domingo, 13 de agosto de 2017

CONTINUO COMIGO

Foto do autor: Lua e Nuvens; Centro de Ipatinga MG.
Felicidades a todos os pais.


Leitura do poema pelo autor no canal aRTISTA aRTEIRO:


Meu olhar deu meia noite
E você não se achegou
Ressoaram doze baladas
Nos meus olhos

Deu meia noite em meu olhar
E você me ignorou
Doze baladas ressoaram
Nos meus olhos

Você se afastou
De meus olhos
De meia noite

Você se foi
Abalando a noite
De meus olhos.


Ofereço como presente aos aniversariantes:
P. Melanie W. Leite, Ivan F. Machado, Cemario Campos, Jesus D. Duarte, Michelly Tellys, José Duarte, Gedeon Marques, Dani Gomes, Wander Santos, Denise Silva, Nelson M. Esfinge, Silas C. Leite, Junio Endrik, Marilda Lyra, Fabiane Borges e Simone Penna.

Convido a ler “Balé Infinito”, de Xúnior Matraga; “Meu Coração”, de Girvany; a entrevista “Hernán Lara Zavala”, de Gianmarco Farfán Cerdán; e, deste macróbio que vos fala, “Castanheira Vermelha”.

 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve e publica neste seu blog literário aRTISTA aRTEIRO todo domingo e colabora no Ad Substantiam às quintas-feiras.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. É, por segunda gestão, Secretário da ASSABI – Associação de Amigos da Biblioteca Pública Zumbi dos Palmares (Ipatinga MG). Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura).


Escrito no início da tarde de 12 de fevereiro de 2017. E trabalhado entre os dias 05 e 13 de agosto do mesmo ano.

domingo, 6 de agosto de 2017

BOM JARDIM – SILÊNCIOS SEGUNDOS

Foto do autor.

Mientras saborea cerveza con soledad, una lluvia de hojas y flores del árbol atrás del chaval lo baña y él no percibe.

Leitura do cronto pelo autor no canal aRTISTA aRTEIRO, conforme endereço abaixo:

“... de olhos admirados como se neles pairasse o espanto de um espetáculo visto e esquecido”¹. Foi assim que vi Jonas. Um sujeito de barba castanha, mas com cabelos e olhos pretos. Camiseta e tênis cinzentos, bermuda vermelha. E, sozinho, tomando cerveja na praça cheia de gente enquanto espera o Festival Roda Viva que retornou após longos anos de vazio.
Jonas desconhece a história do bairro. Não sabe que já era habitado na época do Império. Que depois a grande fábrica comprou o terreno e não pagou. E mais tarde um prefeito a comprou e igualmente fez calote. Ignora isso e mais porque é de fora; não um dos moradores apaixonados do bairro Bom Jardim.
Enquanto saboreia cerveja com solidão, uma chuva de folhas e flores da árvore atrás do rapaz o banha e ele não percebe. Atento admira quem ou o que está em seus pensamentos e não vê o que nem quem passa a sua frente. A música, os músicos, as barracas, os vizinhos, quem o olha, quem o ignora.
Nada admira. Nada vê.
Ninguém.
Olha ao redor, bebe mais um pouco, lê o que aparece no celular sem tirar o que ocupa sua cabeça.
“Que esse desespero é moda em setenta e três”². – Paramos, eu e Vinícius, para ouvir a música que voa nos ares. – “Tem gente estranha...”. Ouço, mas ele não continua. Penso em perguntar. Porém o barulho do trânsito nos cala; então olhamos para nossas frentes, não para o outro.
- Tem gente que... Não sei...
Pergunto ou deixo passar?
- Acho que vou para o Parque das Samambaias encontrar-me com umas pessoas...
- Não acho exemplo de beleza, mas penso que faz bem...
- O quê?
- Sexo, claro! – Respondo após três segundos de silêncio.
- Mas será que faz bem?
- Não sei se, digamos, para saúde, mas para o gozo acho que faz.
- Estou falando de mim.
- Estou falando de nós.
- Nós? Não nos vejo em sua conversa fiada.
- É disso que estou falando. Es como comer castañas hablar con un ser que no conocés.
- O quê?
- Nada. Mas mudei de ideia. O Festival parece que vai começar na hora programada.


