domingo, 20 de maio de 2018

TODO MUNDO PARA O MUNDO



La melancolía era un estado muy difícil de aprehender, puesto que se nutría de otros estados y sentimientos más profundos.¹
  

Caminhos observados – Foto de Rubem Leite.

Rua Sabará
O poeta caminha
Observa.

Um louco drogado
Conversa alto
Com cidadão de bem.
Este ri.
Dois olham a cena
Riem.

O mundo não liga para nenhum deles.
O poeta caminha e observa.

Ao pé de uma escada
Uma mulher caída
O SAMU a socorre
Dois curiosos olham.
Na porta ao lado
Um homem tem seu cabelo cortado
E não sabe
Da mulher caída,
Dos curiosos
Do louco viciado
Dos risonhos.

O mundo não liga para nenhum deles.
O poeta caminha e observa.

No bar, ainda cedo
Prostitutas começam sua faina
Cervejas nos copos.
Na clínica de exames
Clientes e funcionários
Negociam
E não sabem
Das prostitutas
Dos clientes
Da mulher caída
Dos curiosos
Do louco viciado
Dos risonhos.

O mundo não liga para nenhum deles.
O poeta caminha e observa.
Ninguém o vê.


Ofereço como presente ao aniversariante Beto de Faria.

Recomendo a leitura de:
“Interminável Raciocínio”, de António MR Martins:
“Insetos da Noite”, deste macróbio que vos fala:
“Os Abismos que nos Separam”, de João Lucas Nery:

Daniel Cristino e Maura Gerbi. Que a dupla “prefeitável” Vá e Vença! Pois:
Verde que te quero verde
Verde e amarelo
Não o se vende pato amarelo
Não o coxinha batedor de panela.

¹ Ernesto Cobos cita Emil Cioran no texto Crónica de Um Hombre Invernal. Acesso: https://ernestocobos.blogspot.com.br/2018/05/munoz-alvarez-poeta-crepuscular.html

 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve e publica neste seu blog literário aRTISTA aRTEIRO todo domingo e ocasionalmente colabora no Ad Substantiam às quintas-feiras.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. E em breve também professor de História. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura).
Foto de Amnon Oliveira.

Inspirado quase no meio da manhã de 26 de janeiro de 2018; escrito quase no final da mesma manha. Trabalhado entre os dias 20 de abril e 20 de maio do mesmo ano.

domingo, 13 de maio de 2018

MAS ELE TEM OS LIVROS



PERO ÉL TIENE LOS LIBROS


Leitura do texto pelo autor no canal aRTISTA aRTEIRO no youtube:

Em Português:

Os ipês estão verdes, suas folhas ainda não caíram para suas flores saírem. Até chegar ao seu destino ele segue a avenida sorvendo tanto verde e senta no lugar de sempre. Sangue de Tinta, Águas Vivas Mortas e Tempo das Águas o acompanham. Olha para suas unhas pretas do carvão usado para assar batatas doces. E continua sentado; olhando as unhas, os ipês e os livros. Abre a boca do sono que perdera a noite sem motivo aparente. Contudo, seu coração sente a ausência dos que estão para ir embora e...
E um carrinho de supermercado cheio de papelões para com dois cachorros deitados em seu confortável desconforto. E divaga. Na rua Sabará um estacionamento poupou algumas árvores na fronteira do terreno com a calçada. 

