domingo, 23 de julho de 2017

BETHÂNIA – AS COISAS TÊM UM SER VITAL

LAS COSAS TIENEN UN SER VITAL


Em português
Cronto lido pelo autor e postado:

Olho um objeto... Não um corpo humano; somente um objeto imóvel. Um rapaz de cabelos pretos, óculos apoiados em um pequeno livro. Ele, o rapaz, veste uma bermuda branca e no pescoço um lenço branco. Mas, suas roupas estão sujas. Uma enegrecida substância vermelha começando a secar-se.
Morador da rua Estocolmo no bairro Bethânia. Ah... Agora um ex-morador daquela rua. Futuro habitante do Senhora da Paz. Antes, em visitas a bairros mais nobres, vendeu-se muito por pouco para a vida que o vencera. Vendeu-se para a sociedade condenadora dos rapazes comprados.
Ele é ninguém. Ou apenas um objeto usado por algumas pessoas e sua morte não desperta em ninguém vontade de solucioná-la. Nem a você, que somente deseja uma história e não a verdade ou a vida do jovem.


En español
Croento leído por el autor y publicado:

Miro un objeto… No un cuerpo humano; solamente un objeto inmóvil. Un muchacho de pelo negro, gafas apoyada en un pequeño libro. Él, el muchacho, veste un pantalón corto blanco y en el cuello un pañuelo blanco. Pero, sus prendas están sucias. Una sustancia roja ennegrecida empezando a secarse.
Viviente de una calle oscura de un barrio pobre. Pero, ahora su vivienda será el cementerio… Antes, visitando los barrios más nobles, se vendió mucho por poco para la vida que lo venciera. Se vendió para la sociedad condenadora de los muchachos comprados.
Él es nadie. O solo un objeto usado por unos tipos y su muerte no despierta a nadie gran voluntad de solucionarla. Ni a tú, que solo deseas una historia y no la verdad o la vida del joven.


Ofrezco como regalo de cumpleaños a
Gilberto M. Weber (Beto), Shamilla Oliveira, Arlisson Toledo, Marta Lorenzato, Roberta Colen, Thayná Souza, Pedro E. Chachuaio, Daniela Silveira e Anilton Reis.

Recomendo a leitura de “Kafka”, deste que vos fala; “Uma Garota com Baixa Autoestima e Tesão”, de Sued; e “Vivendo o Mito de Sísifo”, de Girvany.

 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve e publica neste seu blog literário aRTISTA aRTEIRO todo domingo e colabora no Ad Substantiam às quintas-feiras.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. É, por segunda gestão, Secretário da ASSABI – Associação de Amigos da Biblioteca Pública Zumbi dos Palmares (Ipatinga MG). Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura).


Escrito originariamente en español en el Parque Ipanema, Ipatinga MG y en medio de la tarde de 22 de enero de 2017 mientras leía “Para objetos solamente”, del libro La Muerte y Otras Sorpresas, de Mario Benedetti. El título de mi relato es la epígrafe del cuento que me hay inspirado y fue escrito por Rubén Darío. Mi texto fue trabajado entre los días 20 e 23 de julio del mismo año.