Ofereço como presente aos aniversariantes:
Andriely K. Sophia, Luciana Araújo, Juninho Zeff, Alyda Sauer, Pricilla P. Leite, Raiza Priento, Vera Tufik, Dalvina S. Aredes, Gui Givisiez, Marjorie Marj, Teuler Guimarães, Gustavo Nolasco, Raul Gonçalves e Catarina Angela.

Recomendo a leitura de “Minha Janela”, deste macróbio que vos fala; “Decoro”, de Xúnior Matraga; e “Beijo de Despedida”, de Girvany.

¹ TABUCCHI, Antonio. Mulher de Porto Pim. Lisboa: Difil Hesperides. Sonho em forma de carta.

² BELCHIOR. A Palo Seco:

Maiores informações sobre o bairro Bom Jardim:

 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve e publica neste seu blog literário aRTISTA aRTEIRO todo domingo e colabora no Ad Substantiam às quintas-feiras.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. É, por segunda gestão, Secretário da ASSABI – Associação de Amigos da Biblioteca Pública Zumbi dos Palmares (Ipatinga MG). Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura).


Manuscritos escritos em inícios de algumas tarde de outubro de 2015 no Feirarte; o cronto foi trabalhado nos dias 18 e 25 de dezembro de 2016 na Praça do Bom Jardim. E concluído em minha casa, no Centro, entre os dias 30 de julho e 06 de agosto de 2017.

domingo, 30 de julho de 2017

BOM RETIRO – O TELEFONE

EL TELÉFONO


Em 1755 (...) as sedes das missões (jesuíticas) foram transformadas em povoados ou vilas, os índios considerados “emancipados” dos religiosos e subordinados apenas a autoridades laicas em uma diretiva assimilacionista.
Assimilacionismo é uma ideologia e uma política voltada a absorver os grupos ou minorias de modo a impor uma hegemonia político-cultural, fazendo com que aqueles percam suas características distintivas.
O aldeamento de índios obedeceu a várias conveniências: não só os tirou de regiões disputadas por frentes pastoris ou agrícolas, mas os levou também para onde se precisava de mão de obra. (...) Para obrigar os índios ao trabalho se deviam diminuir seu território e confiná-los de tal maneira que não mais pudessem subsistir com suas atividades tradicionais.¹

Em português
Cronto lido pelo autor e postado:

A lua minguava por toda a cidade de Ipatinga. Se é verdade que isso acontecia no mundo todo não nos interessa no momento; porque o mistério aconteceu na rua Borba Gato. Dizendo de outra forma, minguadas nuvens cobriam o bairro Bom Retiro e foi exatamente em cima do Clube dos Pioneiros que uma minguada chuva começou ao mesmo tempo em que a história acontecia em uma das casas próximas:
... De madrugada o telefone tocou. Abriu as pálpebras e seu olhar de ódio quase derrete o celular.
- Alô! – Diz assumindo a raiva com voz rouca de sono.
- Já comprou?
- Comprei o quê? E quem é você?
- Comprou ou não?
- Do que está falando? Eu estava dormindo e fui acordado por... por… QUEM É VOCÊ, CARALHO?
- Já comprou a passagem?
- Passagem? Que passagem?
- Para o bairro secreto.
- Não sei quem é você nem o que quer. Não conheço nenhum bairro secreto e não quero conhecer. Só quero dormir. Não seja um chato e não me enche o saco.
- Não se atreva a desligar o aparelho. Não se atreva! Ou aguente as consequências...
Desliga, deita, fecha os olhos e... o telefone toca outra vez.
- Vá pra puta que pariu, desgraça!
- Filho! Isso é maneira de falar com sua mãezinha?
- Mamãe, desculpa! É um doido que me acordou agorinha mesmo pra falar bobagens.
- Tudo bem, filhinho. Não tem problema.
- O que que a senhora quer, mamãe?
- Você já comprou a passagem para o bairro secreto?
Ele não fala nada. Apenas olha boquiaberto o aparelho.
- Mãe, não foi a senhora que me chamou agorinha mesmo... Mas, como me fala isso? É a mesma bobagem da ligação que me irritou.
- Bobagem, filho? Eu…
A ligação caiu. Ele tenta chamar a mãe, mas ela não completa. Sem consegui dormir decide ir à cozinha comer alguma coisa. Enquanto sai do quarto vê o farol de um carro e... o tranquilo silêncio da escuridão. O telefone começou a tocar de madrugada. Acorda, abre as pálpebras e seu olhar de ódio quase derrete o aparelho.