As Árvores e o Muro – Foto de Florencia Mora (Zarza Mora).
Ipatinga pouco passou de meio século e nos últimos dez anos quatro prefeitos foram afastados. Complicando a vida do povo que elege quem sequer podia se candidatar; como a coisa de chapéu na cabeça, Bíblia no sovaco e estrelinhas em fundo azul onde deveria habitar um coração; mas se tivesse um jamais seria tartufo nem usaria estrelinhas em fundo azul...
- “Mochila nas costas. Sem pressa acenava para os carros. Chegar para quê?”. – Na sua cabeça ele ouve Girvany de Morais. Contudo, seus amigos presentes falam:
Os Livros e o Drinque – Foto do autor.
- “Às vezes, a pesada mão da morte / Apanha a rosa ainda em botão”¹. Cornelia Funke cita Monsterberg. – E isso o faz pensar.
Vinícius Siman lhe diz: “Um mineiro na praia é coisa que se louve, pois o mar fez-se verbo nas mãos dos poetas mineiros”².
E Amyra El Khalili não faz por menos e não se cala: “A América Latina vive hoje uma guerra intestina”³. Ai, que jeito lindo de dizer “merda” enquanto verdejam os ipês no Feirarte/Pq. Ipanema e as árvores não morrem para o muro do estacionamento cinza da rua Sabará, centro da cidade de cinquenta e quatro anos.
Hoje a Banda Gertrudes canta pouco roque nacional e muito roque estrangeiro no aniversário da cidade e oferece um brinde a seus seguidores no instagram.
Chegar para quê? Não para onde ou para quem, mas para que ir ou chegar. – Com esse pensamento recolhe os livros, bebe seu drinque e se vai sem perguntar a alguém; já que não há ninguém, para quê...


En español:

Los lapachos está verdes, sus hojas aún no cayeron para sus flores salieren. Hasta llegar a su destino él sigue la avenida sorbiendo tanto verde y si sienta en lo acostumbrado quisco. Sangre de Tinta, Aguas Vivas Muertas y Tiempo de las Aguas lo acompañan. Mira sus uñas negras de carbón usado para asar boniatos. Y continúa sentado; mirando las uñas, los lapachos y los libros. Abre la boca del sueño que perdiera anoche sin motivo aparente. Pero, su corazón siente la ausencia de los que están para irse y…
Y un carrito de supermercado cargado de papeles para. En el changuito hay dos perros acostados en su cómoda incomodidad. Y divaga. En la calle Sabará un aparcamiento no sacrificó unos árboles en la frontera del terreno con la vereda. 

El Árbol y la Tapia – Foto de Florencia Mora (Zarza Mora).
Ipatinga poco pasó de medio siglo y en la última década cuatro alcaides fueron alejados. Complicando la vida del pueblo que elije quien no podría candidatearse; como la cosa de sombrero en la cabeza, Biblia en el sobaco y estrellitas en cortina azul donde debería habitar un corazón; pero, si hubiera uno jamás sería tartufo ni usaría estrellitas en cortina azul…
“Mochila en las espaldas. Despacio hacía señas para los coches. ¿Llegar para qué?”. – En su cabeza él escucha Girvany de Morais. Pero, sus amigos presentes hablan: 

Los Libros y el Trago – Foto del autor.
- “A veces, la pesada mano de la muerte / Apaña el capullo de la rosa”¹. Cornelia Funke refiere a Monsterg. – Eso la hace pensar.
Vinícius Siman lo dijo: “Un minero* en la playa es cosa que si alaba, pues el mar se haz verbo en las manos de los poetas mineros”².
Y Amyra El Khalili deja la charla más rica al decir: “Latinoamérica vive hoy un guerra intestina”³. Ay, qué manera linda de decir “mierda” mientras verdean los lapachos en Feirarte/Pq. Ipanema y los árboles no si mueren para la tapia del aparcamiento gris de la calle Sabará, Centro de la ciudad de cincuenta y cuatro años.
Hoy la Banda Gertrudes canta poco rock brasileño y mucho rock extranjero en el cumpleaños de la ciudad mientras ofrece un regalito a sus seguidores en Instagram.
¿Llegar para qué? No para donde o para quien, pero para que ir o llegar. – Con ese pensamiento recurre los libros, bebe su aperitivo y se va sin preguntar a alguien; ya que no hay nadie, para qué…


Ofereço como presente ao aniversariante Robinson Ayres; e a todas as mães.