domingo, 16 de julho de 2017

CENTRO – PAZ E CALMA

PAZ Y CALMA


Em português

- Ele tinha uma expressão tão cheia de paz e de calma debaixo da lua cheia... E eu não resisti. Beijei sua boca. Mas… Mas o frio de seus lábios me assustou.
- Você o conhecia?
- Não! Mas seu semblante me atraiu e não resisti.
- Você é doido? Sem nenhuma vergonha vai se achegando a um cara...
- Não costumo fazer isso. Foi seu ar tão tranquilo... Tão cheio de paz e calma.
- No entanto não é essa a questão. Ele está morto e você é o único que se aproximou do corpo e nada diz que o inocente.
Enquanto a chuva sorri fora do bar O Garajão, José olha os policiais e onde estava o corpo.
- Gostaria de sair daqui. Isso não seria melhor? Ir até a delegacia... Ai, desculpa! Não quero dizer como deve agir, senhor policial.
- Tenente. Tenente Saavedra.
- Saavedra? Nome espanhol.
- Meus pais são espanhóis. Mas isso não é de sua conta.
- É verdade. Desculpa.
- Vamos sair daqui.
- Para a delegacia?
- Sim!
O policial e o morto fecharam a apresentação do Cangabruta. Grupo musical de Sete Lagoas em turnê pelo Brasil; contudo, não o eclipsou. A noite se aninava com a pimenta do grupo que foi para fora e continuou a apresentação no gramado entre o ribeirão Ipanema e a avenida Zita Soares de Oliveira.
A testemunha ou suspeito – ainda não se sabe – seguiu o tenente à viatura e se foram.
Ainda no Centro de Ipatinga e a meia distância do curto espaço entre O Garajão e a delegacia uma soporífera nuvem de tranquilidade envolveu o carro e o tenente Saavedra se encantou com a expressão de paz e calma do... adormecido... morto... Bem, do José.
Pela manhã alguns rapazes curiosos se aproximaram do carro parado na Avenida 28 de Abril. A expressão de paz e calma no rosto do, agora adormecido(?) tenente, deu uma incontrolável vontade de beijá-lo. Não conseguindo abrir a porta quebraram a janela na mesma hora que uns guardas passavam.
Um perguntou à delegacia sobra a viatura atacada e os outros três prenderam os garotos e os levaram à delegacia.
- O motorista tinha uma expressão tão cheia de paz e calma. – disse o mais jovem dos três – A gente não conseguiu resistir.
- E a outra pessoa no carro?
 - Não havia mais ninguém. – Respondeu o mais velho e o outro falou: Podemos voltar lá e tirar uma foto? Ele tem um ar tão cheio de paz...
A suave cerração que foi se formando preencheu a cela com uma sensação tranquilizadora e agora se expande... Você que está aqui comigo sente-se em... paz? Então, durma, descanse em paz.


En español

- Él tenía una expresión tan de paz y tan de calma bajo la luz de luna… y no resistí. Besé su boca. Pero… Pero el frio de sus labios me asombró.
- ¿Lo conocía?
- ¡No! Pero su semblante me atrajo y no lo resistí.
- ¿Es un torpe? Sin pudor se acerca de un tipo…
- No es mi naturaleza. Es su aire tan de tranquilo. Tan de paz.
- Sin embargo, no es esta la cuestión. Él está muerto y usted es el único que se acercara del cuerpo y nada habla que lo inocente.
Mientras la lluvia sonreí fuera de la bodega El Garaje, José mira los policías y donde estaba el cuerpo.
- Me gustaría salir de acá. ¿Eso no sería mejor? Ir a la Comisaría… ¡Ay, caray! No querías decir que debería hacer, señor policía.
- Teniente, teniente Salgado.
- ¿Salgado? Nombre brasileño.
- Mis padres son de Brasil. Pero, eso no es de su cuenta.
- Verdad. ¡Perdóname!
- Vamos a salir de acá.
- ¿Para la Comisaría?
- ¡Sí!
El policía y el muerto cerraron la presentación del Cangabruta. Grupo musical brasileño viajando por Latinoamérica; pero, no lo eclipsó. La noche se animaba con la pimienta del grupo de Sete Lagoas; ciudad en el territorio autónomo de Minas Gerais. El grupo salió de la bodega y continuó la presentación en el césped entre el arroyo y la avenida.
El testigo o sospechoso – aún no si sabe – siguió el teniente al coche y se fueron.
Aún en el Centro de la ciudad, en la media distancia del corto espacio entre El Garaje y la comisaría, una nube llena de soporífera sensación de tranquilidad envolvió el coche y el teniente Salgado se encantó con la expresión de paz y calma del… dormido… muerto… ¡de José!
En la mañana unos muchachos curiosos se acercaron del coche estacionado en la calle. La expresión de paz y calma en el rostro del, ahora ¿dormido? teniente, les daba ganas de besarlo. No pudiendo abrir la puerta quebraron la ventana en la misma hora que unos guardias pasaban.
Uno cuestionó a la comisaría sobre el coche de policía atacado y los otros tres prendieron a los jóvenes…
- El conductor tenía una expresión tan de paz, tan de calma – dijo el más menudo de los tres muchachos – No nos fue posible resistir.
- ¿Y la otra persona?
- No había nadie más. – Contestó el mayor muchacho y el otro habló: ¿Podemos volver allá y sacar una foto? Él tiene un son tan de paz…
La suave bruma que se fue surgiendo llenó la celda de sensación de tranquilidad y ahora se expande… Usted que está conmigo se siente en … ¿en paz? Entonces, duerma.