En español
Croento leído por el autor y publicado:

Dos carnales caminando por la extensa calle de Aztecas en el amado barrio de Tepito; caminando sin temor porqué al resguardo están del honor, pobreza y aspereza, pero de pie como dos espadas esperan a su turno defender su barrio bravo de Tepito. Barrio de hermandad, dinero, muerte y… Y porque todo mexicano es un orgullo terrenal. Sin embargo, ser de Tepito es un don de Dios donde la sangre corre por las calles. Sangre cargado de honor y respeto ganados con dignidad de perros nobles como caballeros en ataque.
Los dos carnales cantan las músicas del Cartel de Santa y charlan filosofías ebrias. En sus bolsos el billete… Y
- Ser mexicano es un honor, pero…
- … Pero, ser de Tepito es un don de Dios.
Mientras los dos recorren las calles, la luna menguaba por toda la Ciudad de México. Si es verdad que eso ocurría en todo el mundo no nos interesa en este rato; porque el misterio aconteció en el barrio bravo de Tepito. Diciendo de otra manera, menguadas nubes cubrían el barrio y fue exactamente en los dos que la menguada lluvia empezó al mismo ratito que ellos sumían y la historia ocurría en una de sus casas:
… El teléfono comenzó a sonar de madrugada. Abre los ojos y su mirada de odio casi lo derrite.
- ¡Hola! – Dijo con voz ronca de sueño y asumiendo su rabia.
- ¿Ya lo compraste?
- ¿Compraste lo qué? Y ¿Quién eres?
- ¿Compraste o no?
- ¿Quién hablas? Estaba dormido y fue despierto por… por… ¿QUIÉN ERES TÚ?
- ¿Ya compraste el billete?
- ¡Billete! ¿Qué billete?
- Para el barrio secreto.
- No sé quién eres ni lo que quieres. No conozco ningún barrio secreto y no lo quiero conocer. Solo quiero dormir. No seas una lata y no me aborrezcas más.
- No se atreva a desligar el aparato. ¡No se atreva! O aguante las consecuencias…
Lo pone, se acuesta, cierra los ojos y… el teléfono suena otra vez.
- ¡Va a concha de tu madre!
- ¡Hijo! ¿Eso es manera de hablar a tu madrecita?
- Mamá, ¡perdóname! Es un loco que me despertó ahora mismo y solo habló tonterías.
- No pasa nada, hijito. No pasa nada.
- ¿Qué quieres, mamá?
- ¿Ya compró el billete para el barrio secreto?
Él no contesta nada. Solo mira boquiabierto el aparato.
- Mamá, no fue usted que me llamó a poco… Pero, ¿cómo me hablas eso? Es la misma tontería de la ligación que me enfadó.
- ¿Tontería, hijito? Yo…
La llamada cayó. Él intenta llamar la madre, pero la ligación no completa. Sin conseguir dormir decide ir a la cocina comer algo. Mientras sale de la habitación ve el faro de un coche y… el tranquilo silencio en la oscuridad. El teléfono comenzó a sonar de madrugada. Despierta, abre los ojos y su mirada de odio casi lo derrite.


Ofrezco como regalo de cumpleaños a
Victor do Carmo, Ma Ferreira, Eliberto Campos, Martin Dali Ramirez, Freddy Cosme, Camile Gracian, Cioli F. Rodrigues, Carlos Barbosa, Cristiane Martins, Douglas Evangelista e Letícia S. Bastos.

¹ AMORIM, Claudia. História e historiografia indígena. Cultura e Literatura Africana e Indígena. Curitiba: IESDE Brasil S.A., 2010. P. 108-109.

La versión en español tiene importante colaboración del mexicano José Manuel Salinas.

Recomendo a leitura de “Humano”, de Xúnior Matraga; “Ponte Fabriciano/Acesita”, de Girvany; e “A Poesia Brota da Ruína”, deste macróbio que vos fala. Respectivamente:

 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve e publica neste seu blog literário aRTISTA aRTEIRO todo domingo e colabora no Ad Substantiam às quintas-feiras.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. É, por segunda gestão, Secretário da ASSABI – Associação de Amigos da Biblioteca Pública Zumbi dos Palmares (Ipatinga MG). Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura).


