domingo, 15 de julho de 2018

LIBÉLULAS DA CIDADE



LIBÉLULAS DE LA CIUDAD


Em português


Libélulas voam
Acima das árvores
Surfando ao vento

arbóreas
surfam
vento
libélulas
sobre
copas

Libélulas alheias à cidade
Abstém ao voto deixando-a
Para quaisquer. Porém são insetos...
Mas e o homem, se pensar tem capacidade?


En español
  


Libélula vuelan
Arriba de los árboles
Surfeando en el viento.

arbóreas
surfean
viento
libélulas
sobre
copas

Libélulas ajenas a la ciudad
Abstienen al voto dejándola
A cualquiera. Pero, son insectos…
¿Y el hombre, si pensar tiene capacidad?


Ofereço como presente aos aniversariantes:
João F.B. Araújo, Carla A. Weber, Pablo P. Figueroa, Hugo Menezes e Sarah Lombello.

Recomendo a leitura de:
“Part-idas”, de Gely Fantini. São Paulo: Clube dos Autores, 2018. Para aquisição: gelyfantini@gmail.com
“O papel socioeconômico da mulher negra escrava no Brasil Colônia”, parte 2; de João L. Nery e Ana C.O.S. Lima:
“Invocação”, de Bispo Filho:

 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve e publica neste seu blog literário aRTISTA aRTEIRO todo domingo e colabora no Ad Substantiam às quintas-feiras.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. E em breve também professor de História. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura).
Imagens:
Urucum – fotos do autor. Parque Ipanema.
Apontamentos 01 – Espaço de Convívio (Híbridus).

Escrito em 12 e 14 de abril de 2018. Trabalhado entre os dias 13 e 15 de julho do mesmo ano.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

MATERNIDADE


MATERNIDAD



Em português

Ainda escuro me levanto
Ao banheiro e beber água
Um fraco, bem longe pranto

Quatro caninos filhotes
Sol surge mais uma vez
Vida continua em motes

Meus cachorrinhos, os machos,
Não estão nem aí
Dormem, despacham diachos

Florbela, atenta e curiosa
Olha crias da Biblioteca
Paz da mãe laboriosa

Passam dias e semanas
A curiosa amamenta com a laboriosa
Pelo leite são mames e manas


En español

Aún oscuro me levanto
Al baño y beber agua
Un débil, muy lejos llanto

Cuatro caninos cachorros
Sol surge más una vez
Vida continúa en motes

A mis perritos, los machos,
No les importa un huevo
Duermen, despachan mamarrachos

Florbela, atenta y curiosa
Mira crías de la Biblioteca
Paz de madre laboriosa

Pasan días y semanas
La curiosa amamanta con la laboriosa
Por la leche son madres-hermanas


Recomendo a leitura de:
“O Papel Socioeconômico da mulher Negra Escrava no Brasil Colônia” – 1ª parte, de Ana C.O.S. Lima e João Lucas Nery:
“Joana Princesa”, de Janaína Leslão. Rio de Janeiro: Metanoia, 2016. metanoia@metanoiaeditora.com.br

 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve e publica neste seu blog literário aRTISTA aRTEIRO todo domingo e colabora no Ad Substantiam às quintas-feiras.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. E em breve também professor de História. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura).
Imagens:
Parto – Foto do autor tirada na manhã de 29 de março de 2018.
Apontamentos 01 – Espaço de Convívio (Híbridus).