Ofereço como presente aos aniversariantes
Carla A. Weber, Paulo G.C. Pimenta, Rosilea Campos, Cristiane Faria, Karine Faria, Rochelli Anício, Sarah Lombello, Sergio Jimenez, Marcia Toledo, Isabella Rosa, Piria Geysi, Rafael Oliveira, Simone Soares, Denilson A. Cardoso, Breno E. Garcia, Rúbia Maroli, Luiz Poeta e Filipe Fernandes.

 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve e publica neste seu blog literário aRTISTA aRTEIRO todo domingo e colabora no Ad Substantiam às quintas-feiras.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. É, por segunda gestão, Secretário da ASSABI – Associação de Amigos da Biblioteca Pública Zumbi dos Palmares (Ipatinga MG). Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura)


Manuscrito en español en noche de 18 de marzo de 2017 y trabajado en las dos lenguas entre los días 15 de junio y 16 de julio del mismo año.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

PARA MIM, TUDO. PARA VOCÊ...

PARA MÍ, TODO. PARA TÚ...


Em português

Esperando no ponto de ônibus lia algumas páginas de “A Parasita Azul”, de Machado de Assis sob o friozinho do fim da manhã.
Guardei o livro e...
- Você é comunista?
-Eu? Não! Apesar de ser de esquerda não sou filiado a nenhum partido.
- Você tem cara de comunista... – Insiste a adolescente.
Penso no que estava trajando: boina marrom de crochê, livro e bolsa com materiais de professor, mais uma sandália marrom sobre as meias.
- Eu sou de esquerda. E você?
- Sou uma garota de direita.
- Você acha que alguns são melhores que outros?
- Não. Acho que todos são iguais.
- Por sermos iguais todos merecemos respeito e não uns mais que outros.
- Um deve respeitar o outro.
- Você me respeita... E eu a mim...
- ??
Um momento de confusão e:
- Ah! Entendi.
- Garota, esta é a visão de direita.


En español

Esperando en la parada de autobús leía un par de páginas en portugués del libro “A Parasita Azul”, de Machado de Assis bajo al frio del fin de la mañana.
Guardé el libro y…
- ¿Vos sos comunista?
- ¿Yo? ¡No! A pesar de ser un hombre de izquierda no estoy afiliado a ningún partido.
- Tenés cara de comunista… – Insiste la adolescente.
¿Cómo son mis ropas? Boina marrón de croché, libro en la mano y bolso cargado de materiales de maestro, más sandalias marrones y calcetines.
- Soy un hombre de izquierda. ¿Y tú?
- Soy una muchacha de derecha.
- Muchachita, ¿Piensas que hay tipos mejores que otros?
- No. Creo que todos son iguales.
- Porque somos iguales todos merecemos respeto y no unos más que otros.
- Un hay que respetar los otros.
- Tú me respeta… Y yo a mí…
- ¿?
Un ratito de confusión y:
- Ay, comprendo ahora.
- Esta es la visión de derecha.