Escrito originariamente en español en la tarde de 10 de febrero de 2017. Y trabajado en las dos lenguas entre los días 28 de junio y 30 de julio del mismo año.

domingo, 23 de julho de 2017

BETHÂNIA – AS COISAS TÊM UM SER VITAL

LAS COSAS TIENEN UN SER VITAL


Em português
Cronto lido pelo autor e postado:

Olho um objeto... Não um corpo humano; somente um objeto imóvel. Um rapaz de cabelos pretos, óculos apoiados em um pequeno livro. Ele, o rapaz, veste uma bermuda branca e no pescoço um lenço branco. Mas, suas roupas estão sujas. Uma enegrecida substância vermelha começando a secar-se.
Morador da rua Estocolmo no bairro Bethânia. Ah... Agora um ex-morador daquela rua. Futuro habitante do Senhora da Paz. Antes, em visitas a bairros mais nobres, vendeu-se muito por pouco para a vida que o vencera. Vendeu-se para a sociedade condenadora dos rapazes comprados.
Ele é ninguém. Ou apenas um objeto usado por algumas pessoas e sua morte não desperta em ninguém vontade de solucioná-la. Nem a você, que somente deseja uma história e não a verdade ou a vida do jovem.


En español
Croento leído por el autor y publicado:

Miro un objeto… No un cuerpo humano; solamente un objeto inmóvil. Un muchacho de pelo negro, gafas apoyada en un pequeño libro. Él, el muchacho, veste un pantalón corto blanco y en el cuello un pañuelo blanco. Pero, sus prendas están sucias. Una sustancia roja ennegrecida empezando a secarse.
Viviente de una calle oscura de un barrio pobre. Pero, ahora su vivienda será el cementerio… Antes, visitando los barrios más nobles, se vendió mucho por poco para la vida que lo venciera. Se vendió para la sociedad condenadora de los muchachos comprados.
Él es nadie. O solo un objeto usado por unos tipos y su muerte no despierta a nadie gran voluntad de solucionarla. Ni a tú, que solo deseas una historia y no la verdad o la vida del joven.


Ofrezco como regalo de cumpleaños a
Gilberto M. Weber (Beto), Shamilla Oliveira, Arlisson Toledo, Marta Lorenzato, Roberta Colen, Thayná Souza, Pedro E. Chachuaio, Daniela Silveira e Anilton Reis.

Recomendo a leitura de “Kafka”, deste que vos fala; “Uma Garota com Baixa Autoestima e Tesão”, de Sued; e “Vivendo o Mito de Sísifo”, de Girvany.

 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve e publica neste seu blog literário aRTISTA aRTEIRO todo domingo e colabora no Ad Substantiam às quintas-feiras.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. É, por segunda gestão, Secretário da ASSABI – Associação de Amigos da Biblioteca Pública Zumbi dos Palmares (Ipatinga MG). Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura).


Escrito originariamente en español en el Parque Ipanema, Ipatinga MG y en medio de la tarde de 22 de enero de 2017 mientras leía “Para objetos solamente”, del libro La Muerte y Otras Sorpresas, de Mario Benedetti. El título de mi relato es la epígrafe del cuento que me hay inspirado y fue escrito por Rubén Darío. Mi texto fue trabajado entre los días 20 e 23 de julio del mismo año.