Escrito na manhã de 30 de março de 2018; os filhotes nasceram no dia anterior. Trabalhado entre os dias 05 e 09 de junho do mesmo ano.

domingo, 1 de julho de 2018

TAÚBAS – ACASOS



Taúbas. Ponto periférico de Ipatinga. Ruas empoeiradas, raros ônibus, cheiro de chiqueiro. Forró do Badé, que de um lugar mudou-se para outro. Descemos do ônibus, paramos em um boteco, pedimos uma cerveja. Dna. Maria nos traz.
Seu Zé – alguém que nunca tínhamos visto – puxa conversa. Senhor simpático. E nos três minutos antes de ir embora ficamos sabendo que morou dezoito anos em Portugal. Lá deixou de fumar, mas não parara com a cerveja. Ele me diz: “Leite fresquinho e queijo novo eu tenho para servir em casa. É na última porteira. Vá lá.”.
- “Time sem vergonha!” – Canta a torcida do Galo pela derrota diante do Caldense.
Dna. Maria comemora. Ela não está só. Eu estou. E não me sinto bem; não por estar só, mas pelo alguém que me acompanha.
Deixo a companhia no boteco e passeio pela rua. Extensa única rua do bairro. Um córrego a corta debaixo de uma ponte travestida de estrada.
Na margem direita de quem sobe, dois bancos. Um de madeira e outro de cimento. Sento. Olho o riacho, sinto seu cheiro. Vejo uma figueira; apoio-me nela. Subo, sento, fecho os olhos e vejo um poema. Desço, sento no banco de cimento, olho as águas e escrevo o que vi.
Corre o rio no seu murmúrio
Não há vento balançando as árvores
Gostamos de quem faz o que gostamos
Acho que isso não é amar
Murmúrio do rio
Moto passando
Tempo passando
Árvore não balança com o vento
Murmúrio do rio
Água passando
E eu aqui...
A companhia me encontra, interrompe e vamos ao casamento que me trouxe.
Entram crianças, padrinhos, noivo e sua mãe, crianças, noiva e seu pai. As crianças sentam nas bordas do tapete vermelho condutor dos nubentes ao pastor.
- O casamento é duradouro. Duradouro é o que dura. – Meu Deus, que profundo... E de quais profundezas veio isso e isto: Casamento é quando o varão deixa seus pais e se junta a mulher. E só entre eles há casamento. Nunca entre ele com ele ou ela com ela...
Melhor é pensar em Cajuína, de Caetano Veloso, ou no Feirarte ou na bateria de Cláudio Castro.
Quem casa quer casa, mas não quero só caso e nem por isso caso. Nem com quem me acompanha, pois há quem casa, há quem faça casos e há casos.


Ofereço como presente aos aniversariantes Edgar Soares e Rita E.M. Rocha.

Recomendo a leitura de:
“Isso não te faz mal? Mal é o que me fazem!”, deste macróbio que vos fala:
“Um Oriental Chinelar”, de António MR Martins:
“Irma del Águila”, de Gianmarco Farfán Cerdán:

 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve e publica neste seu blog literário aRTISTA aRTEIRO todo domingo e colabora no Ad Substantiam às quintas-feiras.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. E em breve também professor de História. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura).
Foto: Apontamentos 01 – Espaço de Convívio (Híbridus).

Manuscrito em 10 de fevereiro de 2018; trabalhado entre os dias 30 de abril e 01º de julho do mesmo ano.

domingo, 24 de junho de 2018

CRICRIANANÇAÇA


Feliz aniversário, Língua Portuguesa (27/6/1214).
Parabéns pelos seus 804 aninhos de vida, sua linda!

A: USA enjaula
B: Cri cri cri
A: Brasil assassina
B: An na an
A: Cuba escolariza
B: Çaçaçá

A:
Mas minhas
Lágrimas presas
Angústia viva
Vida mostra presas
Eu a deriva

Quando
C:
A liberdade
Bateu a porta
Do poeta
Ele abriu
Ela entrou
Bebeu café
Do poeta
Saiu a bater
Outras portas
Os teimosos abriram
Os outros não.


Descanse em paz, Ipatinga! Que Deus tenha piedade de sua alma. Cavou a própria sepultura escolhendo o 15; agora deite.

Ofereço como presente à aniversariante Feliciana Saldanha.