Recomendo a leitura de:
“Águas Vivas Mortas”, de Vinícius Siman. No próximo sábado – dia 19 de maio, 14:30h. – lançamento da obra no Salão do Livro do Vale do Aço.
“Imperecível”, de Flávia Frazão. Na próxima quarta-feira – dia 16 de maio, 19h. – Lançamento da obra no Salão do Livro do Vale do Aço.
“Schelling e Dante Versus Marx”, de Sued:
“Foi Loucura ou Aconteceu?”, deste macróbio que vos fala:
“Em Dia de Ramos”, de António MR Martins:

Daniel Cristino e Maura Gerbi. Que a “prefeitável” dupla Vá e Vença! Pois: Verde que te quero verde  /  Verde e amarelo  /  Não o se vende pato amarelo  /  Não coxinha batedora de panela.

¹ FUNKE, Cornelia. Sangue de Tinta. Trad. Sonali Bertuol. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. P. 81. Traducción libre al español.
² SIMAN, Vinícius. Águas Vivas Mortas. São Paulo: Clube dos Autores, 2018. P. 19 e 17. No próximo sábado – dia 19 de maio, 14:30h. – lançamento da obra no Salão do Livro do Vale do Aço. Traducción libre al español.
* Minero es como se habla de quien nace en la provincia (departamento) brasileña de Minas Gerais.
³ EL KHALILI, Amyra. Água e Petróleo, a mesma moeda. ZUNTI, Maria Lúcia Grossi (Org.). Tempo das Águas. Linhares: Projeto Águas do Rio Doce, 2008. P. 87. Traducción libre al español.

 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve e publica neste seu blog literário aRTISTA aRTEIRO todo domingo e ocasionalmente colabora no Ad Substantiam às quintas-feiras.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. E em breve também professor de História. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura).
Foto de Amnon Oliveira.

Manuscrito na tarde de 29 de abril de 2018; trabalhado entre os dias 01 e 13 de maio do mesmo ano.
Já em 13 de maio de 1888: Enquanto a elite latifundiária e escravocrata visava um rumo, a princesa Isabel, outro. “Seu pensamento liberal denunciava que o futuro seria permeado por mudanças” (COSTA, 2017. P. 88). Havia disputa entre a elite escravocrata e a elite industrial. A primeira era rural e a segunda, liberal. A Monarquia tinha que escolher de qual lado ficaria. Durante três anos a Princesa morou em Paris e lá suas ideias se fortaleceram e buscou arrecadar fundos para emancipar os escravos brasileiros. Contudo, não pense que foi por bondade que a Princesa se dedicou à Abolição. Havia interesses políticos e econômicos para isso. Os escravos não estavam preparados para a industrialização enquanto imigrantes estavam. (COSTA, Marcos. A História do Brasil para Quem tem Pressa. 2ª ed. Rio de Janeiro: Valentina, 2017. P. 88-91. Resumo de Rubem Leite.)

domingo, 6 de maio de 2018

DEUS X RELIGIÕES



Carta e Presente de Florência Mora, foto de Rubem Leite.

Leitura do poema pelo autor no canal aRTISTA aRTEIRO:

A astúcia daqueles que delegam a Deus ou Buda a responsabilidade pela expiação do próprio pecado (por exemplo, o sacrífico de Jesus na Cruz), e vivem de forma irresponsável, sem se importarem em praticar más ações.¹

Mais uma batalha no céu
Orixás e santos europeus
Nenhum a mando de Deus

Pela Virgem de Nazaré
Ferido em batalha
É socorrido Oxumaré

Maria está pelos de lá
Como são entre si
Buda, Cristo e Alá

Mudam-se os nomes
Não muda o que são
Um só Pai dos homens


Ofereço como presente aos aniversariantes:
Lumma Siqueira, Pablo Cardoso, Janete Reis, Newton Leite, Diogo Henrix, André Kondo, Nádia Soares, Bel Aquino, Carlos Aldair, Rejane Balmant, Lucas Marques, Egdiandra N.T. Tchitumba, Nancy N. Maestri, Lizandra Mª Melo e Camila Mendonça.

