benito confirma con la cabeza. – Había un tío que me conoce y nos vio. Cuando saliste me preguntó se tú eres mariposita o religioso.
Reí y Benito también. Yo despreocupado y él desinteresado; nosotros reímos.
- Le dije lo que veo: ¡religioso!
Benito sonrió contento, pero tranquilo. Miro los árboles en la plaza, el tránsito al fin de una tarde en la avenida que lleva a otros barrios; vuelvo a los árboles de la plaza y a los dos amigos.
- Sube en la moto que te llevo.
Con cariño lo transporta. Y los sigo por los aires. Llegando al destino:
- Me gustaría verte más veces. A pesar del atraso, quiero celebrar mi cumple. ¿Tú irás?
- ¡Sí, claro! ¿Cuándo?
- En un sábado próximo. ¿Tú irás?
- ¡Sí! Iré.
Da un beso rápido y suave en los labios del Benito. Aléjate despacio. Una lágrima en los ojos; sobe en la moto y se va. No sé si para alguno cariño, si para alguno cliente o se para la noche. Entramos en la casa y…
- ¿Tú vienes? Sí, tú que estás leyendo. ¿Vienes?


Ofereço como presente de aniversário a:
Moisés Correia, Rosa Weder, Ederson Tófano, Dayane Andrade, André Brytto, Amauri Krus e Eduardo R.L. Toledo.

Recomendo a leitura de
“quarto & sala”, de Xúnior Matraga:
“Homofobia Paterna”, de Girvany de Morais:
“Combate”, deste macróbio que vos fala:

Dia Nacional da Língua Portuguesa é 05 de novembro, em homenagem ao intelectual Ruy Barbosa.

 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve e publica neste seu blog literário aRTISTA aRTEIRO todo domingo e colabora no Ad Substantiam às quintas-feiras.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. E em breve também professor de História. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura). Foto de Vinícius Siman.


Manuscrito no início da tarde de 16 de abril de 2017 e trabalhado nas duas línguas entre os dias 04 de agosto e 06 de novembro do mesmo ano.

domingo, 29 de outubro de 2017

VILA IPANEMA – FOLHA SECA

  
Na luta contra o frio e a invisibilidade,
Os dois aquecem-se.
Mas continuam invisíveis¹.

Leitura do cronto pelo autor no canal aRTISTA aRTEIRO:
                                                                                     
A máquina fotográfica registra o irregistrado pelos olhos. Uma folha seca seca parte de um pano. Panorama impercebido, imperceptível sentido. Caminha para casa com sua bengala branca.
Para e registra o invisível.
Um homem e uma mulher na rua Urca do bairro Vila Ipanema estão sujos. Ele parece velho como o tempo e ela juvenil como a vida. Mas estão sujos.
Os olhos que não veem pressentem os dois em um pressentimento diluído pela humanidade... Entende?
As mãos desses olhos cristalinos sem utilidade maior que a estética registram através da máquina um casal sujo, acabado.
A máquina não pergunta: O que é sujo, o casal ou a vida? E o que é acabado, o casal ou o tempo sem fim? Enquanto que o conto A Metamorfose faz pensar “A vontade de companhia morre diante da realidade.” O corvo alemão faz observar: muitos que ajudam o outro apenas declaram “você é vadio!”.
Não é consolo; é fortaleza o que recebemos ao ouvir Vaninho e Banda se apresentando na pracinha da Igreja Católica do Vila Ipanema. Ler Ziza Saygli em sua “Trilha Sonora de Saudade”² também ajuda.
- Porra! Mas cê fala pra caralho.
- Rirri. É do caralho que sai porra...
- E mijo.
- Dizem que mijo faz bem pra saúde.
- Eu é que não vou experimentar.
- Então leia Machado de Assis; é o que há de melhor. Machado de Assis, Ziza Saygli, Vinícius Siman, Girvany de Morais, Roberto Caroli, Nena de Castro, Goreti de Freitas, Marília Siqueira Lacerda, Flávia Frazão, Mia Couto...
- E o cara da foto? O que tirava retratos...
- Ora! De quem você acha que são essas reflexões?
- Do autor, claro; o Rubem.
- É! De fato isso é. Mas através de quem?
- Do cego?
- Plausível. O que seus olhos não percebem sua sensibilidade vê.
- Queria dizer que sua sensibilidade é humana...
- Mas os humanos são o que diz Machado de Assis em “Pai Contra Mãe”.
- É!
- Por isso vale a pena ouvir Vaninho e Claudio Marcelo; ler Siman e Ziza; assistir a dança do Grupo Hibridus...
- Se você diz...
- Digo!