Ofereço como presente aos aniversariantes
Rogéria Santos, Cinara Viana, Felix Llatas, Tenoryd K. Neppel, Ludmila Marks, Carmem Botelho, Otávio Zoroastro, Solange Maria, Bruno Mendes, Rosi Sabino, Otávio M. Silva e João F. Bomtempo.

 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve e publica neste seu blog literário aRTISTA aRTEIRO todo domingo e colabora no Ad Substantiam às quintas-feiras.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. É, por segunda gestão, Secretário da ASSABI – Associação de Amigos da Biblioteca Pública Zumbi dos Palmares (Ipatinga MG). Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura).

Recomendo a leitura de “Um Conto Onde Pessoas São Assassinadas”, de Sued; e “Mola Propulsora”, de Girvany.


Escrito na madrugada de 18 de maio de 2017.

domingo, 2 de julho de 2017

CARIRU – PARA DENTRO DE SI

EL PROPRIO INTERIOR


Listening music of church
Reading the Bible
Smoking the rock
Totally hallucinating.

Em português
Lido pelo autor no canal aRTISTA aRTEIRO, no youtube:

Debaixo da lua minguante, Lima e Coelho bebem umas cervejas no Avesso, bar muito bom no Cariru, Ipatinga. Lima é alguém que pensa para agir, e age. Coelho é alguém que não age nem pensa. Este recebeu o nome em homenagem a você sabe quem (não o do Harry Potter...) e aquele em homenagem ao Barreto. Agora, de quem são as homenagens, se são dos pais ou se são do autor isso é outra história que não vem ao caso.

- Ouvindo música de igreja / Lendo a Bíblia / Fumando pedra / Alucinando-se total.
- Hum! Ácido, não?! Pesado!
- Sabe. No livro O Cemitério dos Vivos, de Lima Barreto e publicado pela editora Planeta, Fábio Lucas diz “Lima Barreto partiu da reflexão sobre o alcoolismo para entender a loucura”.
- E o que tem isso?
- Parto da leitura da Bíblia para entender a alienação.
- Credo! Isso é blasfêmia.
- É... Dizer o que nos ensinam a não pensar é sempre mal visto e chamado de pecaminoso...
- Não é isso. É... É... – E rebate citando Feliciano, Bolsonaro, João Paulo II e outros mais. E Lima só ouvindo. Até que cansou e se foi para dentro de si.
Enquanto isso e longe dali, encostada a uma árvore feiamente podada, boca desdentada meio aberta, olhos fechados abertos para as lágrimas. A fome, as drogas, a violência, a solidão de cada um por si no mundo.


En español
Leído por el autor en el canal aRTISTA aRTEIRO, en youtube:

Bajo la luna menguante, Lima y Coelho toman tapas y beben cervezas en la bodega El Revés. Lima es un tipo que piensa para actuar, y actúa. Coelho es un tipo que no actúa ni piensa. El pasivo recibió este nombre porque a su madre le gusta Paulo, el falso escritor brasileño. Y el otro fue nombrado en honor a Barreto; pero, no se sabe si fuera el autor o si fueran los padres que lo nombró porque esto es otra historia…

- Oyendo música de iglesia / Leyendo la Biblia / Fumando piedra / Alucinándose total.
- ¡Caray! Es pesado eso.
- El libro brasileño “O Cemitério dos Vivos”, de Lima Barreto hay la palabra de una persona, creo que su nombre es Fábio Lucas, que haré una traducción libre según mi recuerdo: “Lima Barreto partió de la reflexión sobre el alcoholismo para comprender la locura.”
- ¿Qué tiene eso de importante?
- Parto de la lectura de la Biblia para comprender la alienación.
- ¡Caray! Eso es blasfemia.
- Decir que nos enseñan a no pensar es siempre mal visto y llamado de pecaminoso…
- No es eso. Es… Es… – Y contesta citando palabras de los políticos y religiosos más preconcebidos de Latinoamérica. Mientras eso, Lima solamente escucha hasta no soportar más y entrar en el propio interior.
Al mismo tiempo, pero en otro rincón, acostada a un árbol feamente podado, boca desdentada un poco abierta, ojos cerrados abiertos para las lágrimas. El hambre, las drogas, la violencia, la soledad de cada uno por si en el mundo.