Recomendo a leitura de:
“Imperecível”, de Flávia Frazão. Lançamento no dia 16 de maio, 19h, no Salão do Livro do Vale do Aço.
 “Águas Vivas Mortas, de Vinícius Siman. Lançamento no dia 19 de maio, 14:30h, no Salão do Livro do Vale do Aço.
“1º de Maio: as velhas e as novas disputas (especial dia do trabalho)”, de Sued: https://ad-substantiam.blogspot.com.br/2018/05/1-de-maio-as-velhas-e-as-novas-disputas.html
“No Silêncio da Prosa”, de Bispo Filho: http://bispofilho.blogspot.com.br/2018/04/no-silencio-da-prosa.html

Daniel Cristino e Maura Gerbi. Que a dupla “prefeitável” Vá e Vença!

¹ TANIGUCHI, Masaharu. Pensamentos de Sabedoria. São Paulo: Seicho-No-Ie do Brasil, 2013. P. 22.

 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve e publica neste seu blog literário aRTISTA aRTEIRO todo domingo e colabora no Ad Substantiam às quintas-feiras.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. E em breve também professor de História. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura).
Foto de Amnon Oliveira.

Partido de um sonho que tive na madrugada de 06 de novembro de 2017; em 2018, trabalhado no dia 13 de janeiro e depois entre os dias 20 de abril e 06 de maio.

domingo, 29 de abril de 2018

ONDE ESTOU


  
Parabéns, Ipatinga, pelos seus 54 anos.

quero ver as fases da lua
& as fases de ver
viver & varrer co’água fria
meus dissabores¹

Tristeza suave
Quase não aperta
Ocupa espaço
Umedece
Uma e outra vez
Umedece
Dá laço
Quase ninguém desperta
Ao canto d’ave
Uma e outra vez
Deita-se ao dia
Ar se vai
Olhos se abrem
Coragem se evadia
Uma e outra vez
Meia-noite ou às três
Vai-se o sono
Mente sem dono
Busca-se nos livros

Uma e outra vez


Ofereço como presente aos aniversariantes:
Vera L. Buzo, Tatiane Melo, Phelipe Moraes, Ju Ferraz, Renatho Portinelly, Elizangela Batista, Renato Oliveira, Luis J. Rodriguez, Tersio Greguol, Fernanda Viegas, Neia Teixeira, Ana Mª Andrade, Deusdeth Jr. Amorim, Fernando Viana, Cristianne de Sá, Patrícia P. Cruz, Cássio Juliano, Mariana Porto, Carol Galdino, Mª Monteiro Guimarães e Tatiane Pereira.

Recomendo a leitura de:
“Águas vivas mortas”, de Vinícius Siman. A ser lançado no Salão do Livro do Vale do Aço, 19 de maio de 2018;
“Das Vantagens de Ser Homem ou a aranha e a libélula”, deste macróbio que vos fala:
“Partículas da Vida”, de António MR Martins:

¹ SIMAN, Vinícius. Prece com pressa. Águas vivas mortas. São Paulo: Clube de Autores, 2018. P. 46.

 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve e publica neste seu blog literário aRTISTA aRTEIRO todo domingo e colabora no Ad Substantiam às quintas-feiras.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. E em breve também professor de História. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura).
Foto de Amnon Oliveira.

Escrito na madrugada de 20 de janeiro de 2018; trabalhado entre os dias 23 e 29 de abril do mesmo ano.

domingo, 22 de abril de 2018

O SILÊNCIO DA PALAVRA



EL SILENCIO DE LAS PALABRAS

Dia Vermelho. Foto de Rubem Leite.