domingo, 16 de julho de 2017

CENTRO – PAZ E CALMA

PAZ Y CALMA


Em português

- Ele tinha uma expressão tão cheia de paz e de calma debaixo da lua cheia... E eu não resisti. Beijei sua boca. Mas… Mas o frio de seus lábios me assustou.
- Você o conhecia?
- Não! Mas seu semblante me atraiu e não resisti.
- Você é doido? Sem nenhuma vergonha vai se achegando a um cara...
- Não costumo fazer isso. Foi seu ar tão tranquilo... Tão cheio de paz e calma.
- No entanto não é essa a questão. Ele está morto e você é o único que se aproximou do corpo e nada diz que o inocente.
Enquanto a chuva sorri fora do bar O Garajão, José olha os policiais e onde estava o corpo.
- Gostaria de sair daqui. Isso não seria melhor? Ir até a delegacia... Ai, desculpa! Não quero dizer como deve agir, senhor policial.
- Tenente. Tenente Saavedra.
- Saavedra? Nome espanhol.
- Meus pais são espanhóis. Mas isso não é de sua conta.
- É verdade. Desculpa.
- Vamos sair daqui.
- Para a delegacia?
- Sim!
O policial e o morto fecharam a apresentação do Cangabruta. Grupo musical de Sete Lagoas em turnê pelo Brasil; contudo, não o eclipsou. A noite se aninava com a pimenta do grupo que foi para fora e continuou a apresentação no gramado entre o ribeirão Ipanema e a avenida Zita Soares de Oliveira.
A testemunha ou suspeito – ainda não se sabe – seguiu o tenente à viatura e se foram.
Ainda no Centro de Ipatinga e a meia distância do curto espaço entre O Garajão e a delegacia uma soporífera nuvem de tranquilidade envolveu o carro e o tenente Saavedra se encantou com a expressão de paz e calma do... adormecido... morto... Bem, do José.
Pela manhã alguns rapazes curiosos se aproximaram do carro parado na Avenida 28 de Abril. A expressão de paz e calma no rosto do, agora adormecido(?) tenente, deu uma incontrolável vontade de beijá-lo. Não conseguindo abrir a porta quebraram a janela na mesma hora que uns guardas passavam.
Um perguntou à delegacia sobra a viatura atacada e os outros três prenderam os garotos e os levaram à delegacia.
- O motorista tinha uma expressão tão cheia de paz e calma. – disse o mais jovem dos três – A gente não conseguiu resistir.
- E a outra pessoa no carro?
 - Não havia mais ninguém. – Respondeu o mais velho e o outro falou: Podemos voltar lá e tirar uma foto? Ele tem um ar tão cheio de paz...
A suave cerração que foi se formando preencheu a cela com uma sensação tranquilizadora e agora se expande... Você que está aqui comigo sente-se em... paz? Então, durma, descanse em paz.


En español

- Él tenía una expresión tan de paz y tan de calma bajo la luz de luna… y no resistí. Besé su boca. Pero… Pero el frio de sus labios me asombró.
- ¿Lo conocía?
- ¡No! Pero su semblante me atrajo y no lo resistí.
- ¿Es un torpe? Sin pudor se acerca de un tipo…
- No es mi naturaleza. Es su aire tan de tranquilo. Tan de paz.
- Sin embargo, no es esta la cuestión. Él está muerto y usted es el único que se acercara del cuerpo y nada habla que lo inocente.
Mientras la lluvia sonreí fuera de la bodega El Garaje, José mira los policías y donde estaba el cuerpo.
- Me gustaría salir de acá. ¿Eso no sería mejor? Ir a la Comisaría… ¡Ay, caray! No querías decir que debería hacer, señor policía.
- Teniente, teniente Salgado.
- ¿Salgado? Nombre brasileño.
- Mis padres son de Brasil. Pero, eso no es de su cuenta.
- Verdad. ¡Perdóname!
- Vamos a salir de acá.
- ¿Para la Comisaría?
- ¡Sí!
El policía y el muerto cerraron la presentación del Cangabruta. Grupo musical brasileño viajando por Latinoamérica; pero, no lo eclipsó. La noche se animaba con la pimienta del grupo de Sete Lagoas; ciudad en el territorio autónomo de Minas Gerais. El grupo salió de la bodega y continuó la presentación en el césped entre el arroyo y la avenida.
El testigo o sospechoso – aún no si sabe – siguió el teniente al coche y se fueron.
Aún en el Centro de la ciudad, en la media distancia del corto espacio entre El Garaje y la comisaría, una nube llena de soporífera sensación de tranquilidad envolvió el coche y el teniente Salgado se encantó con la expresión de paz y calma del… dormido… muerto… ¡de José!
En la mañana unos muchachos curiosos se acercaron del coche estacionado en la calle. La expresión de paz y calma en el rostro del, ahora ¿dormido? teniente, les daba ganas de besarlo. No pudiendo abrir la puerta quebraron la ventana en la misma hora que unos guardias pasaban.
Uno cuestionó a la comisaría sobre el coche de policía atacado y los otros tres prendieron a los jóvenes…
- El conductor tenía una expresión tan de paz, tan de calma – dijo el más menudo de los tres muchachos – No nos fue posible resistir.
- ¿Y la otra persona?
- No había nadie más. – Contestó el mayor muchacho y el otro habló: ¿Podemos volver allá y sacar una foto? Él tiene un son tan de paz…
La suave bruma que se fue surgiendo llenó la celda de sensación de tranquilidad y ahora se expande… Usted que está conmigo se siente en … ¿en paz? Entonces, duerma.