Fotografia do autor.

Na rua Flamengo, próximo à escola estadual João Walmick, o fotógrafo entra em uma casa. Passará a noite com alguém. Mas antes de entrar, vira-se, aponta a máquina para o alto e tira uma fotografia de vermelhos balões indo para as nuvens no céu.


Ofereço como presente aos aniversariantes:
Eremita G. Fernandes, Nena de Castro (MVMC), Claudio Marcelo, Fabiana Conceição, Urbano P. Souza, Carol Ribeiro, Cristina Abreu, Adão Gurgel e Alvarino Silva.

Recomendo a leitura de:
“Violeta Parra, Pablo Neruga y el Gurerrillero Manuel Rodriguez”, de Javier Villanueva:
“Ambiguidade”, de Girvany de Morais:
“Metáfora do Absurdo”, de Xúnior Matraga:
“Abomináveis Fora Medroso das Neves V”, deste macróbio que vos fala:
e “Capitalismo como Religião: A bizarra atualidade de um estranho texto de Walter Benjamin”, de Línik Sued:

¹ SIMAN, Vinícius. 17 Horas. A Máquina do Tempo. MG: Fortaleza Editorial, 2015.

² SAYGLI, Ziza. Trilha Sonora da Saudade: poesia. São Paulo: APMC, 2017. Contato para aquisição do livro: www.editoraapmc.com – 011.2589.4262

 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve e publica neste seu blog literário aRTISTA aRTEIRO todo domingo e colabora no Ad Substantiam às quintas-feiras.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. E em breve também professor de História. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura).


Manuscrito em julho de 2017, iniciado no dia 09 e concluído no dia 16. Trabalhado entre 30 de setembro e 29 de outubro do mesmo ano.

domingo, 22 de outubro de 2017

TEM HOMEM PELADO NO MUSEU

HAY HOMBRE DESNUDO EN MUSEO


Leitura em português e espanhol do cronto pelo autor no canal aRTISTA aRTEIRO:

A censura é praticada, mas não admitida pelo Governo Brasileiro.
A divulgação do vídeo da criança no museu a está expondo; o que é crime. Quem quiser discutir a situação, que fale sobre o vídeo, mas não o propague.
E a divulgação deste vídeo tem como conteúdo a falsa ideia “O homem é um potencial estuprador.”; já que não teria toda essa repercussão se fosse mulher nua.
Advogada Fernanda Coelho.

Em português

Na igreja, a devota:
- Ai, socorro! Meu marido não ata nem desata. Sou uma mulher sensível comendo um perecível. Meu marido, tão varonil, não gosta de pastel, tem medo de minhoca, mas adoooora uma cascavel... E quanto mais cruel, mais ele dá anel...
- É porque instantes passados muitos elefantes passaram e lhe disseram “gordo velho, o senhor é um porco imperialista, nada democrático. Então que encalhe na calha que cai no esgoto e em banho de sangue grite e grite até perder as banhas!”. Entretanto, querida, um elefante é maior que um instante, sabia? Não há porque sofrer tanto. E desacato à lei da gravidade impacta menos que a gravidez da elefanta.
Depois que a devota se vai, a secretária e o religioso discutem:
- Padre Pastor, não compreendo o que o título tem a ver com o texto...
- Para, Nóia, de embromar. É necessário continuar enganando o povo.
Enquanto isso, em um recanto de verdadeiros ensinamentos:
- A educação gratuita não é mais obrigatória. Se antes a qualidade já não era cumprida, hoje nem “para inglês ver” ela é. E o povo fica discutindo pedofilia onde não há. A escravidão voltou a ser legalizada, disfarçada, mas autorizada. E o povo fica discutindo zoofilia onde não há. Políticos mais do que provadamente culpados são libertados da prisão e liberados para o... trabalho(!?!). E o povo fica discutindo blasfêmia em filmes e peças teatrais onde não há.


Foto do autor: Drummond e Eu.