Orides Fontela nasceu em 21 de abril de 1940, deixou inúmeros canteiros verbais e se foi em novembro de 1998. Onde quer que esteja, feliz aniversário, jardineira das ideias.
Em abril de 2018, dia 19 é dia para pedir perdão aos silvícolas do Brasil. 21, para pensar na exortação de Joaquim José da Silva Xavier: “Se todos quiséssemos faríamos deste país uma grande nação”. E 22, quinhentos e dezoito anos de invasão ao território que chamamos hoje de Brasil; e que, apesar de tudo e todos, amo muito.

Em português:

Se o senhor quer paz no Oriente Médio, tem um bom remédio: pare de vender armas. Está em uma ótima posição para fazê-lo.¹

Primeiro, desânimo
O vapor da chuva sobe
Comedida nuvem.

Palavras vencem silêncio:
Dizem e não o que quero
Silêncio vence palavras:
O que sou é indizível.

Palavras, o silêncio as derrota e não
Silêncio, a palavra o derrota e não.



En español:

Se usted quiere paz en el Oriente Medio, hay una perfecta medicina: no venda más armas. Tiene excelente posición para hacerlo.¹

Primer, desánimo
Vapor de la lluvia sobe
Comedida nube.

Palabras vencen silencio:
Dicen y no lo que quiero
Silencio vence palabras:
Qué soy es indecible.

Palabras, el silencio las derrota y no
Silencio, la palabra lo derrota y no.


Ofereço como presente aos aniversariantes:
Girvany de Morais, Bispo Filho, Meirilene Oliveira, Kênia Nicácio, Yuri G. Rodrigues, Andrew A. Vessam, Sebastiana Silva, Daniel Bastos, André Graciano, Jackie Silva, Ana L. Guimaraes, Luzineth F. Alves e Jorge Horta.

Recomendo a leitura de:
“O que o BBB e o STF têm em comum?”, de Josué da Silva Brito:
“Muçulmanos, Judeus e Cristãos na santa paz”, de Javier Villanueva:
“Águas Vivas Mortas”, de Vinícius Siman. Lançamento 19 de maio, no Salão do Livro do Vale do Aço.

¹ MATIAS, Marisa.  Eurodeputada portuguesa chama Macron de ‘Pequeno Napoleão’ por causa de ataque à Síria. Disponível http://operamundi.uol.com.br/conteudo/geral/49234/eurodeputada+portuguesa+chama+macron+de+pequeno+napoleao+por+causa+de+ataque+a+siria+veja+video.shtml . Acesso 20 Abr 2018. Traducción libre al español.

 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve e publica neste seu blog literário aRTISTA aRTEIRO todo domingo e colabora no Ad Substantiam às quintas-feiras.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. E em breve também professor de História. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura).
Foto de Amnon Oliveira.

Trabalhado em 02 de janeiro e depois entre 17 e 22 de abril de 2018.

domingo, 15 de abril de 2018

PESSOAS E CIDADE



PERSONAS Y CIUDAD


Deixa que os não poetas falem de tua beleza,
esses nunca compreenderão o que há de ti em sombra,
de sementes germinando, de vozes de cavernas¹.
  

Os Três Poetas – Foto tirada por Vinícius Siman.

Em português

No Feirarte, agora no Parque Ipanema, está um quarentão de camisa amarela e listas brancas, um trintão de camisa xadrez branco e vermelho, mais um vintezinho de camisa verde com gorila espantado estampado. Os três de calças jeans. Todos bebem cerveja. No palco “Os Democratas” tocam e cantam roque.
“Eita mulher gostosa.” O trio olha as mulheres e fala e fala delas. Girvany² observa as pessoas e pensa.
“Político é tudo ladrão.” O trio fala e fala da política de longe. Siman³ observa a cidade e pensa.
“Cruzeiro é o melhor...” O mesmo trio fala e fala de futebol. Há quem olha a cidade, as pessoas e pensa nos Galos tecendo manhãs.
Saem Os Democratas. E tempos depois entra o “Arena Music” tocando e cantando MPB. Sai também o trio. Contudo, os poetas continuam a pensar, observar, pensar, observar, pensar, observar, pensar, observar, pensar enquanto crianças escorregam pelo barranco e voltam aos seus prazeres escorregadios; e voltam, voltam e voltam.
Crianças escorregam, poetas observam. Crianças se divertem, poetas pensam. Crianças, gente, poetas, vida.