Ofereço como presente aos aniversariantes
Carla A. Weber, Paulo G.C. Pimenta, Rosilea Campos, Cristiane Faria, Karine Faria, Rochelli Anício, Sarah Lombello, Sergio Jimenez, Marcia Toledo, Isabella Rosa, Piria Geysi, Rafael Oliveira, Simone Soares, Denilson A. Cardoso, Breno E. Garcia, Rúbia Maroli, Luiz Poeta e Filipe Fernandes.

 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve e publica neste seu blog literário aRTISTA aRTEIRO todo domingo e colabora no Ad Substantiam às quintas-feiras.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. É, por segunda gestão, Secretário da ASSABI – Associação de Amigos da Biblioteca Pública Zumbi dos Palmares (Ipatinga MG). Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura)


Manuscrito en español en noche de 18 de marzo de 2017 y trabajado en las dos lenguas entre los días 15 de junio y 16 de julio del mismo año.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

PARA MIM, TUDO. PARA VOCÊ...

PARA MÍ, TODO. PARA TÚ...


Em português

Esperando no ponto de ônibus lia algumas páginas de “A Parasita Azul”, de Machado de Assis sob o friozinho do fim da manhã.
Guardei o livro e...
- Você é comunista?
-Eu? Não! Apesar de ser de esquerda não sou filiado a nenhum partido.
- Você tem cara de comunista... – Insiste a adolescente.
Penso no que estava trajando: boina marrom de crochê, livro e bolsa com materiais de professor, mais uma sandália marrom sobre as meias.
- Eu sou de esquerda. E você?
- Sou uma garota de direita.
- Você acha que alguns são melhores que outros?
- Não. Acho que todos são iguais.
- Por sermos iguais todos merecemos respeito e não uns mais que outros.
- Um deve respeitar o outro.
- Você me respeita... E eu a mim...
- ??
Um momento de confusão e:
- Ah! Entendi.
- Garota, esta é a visão de direita.


En español

Esperando en la parada de autobús leía un par de páginas en portugués del libro “A Parasita Azul”, de Machado de Assis bajo al frio del fin de la mañana.
Guardé el libro y…
- ¿Vos sos comunista?
- ¿Yo? ¡No! A pesar de ser un hombre de izquierda no estoy afiliado a ningún partido.
- Tenés cara de comunista… – Insiste la adolescente.
¿Cómo son mis ropas? Boina marrón de croché, libro en la mano y bolso cargado de materiales de maestro, más sandalias marrones y calcetines.
- Soy un hombre de izquierda. ¿Y tú?
- Soy una muchacha de derecha.
- Muchachita, ¿Piensas que hay tipos mejores que otros?
- No. Creo que todos son iguales.
- Porque somos iguales todos merecemos respeto y no unos más que otros.
- Un hay que respetar los otros.
- Tú me respeta… Y yo a mí…
- ¿?
Un ratito de confusión y:
- Ay, comprendo ahora.
- Esta es la visión de derecha.


Ofereço como presente aos aniversariantes
Rogéria Santos, Cinara Viana, Felix Llatas, Tenoryd K. Neppel, Ludmila Marks, Carmem Botelho, Otávio Zoroastro, Solange Maria, Bruno Mendes, Rosi Sabino, Otávio M. Silva e João F. Bomtempo.

 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve e publica neste seu blog literário aRTISTA aRTEIRO todo domingo e colabora no Ad Substantiam às quintas-feiras.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. É, por segunda gestão, Secretário da ASSABI – Associação de Amigos da Biblioteca Pública Zumbi dos Palmares (Ipatinga MG). Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura).

Recomendo a leitura de “Um Conto Onde Pessoas São Assassinadas”, de Sued; e “Mola Propulsora”, de Girvany.


Escrito na madrugada de 18 de maio de 2017.

domingo, 2 de julho de 2017

CARIRU – PARA DENTRO DE SI

EL PROPRIO INTERIOR


Listening music of church
Reading the Bible
Smoking the rock
Totally hallucinating.