Recomendo a leitura de:
“Veredas”, de Girvany de Morais:
“Não Deveria”, deste macróbio que vos fala:

Imagem das bandeiras:
https://avplp2014.files.wordpress.com/2014/12/bandeiras-dos-pac3adses-de-lc3adngua-portuguesa3.jpg

 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve e publica neste seu blog literário aRTISTA aRTEIRO todo domingo e colabora no Ad Substantiam às quintas-feiras.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. E em breve também professor de História. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura).
Foto: Apontamentos 01 – Espaço de Convívio (Híbridus).

Manuscrito em 21 de janeiro de 2018, inspirado em um poema de Girvany de Morais. Digitado em 24 de março e trabalhado entre os dias 21 e 24 de junho do mesmo ano. 

domingo, 17 de junho de 2018

A LÁGRIMA DO SANTO



LA LÁGRIMA DEL SANTO


Descanse em paz, Ipatinga!
Que Deus tenha piedade de sua alma.

Em português:

Leitura do texto postado no canal aRTISTA aRTEIRO:

O beijo no amado. Foto do autor.

Primeiro, debaixo do calor de dezembro de 2017, mesmo menos forte que nos dois anos anteriores, sua cabeça se esquentou e depois o leve frio de junho de 2018 não a refrescou.
Atormentado pelo Governo do Estado não pagar o décimo terceiro e por atrasar cada vez mais seu salário. Este professor vê nos seus colegas o mesmo tormento; mesmo que variando um pouco:
As contas de energia pagas com atraso. A conta de água não paga do mês passado recebe a visita de sua irmã deste mês. A falta de fundos devolvendo cheques. Por dia, dois ou três telefonemas gravados da operadora telefônica até que parou de recebê-las... O gás quase no fim. O remédio quase acabando. O último pacote de feijão aberto. O açúcar quase não tem mais, o pó de café só dá para amanhã e o leite já acabou. A máquina de lavar que estragou.
Abre sua página no Caralivro e se depara com um vídeo postado pela professora Janete Reis, sua amiga: “Os funcionários da segurança pública recebem na frente dos professores porque o dinheiro é pouco e governar é fazer escolhas. – Explica o Governador Fernando Pimentel, do Partido dos Traidores. – Existem funções públicas que são mais urgentes e prementes que outras. E este não é o caso dos docentes. Por isso se renumera a polícia de forma diferenciada, mas não aos educadores.”.
Depois dessa o coração encolhe. O professor senta em sua cama sentindo a lágrima, mas esta não cai; está lá, mas não tem força para sair. Olha para seus livros e um vai até ele. Beija sua capa, faz carinho em suas páginas e se consola um pouco com o amigo. Deita e dorme.
No dia seguinte lava a caneca onde tomou café com leite e vai à escola trabalhar.
Pela janela rachada se vê o oiti e a castanheira. Ainda bem que não está calor. – Pensa. – Estes ventiladores estragados...
- Para descobrir a sílaba tônica de uma palavra existem alguns macetes. O que mais uso é falar sílaba por sílaba, pondo a intensidade em cada uma. Por exemplo: Coronel. CÓronel; não, não é assim que se fala. CoRÓnel; não, também não é assim. CoroNÉL; sim, este é o som; é assim que se fala. Portanto é uma palavra oxítona. Lembram o que é oxítona? – Perguntou e ninguém respondeu. Só dois alunos lhe ouviam. – Gente! O que é oxítona?
- É quando a última sílaba é a mais forte. – Responde a aluna que escutava.