Ofereço como presente aos aniversariantes
Beatriz Myrrha, Daniel R. Salgado, Joice Soares, Mayra F. Gonçalves, Alano A. Barrbosa, Garcia P. Teleka, Rita E. Rocha, Tairony Novais, Ronalla Kelly, Sueli M.B. Silva, Alysson Nascimento, Amosse Mucavele e Walace Silva.

Recomendo a leitura de “O Destruído”, de Sued; “Generolidade”, deste macróbio que vos fala; “Sussurros”, de Girvany; “Combativa”, de Jackeline Vasconcelos Valentim; e “O Povo Tem o Governo que Merece?”, de Javier Villanueva. Respectivamente nos endereços abaixo:

 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve e publica neste seu blog literário aRTISTA aRTEIRO todo domingo e colabora no Ad Substantiam às quintas-feiras.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. É, por segunda gestão, Secretário da ASSABI – Associação de Amigos da Biblioteca Pública Zumbi dos Palmares (Ipatinga MG). Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura).


Escrito no início da tarde de 22 de janeiro de 2017. E trabalhado entre os dias 15 de junho e 02 de julho do mesmo ano.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

BARRA ALEGRE – RESPIRAÇÃO, INSPIRAÇÃO, DESESPERAÇÃO


  
Leitura do cronto pelo autor em:

Esta história se passa na escola E.E. Caetana América Menezes, no Barra Alegre, bairro de Ipatinga, MG. Mas, antes, o dia amanheceu sombrio. E, durante, os sóbrios professores dão suas aulas. Alguns até tentam sorrir, mas... Bem, a história foi nesta escola, mas poderia ser em outra... Acontece em todas.
- Gente! Verbo é o que permite um diálogo, que ocorra a comunicação. Por exemplo, se digo “homem”, “casa”... E aí? São apenas palavras. Mas se digo, por exemplo, “O homem entrou na casa. O homem grita na casa. O homem fugirá da casa.” comuniquei algumas coisas; aconteceu uma conversa, um diálogo com vocês. Entenderam?
- Sim, professor. – Vozeio de quase metade da turma.
- Então, no primeiro e segundo parágrafos do texto Galinha ao Molho Pardo, de Fernando Sabino, tem quantos verbos?
“Tem 23, professor!”. Diz uma aluna e outro intervém: “Não, tem 13”. “Oceis tão tudo errado. É 18”, fala o terceiro estudante.
O professor abre a boca. E, após alguns segundos:
- Não, são oito os verbos. E desconsiderando os que se repetem, quais verbos estão no passado?
- É pra dizer quantos verbos tão no passado, professor?
- Não. Não quantos, mas quais são eles.
- Era... Tinha... Um... Quase... Gabiroba...
O professor abre a boca tentando respirar. E, após alguns segundos:
- Não, não. “Era” e “tinha” estão certos. Mas “um” é numeral. Já “gabiroba” é uma fruta. Se não a conhece é só prestar atenção no texto: “... um pé de gabiroba, um pé de goiaba branca”; quando se fala em pé de goiaba já dá para saber que goiaba é fruta. Da mesma forma, ao falar pé de gabiroba é possível entender que gabiroba é fruta. E “quase” é advérbio; não é verbo. Ou você fala “eu quaso, ele quase, nós quasemos”? Os advérbios têm ligações com verbos, mas não são verbos. Advérbio é palavra invariável que expressa uma circunstância do verbo ou a intensidade da qualidade dos adjetivos ou reforça outro advérbio e, em alguns casos, modifica substan...
- Vai tomar no cu!
Na sala, dois alunos ouvem o professor; três mexem no celular; os demais conversam entre si e, entre estes, o autor do palavreado acima no meio da explicação.
Um suspiro quase lacrimoso e:
- Os advérbios não são verbos. Eles expressam uma circunstância do verbo; ou a intensidade da qualidade dos adjetivos; ou reforçam outro advérbio; ou, em alguns casos, modificam os substantivos. Os advérbios podem ser de lugar, de tempo, de modo, de negação, de dúvida, de intensidade e de afirmação. “Quase” exprime uma intensidade. Vejam: “O quintal de nossa casa era grande, mas não tinha galinheiro, como quase toda casa de Belo Horizonte naquele tempo”. No referido trecho da memória literária que Fernando Sabino escreveu dá para perceber que “quase” tem o mesmo sentido de “praticamente”; ou seja, de um grau próximo ao máximo: “quase toda casa” pode ser dito “praticamente todas as casas”. O trecho que lemos fornece a ideia de que muitas casas tinham galinheiro; quero dizer, intensifica a ideia de quantidade de casas com galinheiro.
- Aaammm!
- Então, quais são os verbos?
- Usvérbu, fessor, é “galinha ao molho pardo”.
A boca não tenta se abrir porque não entra mais ar nos pulmões.