En español:

En el Feirarte, ahora en el Parque Ipanema, beben cerveza un cuarentón de camisa amarilla y listas blancas, un treintón de camisa ajedrez blanco con rojo, más un veintecito de camisa verde con un gorila espantando estampado. Los tres llevan vaquero. En el escenario “Os Democratas” tocan y cantan rock.
“¡Caray! Miren que mujer más rica.” El trío no quita ojos de las mujeres y de ellas platica y platica. Girvany² observa las personas y piensa.
“Políticos son todos ladrones.” El trío charla y charla de la política lejana. Siman³ observa la ciudad y piensa.
“Cruzeiro es mejor…” El trío charla y platica de fútbol. Hay quien no pierde de vista la ciudad, el pueblo y piensan en los Gallos tejiendo mañanas.
Salen Os Democratas y tras un rato entra el “Arena Music” tocando y cantando músicas populares de Brasil. Sale también el trio. Sin embargo, los poetas continúan a pensar, observar, pensar, observar, pensar, observar, pensar mientras los niños deslizan por el barranco y vuelven a sus placeres deslizantes; y vuelven, vuelven y vuelven.
Niños deslizan, poetas observan. Niños se divierten, poetas piensan. Niños, gente, poetas, vida.


Ofereço como presente aos aniversariantes:
Valdete Val, Michael Cobain, Isabella Ribeiro, Antonio Carlos, Osmar Solza, Ayoub Amrani, Vinicius Souza, Alessandro Lages, Scida Souza, Maxwel Lopes, Joana Sousa, Luzia Di Resende, Fernando Marinho e Beatriz Sousa.

Recomendo a leitura de:
A Besta Essência”, de Joe Arthuso. A obra é uma luta que se explode através de palavras. Contudo, promove alguns sorrisos ao nos fazer ver a respiração da poesia. Lançamento no dia 21 de abril (sábado) às 21 horas no Espaço Cultural Casa, Rua Dom Maciel, 486 Bom Retiro, Ipatinga MG.
Recomendo ainda a leitura de:
“Por que discutir e estudar gênero?”, de João Lucas Nery:

Justicia para MATIAS GALINDEZ, artista callejero, asesinado en Ji-Paraná (Brasil) por THIAGO FERNANDES. 08 de abril de 2017. Un año de impunidad.