- Exato! Outro macete para descobrir a tonicidade é falar como se tivesse chamando. Por exemplo, quando se chama alguém, o Marcelo e a Maria, por exemplo. A gente fala assim: Marceeelo! Mariiia! Prolongando a sílaba que é mais forte. Para saber a sílaba tônica de cadeira, cachorro, coronel pode se falar assim: cadeeeira, cachooorro, coroneeel.
O professor olha para a turma a conversar e continua com o coração ainda encolhido.
- Na língua portuguesa só existe a possibilidade de ter sílaba forte na última, ou na penúltima ou na antepenúltima sílaba. Nunca nas que vêm antes, se a palavra tiver quatro ou mais sílabas. Abóbora, por exemplo. Poderia ter tonicidade na última: -ra, na penúltima: o segundo -bo ou, como é o caso, na antepenúltima: o primeiro -bo; mas jamais na primeira das quatro sílabas: -a. – Suspira olhando a turma alienada e volta a ensinar. – Uma palavra que as pessoas costumam errar a pronúncia é heterossexual, que tem seis sílabas. Tem gente que fala pondo força na primeira sílaba. Mas como acabei de dizer, só em uma das últimas três que se pode falar com força, ou seja, em sexual. Vamos falar esta palavra como se a tivéssemos chamando? Sexuaaaal! Ou seja, sexual e, consequentemente, heterossexual são palavras oxítonas.
- Professor! – Intervém o aluno que ouve. – Mas quando o senhor falou heterossexual, “té”, a segunda sílaba, também ficou forte. Afinal, esta palavra tem uma ou duas sílabas fortes? Mas pelo que entendi só pode ter uma em nossa língua.
Finalmente um sorriso. Leve, quase invisível, mas conseguiu.
- Boa observação. É um fenômeno chamado de subtônica. Ela acontece em palavras derivadas. Lembra o que é palavra derivada?
- É quando ela vem de outra. De pedra se derivam pedrinha, pedreiro, pedrada... – Ele responde e a aluna completa: E tem também a palavra primitiva, que é aquela das quais outras se originam; a pedra que ele falou, professor. Ou café, que formará cafezal e outras.
- Isso mesmo. Parabéns aos dois. É uma satisfação encontrar alunos assim. Então as subtônicas acontecem em palavras derivadas ou quando duas palavras se juntam para formar uma terceira. Exemplo: bebezinho. Se prestar bastante atenção percebe que o segundo “-be” também é forte. Por quê? Porque a palavra primitiva “bebê” é oxítona. E quando se fala bebezinho ouvem-se duas sílabas fortes. Mas prestem atenção em qual é a mais forte. Nós falamos “beBÊzinho” ou “bebeZInho”? Bebeziiinho! Viram? A verdadeira sílaba tônica é a penúltima. Agora vamos voltar à palavra “heterossexual”; tem como subtônica “-té”, o que é curioso porque “hétero” é proparoxítona e... – O sinal toca para o recreio e a turma sai desembestada; ficando só os dois alunos. Então fala somente o essencial para eles também poderem sair. – Heterossexual tem subtônica “-té” e tônica “-al”. Assim, é uma palavra oxítona.
Na sala dos professores algumas risadas. Provavelmente para não chorarem. E o solzinho está agradável neste dia de Santo Antônio que nos observa doce com seus olhos molhados. Ninguém comenta a Copa que começa hoje em um dos países mais homofóbicos do planeta. Ninguém comenta os ataques ininterruptos à Síria nem nas sequelas do Golpe de 2016.


En español:

Lectura del texto publicado en el canal aRTISTA aRTEIRO (minuto: ):
  

Cariño al amado. Foto del autor.