Ofereço como presente aos aniversariantes
Sérgio R.P. Brandao, Feliciana Saldanha, Ana C. Silva, Sá Meury, Maria C. Vitarelli, Wendel Rafael, Lavinia Lemos, Helio G.T. Melo, Emi E. Rodrigues, Pedro Soares, Hudson Dias, Claudia Turatti e Rodinea Martins.

Recomendo a leitura de “Alívio”, De Girvany; “A Língua e as Mudanças Segundo as Épocas”, de Javier Villanueva; e “Manhã Sob Goiabeiras”, deste que vos fala. Os textos se encontram, sequencialmente, nos endereços:

Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve e publica neste seu blog literário aRTISTA aRTEIRO todo domingo e colabora no Ad Substantiam às quintas-
feiras.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. É, por segunda gestão, Secretário da ASSABI – Associação de Amigos da Biblioteca Pública Zumbi dos Palmares (Ipatinga MG). Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura).

Escrito na noite 03 de agosto de 2016. Trabalhado depois disso em algum dia de janeiro e depois entre os dias 23 e 26 de junho de 2017.

domingo, 18 de junho de 2017

POEMA BILINGUE



Luís Gonzales
e Rubem Leite.


Raticida na escola
Alunos x professores, alunos x colegas
Nuvens no céu madrugal
E ainda assim nasce o sol.

Canta gallo y otros pájaros
En la vida no me bajo
Mientras no seamos barro
Somos hombres, seamos o no varo.

Ele estava cansado da família,
Enfastiado da namorada,
Ignorado na escola,
Desanimado pelo trabalho.
Ele estava abatido pela vida.
Sem hora para voltar
Para espairecer saiu de casa
Minutos depois estava de volta.

Mudar
Mudar!
Mudar?
Mudar...

Canta el gallo y otros pájaros.
De la vida no me bajo.
No nacimos autmóviles,
Apenas somos hombres
Seamos o no varones.


Ofereço como presente aos aniversariantes
Ton Xavier, Alexandre R. Lecko, Gianmarco F. Cerdan, Luiza Carreiro, Adriane Lima, Amnon K. Oliveira, Cosette Valjean, Lígia Schmidt, Elizabeth M. Reis, Wagney Machado, Raquel Marquesis, Maria Flor, André Q. Silva, Camila Giacometti, Tiago Neri, Rinaldo A. Gomes, Maria I. Lopes e Carolina Ferreira.