En español

En la iglesia, la devota:
- ¡Ay, caray! Mi marido no ata ni desata. Soy una mujer sencilla arriba de una silla. A mi marido, tan varonil, no le gusta lechuga y tiene miedo de lombriz y de lechuza.
- Es porque a ratos pasados un ratón ha pasado y lo dije “ratón cano, usted es cerdo imperialista, no un ciudadano. Entonces ¡que encalle en el caño del sumidero de la calle, grite mucho en baño de sangre y después se calle!”. Sin embargo, querida, una rata dura más tiempo que un rato, ¿sabías? No hay porque sufrir tanto. Y el embarazo de rata impacta más que firmar acta.
Después de la salida de la devota, la secretaria y el religioso discuten:
- Cura Pastor, no comprendo la ligación del título con el texto…
- Para, Noia, de vocear. Hay que no parar de engañar el pueblo.
Mientras eso, en un sitio de verdaderos enseñamientos:
- La educación gratuita no es más obligatoria. Si antes la cualidad ya no era cumplida, hoy ni “humo para Occidente” ella es; quiero decir la educación hoy no es ni para constar. Mientras eso el pueblo discute pedofilia donde no hay. La esclavitud si volvió legalizada; disfrazada, pero autorizada. Mientras eso el pueblo discute zoofilia donde no hay. Políticos más que probadamente culpados son libertados del cárcel y liberados para el… (¡¿¡)trabajo(!?!). Mientras eso el pueblo discute blasfemia en películas y piezas teatrales donde no hay.


Ofrezco como regalo de cumpleaños a:
William Salgado, Alessandro Valerio, Hadoucha Houda, Paulo Rodriguez e Diane Mazzoni.

Recomiendo la lectura de
“Cidade Surreal” e “Pseudo-Humildade”, de Girvany de Moraes;
“‘Noción de Patria’, por Mario Benedetti”, de Javier Villanueva;
“Abomináveis Fora Medroso das Neves IV”, deste macróbio que vos fala;

Advogada Fernanda Coelho – Mídia Intervindo na Arte ou A Guerra Midiática contra a Arte. 16 de outubro de 2017, no espaço Hibridus. Observação: Este apanhando é minha interpretação da fala da advogada.

 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve e publica neste seu blog literário aRTISTA aRTEIRO todo domingo e colabora no Ad Substantiam às quintas-feiras.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. E em breve também professor de História. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura).

Escrito originariamente en español en 27 de enero de 2015. Trabajado en las dos lenguas en 2017, entre los días 16 juño y 22 de octubre.

domingo, 15 de outubro de 2017

AMARO BOÇAL


Ao longo do século XIX, a vida nos territórios africanos mudava lentamente. A essa altura, uma população mestiça e burguesa, ainda que em número reduzido, vai se formando nas colônias, reivindicando melhores condições para essas terras. Aparecem os primeiros assimilados, nome pelo qual eram identificados os descendentes de portugueses, geralmente mestiços, nascidos na África, que recebiam uma educação mais formal.
(...)
Em razão desses acontecimentos (protestos violentos acerca de trabalho forçado imposto por Portugal às colônias), alguns antigos colonos e brancos que haviam chegado recentemente a Angola conseguem permissão do regime para invadir os bairros nos quais moravam os negros e ali atacar qualquer um que considerassem suspeitos. Desse episódio resultaram muitas mortes, em sua maioria de jovens assimilados – que são justamente aqueles que se aculturaram, deixando suas raízes negras para frequentar as escolas dos brancos.
AMORIM, 2010, p. 16 e 20.

Leitura do cronto pelo autor postado no canal aRTISTA aRTEIRO:

- Sabe, meu amor, li Mario Benedetti dizer... Quero dizer, não li porque não sou dessas coisas, mas ouvi dizer que, em um conto, talvez “Datos para el Viudo”, que não existem armadilhas para caçar o amor. E saber que você gozou, muito, com os rostos suaves de jovens rapazes com grandes bagos e com as mãos de rudes homens que te apertaram sem sentir verdadeiramente seu corpo faz com que eu não queira seus carinhos.
- Médico cubano, querido. Forte médico cubano que faz bem... E me fez tão bem.
- Por que fala coisas assim? – Silencio. – Não me adianta olhar assim. E nem precisa dizer “quem é você para me julgar”. Eu sou melhor que você. Ontem seu irmão veio me dizer que aquele magrelo tatuador branco te torou com seus dreads imensos. Seu irmão! Seu irmão me disse sem perceber ou sem se importar com o quanto pejorativo foi contigo. Mas eu me surpreendo por espantar-me com algo assim vindo de um criolo; de algo sem a minha cultura e elegância viril. Seus lindos olhos já me viram em meus sonhos e já penetrei seus seios em meus sonhos e em realidade. E digo a você: você fode melhor na minha cabeça do que na realidade. Está gostando do coquetel? Morango e goiaba. Eu gosto é de whisky. E minha vara já te perpassou. E hoje só não broxo vendo seu deboche porque sou muito macho. Deboche! Deboche que eu respondo comendo com mais sabor uma rã que sua... rarrarrá... perereca. “Jesus be praised!” A última vez que falei isso eu tinha o quê, dez anos? Não, menos. Mas você é bonita para meus olhos. Bonita para minhas mãos. Mas sua cultura inexiste e...
- E vai cuidar da sua vida e saia daqui! Que só idiota te quer.