Diquinha de português:
O “a”, como artigo, é uma palavra variável em gênero e número que, posta antes de um substantivo, o determina; como preposição, o a é uma palavra invariável que liga dois termos de uma frase e mostra a dependência existente entre ambos. Exemplo: A neta foi a casa do avô. No primeiro a, temos um artigo definido; no segundo, uma preposição.
Vejamos agora como é fácil e simples distinguir “a” artigo, pronome e preposição:
Para identificar a classe gramatical de uma palavra, tente o passo-a-passo abaixo:
ARTIGO
- O artigo pode ser retirado do contexto, sem alteração no sentido da frase;
- Aponta um substantivo claro, vindo sempre antes dele;
- Quando for definido (o, a, os, as), pode ser substituído por um indefinido (um, uma, uns, umas), e vice-versa.
Exemplos:
Abomino a retórica politicamente correta. Acho interessante sair com uma saia curta.
- podem ser retirados sem prejudicar o sentido da frase;
- apontam substantivos (“retórica”, “vestido”);
- o primeiro pode ser substituído por “uma” (“abomino uma retórica”); e o segundo por “a” (“sair com a saia curta”).
PRONOME
- O pronome pode ser referido a alguma pessoa do discurso no contexto;
- Pode também substituir uma pessoa do discurso no contexto;
- Quando ocorre de “um(s)” ser pronome, “um” não apontará nenhum substantivo, pois ele estará oculto.
Exemplos:
Você a viu andando por aí?
- refere-se a “ela” (a alguém, mesmo que não determinado pelo contexto);
- poderia ser substituída por “ela” (“Você viu ela andando por aí?”). Observação: Os verbos “mandar, deixar, ver, fazer, ouvir, sentir, restar, bastar e falar” quando acompanhados de outros verbos no infinitivo exigem pronomes oblíquos; o que não é o caso deste exemplo (o verbo “andar” está no gerúndio).
Muitos alunos estão de recuperação. Uns, por falta; outros, por nota baixa.
- refere-se a “eles” (“os estudantes/alunos”);
- não aponta nenhum substantivo à frente, pois ele está oculto (“Uns alunos por falta [...]”). Observação: “uns” trata-se, aí, de um pronome indefinido.
PREPOSIÇÃO
- A preposição não pode ser retirada do contexto, pois deixa o sentido da frase estranho;
- Não podem substituir ou se referir a alguma pessoa do discurso.
- Em geral, a preposição “a” pode ser substituída por “para”.
Exemplo: Geralmente, alunos de medicina gostam de ir a festas.
- se retirada, o sentido fica estranho;
- não se refere a nenhuma pessoa do discurso: 1ª (eu, nós); 2ª (tu, vós); 3ª (ele, ela, eles, elas).
- pode ser substituída por “para” (“[...] gostam de ir para festas”).
CIBERDÚVIDA DA LÍNGUA PORTUGUESA. O “a” como artigo ou preposição. Disponível https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/o-a-como-artigo-ou-preposicao/4317 . Acesso 12 Abr 2018.
MENGER, Jonathan. Decodificando a gramática: diferenças entre artigo, pronome e preposição. Disponível https://www.recantodasletras.com.br/gramatica/6083734 . Acesso 12 Abr 2018.

¹ MELO NETO, João Cabral de. Junto a Ti Esquecerei. Poesia Completa e Prosa. 2ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2007. P. 05.
² Girvany de Morais é poeta e autor de micro contos; residente em Açucena (Minas Gerais, Brasil). Segundo suas palavras: O escritor e poeta engajado é testemunha ocular de seu tempo. Arte, para mim, é engajamento; fruição é para o burguês. Gosto da literatura que dá soco no estômago, não alívio.
    Girvany de Morais es poeta y autor de micro cuentos; residente en Açucena (Se le Azucena; Minas Gerais, Brasil). Segundo sus palabras: El escritor y poeta comprometido es testigo ocular de su tiempo. Arte, para mí, es compromiso; fruición es para burgués. Me encanta la literatura que pega el estómago, no alivio.
³ Vinícius Siman é, segundo suas palavras, por ofício filósofo, poeta, crítico literário, dramaturgo e diretor; mas por natureza é lindo, gentil, legal e mentiroso. Ele vive em Ipatinga (Minas Gerais, Brasil).
    Vinícius Siman es, según sus palabras, por oficio filósofo, poeta, crítico literario, dramaturgo y director; pero, por naturaleza, es guapo, gentil, bueno y mentiroso. Él vive en Ipatinga (Minas Gerais, Brasil).

 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve e publica neste seu blog literário aRTISTA aRTEIRO todo domingo e colabora no Ad Substantiam às quintas-feiras.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. E em breve também professor de História. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura).
Foto de Amnon Oliveira.

Manuscrito na tarde de 17 de dezembro de 2017; trabalhado pela primeira vez em 29 dos mesmos mês e ano. Depois entre os dias 10 e 15 de abril de 2018.