Escrito 19 de agosto de 2014 por mim e por Luís. Trabalhado por mim entre os dias 15 e 18 de junho de 2017.

domingo, 11 de junho de 2017

IDEAL – CHOVE, MAS NÃO REFRESCA


  
Leitura pelo autor:

O céu amanheceu nublado apesar do dia quente; e a incidência do sol sobre as nuvens enfeitaram o céu que prometia chuva, mas que não jurava refrescar. Foi assim o início do ano letivo de 20... E neste dia Elizabeth Farias e Elizabete Matias se conheceram na sala da turma 203 da E.E. Amaro Lanari Junior, no bairro Ideal. Gostaram das semelhanças sonoras nos nomes e chamavam uma a outra de Paroxítona Beth e Oxítona Beti.
A primeira morava na rua Orlando Silva, próxima à Igreja Santo Antônio e a outra, na rua Ari Barroso, próximo ao RIC (Recanto Ideal Clube). Após as aulas Beti ia à casa da amiga as segundas e quintas feiras estudar; e as terças e sexta, Beth ia à casa da amiga para estudarem. Quarta elas deixavam para ir ao shopping. Nas noites de sábado iam à igreja de Santo Antônio e de lá para alguma festa ou barzinho com amigos. Nas manhãs de domingos também iam à igreja e depois ao RIC.
Assim foi todo o segundo ano e no terceiro também. E quando concluíram o ensino médio, Paroxítona Beth cursou licenciatura e a Oxítona Beti, arquitetura.
Em um domingo no Feirarte, a dupla conheceu a Banda O Trio. Beth ficou com o guitarrista e Beti, com o vocalista. Beth não se saciava e ficou também com o baterista. E Beti nunca chegava lá, para desespero do noivo, que até sabia fazer e praticava tudo direitinho. Os dois da Beth não gostavam de partilhá-la e o da Beti, de gozar sozinho.
A sós (sem namorados e sem a outra saber) iam à igreja pedir ajuda a Santo Antônio, que olhava por elas e intervia.
O tempo continuou sem pausa e as duas grandes amigas concluíram seus cursos. Beth conseguiu trabalho na escola Amaro Lanari Junior e também novos namorados. As manhãs e tardes ela passava trabalhando e as noites, namorando. Solitária, Beti abriu seu escritório com dois amigos na Avenida Pedro Nolasco. A busca pela sobrevivência fizeram os sócios trabalhar dia e noite. Com tanto trabalho o tempo continuou sem pausas e as duas amigas quase não se viam e não percebiam a distância crescente.
Em janeiro, Beth viajou para Vila Velha e por acaso se encontrou com Beti. Ou seria por acaso se Santo Antônio não olhasse pelas duas e intervisse. E, tocando lá, O Trio. Rindo beberam, beberam, beberam e acabaram dormindo na areia da praia. Ao acordarem, tocaram-se e...
Hoje completa dois anos que elas moram na rua Luís Carlos Pena. O céu amanheceu nublado apesar do dia quente; e a incidência do sol sobre as nuvens enfeitaram o céu que prometia chuva, mas que não jurava refrescar a Paroxítona Beth saciando-se e a Oxítona Beti chegando lá.
As duas continuam indo aos fins de semana a igreja conversar com Santo Antônio, padrinho de ambas; ao RIC e festejando com os amigos. No resto da semana trabalham com a qualidade própria aos homoafetivos.


Ofereço como presente aos aniversariantes:
Auíri Tiago, Fabí Dolabela, Claudiane Dias, Mª Bernadeth W. Duarte, Pedro Claudino, Ariene Medina, Raphael Vidigal, Mª Lurdes F. Lopes, Anderson Oliveira, Marciliane E. Silva, Kaique Santos, Bruno Coelho e Marcela Gomes.

 Recomendo a leitura de “Passarinho”, de Xúnior Matraga; “Las Proezas del Vasco de las Carretillas”, de Javier Villanueva; e “Ilusão Perdida”, de Girvany. Respectivamente nos endereços abaixo:


Manuscrito no início da tarde de 28 de maio de 2017. E trabalhado entre os dias 03 e 11 de junho do mesmo ano.