Em português
Lido pelo autor no canal aRTISTA aRTEIRO, no youtube:

Debaixo da lua minguante, Lima e Coelho bebem umas cervejas no Avesso, bar muito bom no Cariru, Ipatinga. Lima é alguém que pensa para agir, e age. Coelho é alguém que não age nem pensa. Este recebeu o nome em homenagem a você sabe quem (não o do Harry Potter...) e aquele em homenagem ao Barreto. Agora, de quem são as homenagens, se são dos pais ou se são do autor isso é outra história que não vem ao caso.

- Ouvindo música de igreja / Lendo a Bíblia / Fumando pedra / Alucinando-se total.
- Hum! Ácido, não?! Pesado!
- Sabe. No livro O Cemitério dos Vivos, de Lima Barreto e publicado pela editora Planeta, Fábio Lucas diz “Lima Barreto partiu da reflexão sobre o alcoolismo para entender a loucura”.
- E o que tem isso?
- Parto da leitura da Bíblia para entender a alienação.
- Credo! Isso é blasfêmia.
- É... Dizer o que nos ensinam a não pensar é sempre mal visto e chamado de pecaminoso...
- Não é isso. É... É... – E rebate citando Feliciano, Bolsonaro, João Paulo II e outros mais. E Lima só ouvindo. Até que cansou e se foi para dentro de si.
Enquanto isso e longe dali, encostada a uma árvore feiamente podada, boca desdentada meio aberta, olhos fechados abertos para as lágrimas. A fome, as drogas, a violência, a solidão de cada um por si no mundo.


En español
Leído por el autor en el canal aRTISTA aRTEIRO, en youtube:

Bajo la luna menguante, Lima y Coelho toman tapas y beben cervezas en la bodega El Revés. Lima es un tipo que piensa para actuar, y actúa. Coelho es un tipo que no actúa ni piensa. El pasivo recibió este nombre porque a su madre le gusta Paulo, el falso escritor brasileño. Y el otro fue nombrado en honor a Barreto; pero, no se sabe si fuera el autor o si fueran los padres que lo nombró porque esto es otra historia…

- Oyendo música de iglesia / Leyendo la Biblia / Fumando piedra / Alucinándose total.
- ¡Caray! Es pesado eso.
- El libro brasileño “O Cemitério dos Vivos”, de Lima Barreto hay la palabra de una persona, creo que su nombre es Fábio Lucas, que haré una traducción libre según mi recuerdo: “Lima Barreto partió de la reflexión sobre el alcoholismo para comprender la locura.”
- ¿Qué tiene eso de importante?
- Parto de la lectura de la Biblia para comprender la alienación.
- ¡Caray! Eso es blasfemia.
- Decir que nos enseñan a no pensar es siempre mal visto y llamado de pecaminoso…
- No es eso. Es… Es… – Y contesta citando palabras de los políticos y religiosos más preconcebidos de Latinoamérica. Mientras eso, Lima solamente escucha hasta no soportar más y entrar en el propio interior.
Al mismo tiempo, pero en otro rincón, acostada a un árbol feamente podado, boca desdentada un poco abierta, ojos cerrados abiertos para las lágrimas. El hambre, las drogas, la violencia, la soledad de cada uno por si en el mundo.


Ofereço como presente aos aniversariantes
Beatriz Myrrha, Daniel R. Salgado, Joice Soares, Mayra F. Gonçalves, Alano A. Barrbosa, Garcia P. Teleka, Rita E. Rocha, Tairony Novais, Ronalla Kelly, Sueli M.B. Silva, Alysson Nascimento, Amosse Mucavele e Walace Silva.

Recomendo a leitura de “O Destruído”, de Sued; “Generolidade”, deste macróbio que vos fala; “Sussurros”, de Girvany; “Combativa”, de Jackeline Vasconcelos Valentim; e “O Povo Tem o Governo que Merece?”, de Javier Villanueva. Respectivamente nos endereços abaixo:

 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve e publica neste seu blog literário aRTISTA aRTEIRO todo domingo e colabora no Ad Substantiam às quintas-feiras.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. É, por segunda gestão, Secretário da ASSABI – Associação de Amigos da Biblioteca Pública Zumbi dos Palmares (Ipatinga MG). Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura).


Escrito no início da tarde de 22 de janeiro de 2017. E trabalhado entre os dias 15 de junho e 02 de julho do mesmo ano.