Primero, bajo al calor de diciembre de 2017, mismo menos fuerte que en los años anteriores, su cabeza se calentó y después el leve frio de junio de 2018 no la refrescó.
Atormentando por lo Gobierno de la Provincia no pagar el abono salarial y por retrasar cada vez más el salario. Este profesor ve en sus pares el mismo tormento; mismo que variando un poco:
Las cuentas de energía pagas con retraso. La cuenta de agua no paga del mes pasado recibe la visita de su hermana de este mes. La falta de fondo devuelve los cheques. Por día, dos o tres llamadas grabadas de la operadora telefónica hasta que paró de recibirlas… el gas casi al fin. La medicina casi acabando. El último paquete de poroto abierto. El azúcar casi no tiene más, el polvo de café es suficiente solo para mañana y la leche ya acabó. La lavarropas se rompió.
Va a su pared de Caralibro y se depara con un video publicado por la profesora Janete Reis, su amiga: “Todos que trabajan en la seguridad pública reciben antes de los profesores porque el dinero es poco y gobernar es elegir prioridades. – Explica el Gobernador del Departamento. – Hay funciones públicas que son más urgentes y apremiantes que otras. Y este no es el caso de los docentes. Por eso, se renumera la policía de manera diferenciada, pero no a los educadores.”.
Después de eso el corazón encoge. El profesor se sienta en su cama sintiendo la lágrima, pero ella no cae; está allá, pero no tiene fuerza para salir. Mira sus libros y uno va hacia él. Besa su portada, hace un cariño en sus páginas y se consuela un poco con el amigo. Se acuesta y duerme.
En la mañana siguiente encuentra un billete dejado por su amigo hospedado hace varios meses: “¡Profe! Beo que está en un aprieto y tengo pena de usted. Para le ayudar me boy a salir de su casa y así tendrá menos gastos.”. Su pensamiento es obvio, creo. “¿Me abandona? ¿Me deja solo, es? ¡Es! No me ayudará a resolver el problema.” Hablan que es por causa de su signo, pero como nada comprende del zodíaco y sintiéndome al mismo tiempo irónico, amargo y con cansancio solamente escribe en la hoja: ¡Gracias!
Lava la taza donde bebió café con leche y se va a escuela trabajar.
Por la ventana hendida mira dos bellos árboles. – Gracias que no está haciendo calor. – Piensa. – Estes ventiladores rotos…
- Para descubrir la sílaba tónica de una palabra existen algunos trucos. Me gusta más decir sílaba por silaba, poniendo la intensidad en cada una. Ejemplo: Coronel. CÓronel; no, no es así que se habla. CoRÓnel; no, también no es así. CoroNÉL; sí, este es el sonido; es así que se habla. Luego, es una palabra aguda. ¿Recuerdan qué es palabra aguda? – Pregunta y nadie le contestó. Solo dos estudiantes le escuchaban. – ¡Muchachos! ¿Qué es agudo?
- Es cuando la última sílaba es la más fuerte, profesor. – Responde la estudiante que le oía.
- ¡Cierto! Otro truco para saber cuál es la tonicidad es hablar como se llamase alguien. Ejemplo, quiero que Emilio y Florencia vengan a mí. Entonces hablo así: ¡Emiiilio! ¡Floreeencia! Prolongando la sílaba más fuerte. Para saber la sílaba tónica de alfombra, cachorro, coronel se puede hablar así: alfooombra, cachooorro, coroneeel.
El profesor mira los alumnos a platicaren entre sí y continúa con el corazón aún encogido.
- En castellano hay principalmente tres posibilidades de poner acento en las palabras y una de ellas es, como ya hablamos, agudo. Y como ejemplo de ellas digo: Ronal, reloj, pared y mujer. Pero hay también la grave y la esdrújula. Las palabras graves también reciben el nombre de llanas y son aquellas que la sílaba fuerte es la penúltima. Ejemplos: Alfombra, silla y árbol. – Suspira mirando los alumnos alienados y vuelve a enseñar. – Y las palabras esdrújulas son aquellas que tienen la antepenúltima sílaba fuerte; ellas reciben ese nombre porque son pocas, raras y extravagantes. Ejemplos: Fábula, árboles y… ¡esdrújula! Vamos a llamar estas palabras para confirmar a cuál de las tres ellas pertenecen. ¡Ronaaal, reloooj, pareeed, mujeeer! Sí, son agudas de verdad. Ahora vamos a las graves: ¡Alfooombra, siiilla, ááárbol! Sí, son graves de verdad. ¡Fááábula, ááárboles, esdrúúújula! Sí, esas son todas esdrújulas, o sea, extrañas.
- ¡Profesor! – Interviene el estudiante que le escucha. – He visto unas palabras que la sílaba fuerte viene antes de la antepenúltima.
Finalmente una sonrisa. Leve, casi invisible, pero conseguió.
- Eres muy listo. Estas son llamadas de sobreesdrújulas y el acento prosódico se pone antes de la antepenúltima sílaba; siempre en la cuarta o en la quinta contando de la última a la primera. ¿Recuerda qué es acento prosódico?
- Es el signo ortográfico que se usa para marcar la sílaba de mayor intensidad. – Él responde y la estudiante completa: Puede distinguir también la sílaba que tiene mayor duración o tono más alto.
- ¡Cierto! Felicitaciones a los dos. Es una satisfacción tener estudiantes así. Así como en todas las palabras esdrújulas, las sobreesdrújulas también reciben tilde en todos sus casos: débasele, permítaseme, comiéndoselo. ¿Perciben que esas palabras son verbos en imperativo o en gerundio y estaban llanas: deba, perciba y comiendo; pero recibieron al fin de ellas dos pronombres? – La campana suena avisando la hora del recreo y los alborotadores salen corriendo como manada huyendo del fuego; quedándose solo los dos estudiantes. Entonces habla solamente el esencial para ellos también salieren. – Así, las sobreesdrújulas son gerundios o imperativos con dos pronombres átonos que, para mantener el sonido original del verbo, se pone la tilde donde antes era grave y ahora son sobreesdrújula: De huyendo para huyéndosele; de salven para sálvenselo. Sin la tilde se hablaría huyendoSEle y salvenSElo.
En la sala de los maestros unas risas. Probablemente para no llorar. Y el sol está agradable en este día de Santo Antonio que nos mira dulce con sus ojos mojados. Nadie comenta la Copa que empieza hoy en uno de los países más homofóbicos del planeta. Nadie habla de los ataques ininterrumpidos a Siria ni de las intervenciones del Norte al Sur de América.