Foto do autor: Ipê Branco.
BR 381, entre o Centro e o Novo Cruzeiro. Ipatinga MG.
Após a explosão, os dois se olham, vão embora e eu lhe digo:
Olhos no escuro
Pássaros de sons obscuros
Não livre para estar taciturno
Dever absurdo.
- O que esta quadra tem a ver com a fala daquele casal?
- Nada! E muito! Agora, escuta esta:
O cara está prestes a pular do viaduto.
- Oi! Vi que você está quase pulando.
Os dois trocam olhares.
- Quer ajuda?
- E?
- E adquira uns livros de Paulo Freire, que lhe será bom.


Ofereço como presente aos aniversariantes:
Camila Oliveira, Hércules Malta, Mary Cordeiro, Igino de Oliveira, Flávia Frazão, Yasmim Correa, Clara Melo Viana, Joana Sangi, Roselene P. Andrade, Leila Cunha, Agostinho V. Pereira, Lucimar Inácia e Ricardo Viotti.

Recomendo a leitura de:
“Rebeldia”, de Xúnior Matraga:
“Cura Gay”, de Girvany de Moraes:
A “Pintura Bananeira”, do artista plástico Rafael Cabral:
“Abomináveis Fora Medroso das Neves III”, deste macróbio que vos fala:

AMORIM, Claudia. A África lusófona: um pouco de história. Cultura e Literatura Africana e Indígena. Curitiba: IESDE Brasil S.A., 2010.

 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve e publica neste seu blog literário aRTISTA aRTEIRO todo domingo e colabora no Ad Substantiam às quintas-feiras.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura).


Manuscrito 30 de julho de 2017. Trabalhado entre os dias 25 de setembro e 15 de outubro do mesmo ano.

domingo, 8 de outubro de 2017

MANIFESTANTES

  
Mia Couto escreveu e Maria Bethânia leu:
“Diz-se que morremos por perder sangue.
É o inverso.
Morremos afogados nele.”

Leitura em português e espanhol do poema postado no canal aRTISTA aRTEIRO:

Em português:

Foto do autor. Sibiruna.
Av. João V. Pascoal. Centro de Ipatinga MG, Brasil.

Sibipiruna, ipê roxo
Sempre aqui.
Quem te vê?

Conheceu o amor
Conheceu a guerra
Não um no outro
Mas um e outro
Deitou-se flor
Sonhou-se parindo armas.

Sibipiruna, ipê roxo
Sempre aqui.
O povo não nos vê.

Estamos aqui!


En español:


Foto do autor. Ipê roxo (lapacho violeta).
Parque Ipanema. Ipatinga MG, Brasil.

Sibipiruna, lapacho violeta
Siempre aquí.
¿Quién te ve?

Conoció el amor
Conoció la guerra
No un en otro
Pero uno y otro
Se acostó flor
Se soñó pariendo armas.

Sibipiruna, violeta lapacho
Siempre aquí.
El pueblo no nos ve.

¡Estamos aquí!


Ofereço aos aniversariantes:
Ricardo A.W. Leite, Yasmine Pimenta, Luciano G. Botelho, Rayane Soares, Brenda Almeida, Rosemary Gomes, Carmem L. Assis, Letícia Pereira, Karla Suelen, Gely Fantini, Shirley Maclane, Edmar Pereira, Giovânia Torres e Marcos Pinto.

Recomendo a leitura de:
“In Memoriam”, de Girvany de Morais:
“Cecília que eu Amo”, de Caio Riter:
“Abomináveis Fora Medroso das Neves II”, deste macróbio que vos fala:
 “O que fazer em uma situação insustentável e em desequilíbrio total?”, de Javier Villanueva:

Este poema é, inicialmente, fruto da conversa entre Maria Bethânia e Mia Couto: https://www.youtube.com/watch?v=4ryBAE7aJok e, depois, da observação do rebanho populacional e da população povo na manhã de 07 de outubro de 2017.

2017:
Cinquenta e quatro anos do Massacre de Ipatinga (MG, Brasil) – 07 de outubro;
Cinquenta anos do assassinato de Che Guevara (La Higuera, Bolivia) – 09 de outubro.

 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve e publica neste seu blog literário aRTISTA aRTEIRO todo domingo e colabora no Ad Substantiam às quintas-feiras.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura). Foto de Vinícius Siman.


Escrito em português na tarde de 27 de julho de 2017. E trabalhado nas duas línguas entre os dias 20 de setembro e 08 de outubro do mesmo ano.