Descanse em paz, Ipatinga! Que Deus tenha piedade de sua alma. Cavou a própria sepultura escolhendo mal seu prefeito; agora deite.

Ofereço como presente aos aniversariantes Alexi Senshi, Faire (Amnon K. Oliveira) e Vinícius Siman.

Recomendo a leitura de:
“Semelhanças e Diferenças entre Getúlio Vargas e Juan Perón”, de Javier Villanueva:
“Ferra Ferradura ou Esfera, a Besta Fera te Ferra”, deste macróbio que vos fala:
“Não há Misericórdia no Mundo da Escrita”, de Sued:
“Tudo que Parece Pode não Ser”, de Girvany de Morais:
“Graça”, de Bispo Filho:


 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve e publica neste seu blog literário aRTISTA aRTEIRO todo domingo e colabora no Ad Substantiam às quintas-feiras.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. E em breve também professor de História. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura).
Foto: Apontamentos 01 – Espaço de Convívio (Híbridus).

Escrito entre 13 e 17 de junho de 2018.

domingo, 10 de junho de 2018

NO QUARTO



EM LA PIEZA


Descanse em paz, Ipatinga!
Que Deus tenha piedade de sua alma.

Quiero sentir la oscuridad del grito¹.

Em português:

Chuva na madrugada
Eu na cama
Cantiga de quem ama
Ou alma sossegada.

Ponho-me no caminho
Ou balanço ao vento
Não sei o que quero
Nem no que crer
Se canto assim, um melro
Ou se durmo assim, ao relento


Foto do autor: Infinitude.

En español:

Lluvia en la madrugada
Yo en la cama
Cantiga de quien ama
O alma sosegada

Me pongo en el camino
O me balanceo al viento
No sé qué quiero
Ni en que creer
Si canto así, un mirlo
O se duermo así, al rocío


Descanse em paz, Ipatinga!
Que Deus tenha piedade de sua alma porque eu não tenho. Cavou a própria sepultura; agora deite.

Ofereço como presente aos aniversariantes:
Luciano A. Maciel, Claudiane Dias, Mª Bernadete W. Duarte e Marciliane E. Silva.

Recomendo a leitura de:
“Vivendo o Mito de Sísifo”, de Girvany de Morais:
“Onde a Imbecilidade Grassa o Povo se Engraça”, deste macróbio que vos fala:
“El Espejo Enterrado”, de Javier Villanueva:

¹ Cornelia Funke em Sangue de Tinta (São Paulo: Companhia das Letras, 2009) cita trecho em espanhol do poema Verbo, de Pablo Neruda na página 283.

 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve e publica neste seu blog literário aRTISTA aRTEIRO todo domingo e colabora no Ad Substantiam às quintas-feiras.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. E em breve também professor de História. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura).
Foto: Apontamentos 01 – Espaço de Convívio (Híbridus).

Escrito nas madrugadas de 09 e 10 de março de 2018. Trabalhado nas duas línguas entre 06 e 10 de junho do mesmo ano.

domingo, 3 de junho de 2018

LÁGRIMAS DE GRAFITE E LÍNGUA DE MADEIRA

LÁGRIMAS DE MINA Y LENGUA DE MADERA


Quando viu e tomou para si a tristeza, o próprio Jesus se entristeceu e chorou. Nós nos entristecemos ao ver a tristeza do próximo e nos iramos ao ver o mal do próximo. Quem não se entristece nem fica irado é aquele que não toma para si a dor ou o mal do próximo, que são as causas desses sentimentos¹.


Foto: Apontamento 02 – Espaço de Convívio (Híbridus)

Em português:

Pular e agitar
Igual sorrir
Pouca visão
Pensar e aquietar
Igual lacrimejar
Muita visão

Lágrimas embaçam os olhos
Lavam-nos
Para os fatos
Lágrimas embarcam os olhos
Para os atos.

Em noite longa de pura constância
O Medo fecundou a Ignorância;
Tiveram um filho nessa aliança
Religião é o nome da criança.

A bela flor d’alma desce a porrada
Chovendo ideias a enxurrada.
É a poesia do Brasil, d’África ou a portuguesa
É poema a lutar contra a direita burguesa.


En español:

Brincar y agitar
Igual a sonreír
Poca visión
Pensar y aquietar
Igual lagrimear
Mucha visión

Lágrimas empañan los ojos
Los lava
Para los hechos
Lágrimas embarcan los ojos
Para los actos.

En noche larga de pura constancia
El Miedo fecundó la Ignorancia;
Tuvieron un hijo en esa alianza
Religión fue llamado aún crianza.

La bella flor de alma es puñetazo
En la cabeza ideas se hace embarazo.
Es la poesía de Latinoamérica o europea
Es poema a luchar contra la derecha que te golpea.


Ofereço como presente ao aniversariante Marcelo S. Marinho.

Recomendo a leitura de:
“Miragens”, de Girvany de Morais:
12ª edição do J.Bilt:

Daniel Cristino e Maura Gerbi. Que a dupla “prefeitável” Vá e Vença! Pois:
Verde que te quero verde
Verde e amarelo
Não o se vende pato amarelo
Não o coxinha batedor de panela.

¹ TANIGUCHI, Masaharu. Sentimentos de caridade e piedade. Pensamentos de Sabedoria. São Paulo: Seicho-No-Ie do Brasil, 2013. P. 82.

 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve e publica neste seu blog literário aRTISTA aRTEIRO todo domingo e colabora no Ad Substantiam às quintas-feiras.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. E em breve também professor de História. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura).
Foto: Apontamentos 01 – Espaço de Convívio (Híbridus)

Escrito entre os dias 09 de fevereiro e 03 de junho de 2018.