domingo, 13 de maio de 2018

MAS ELE TEM OS LIVROS



PERO ÉL TIENE LOS LIBROS


Leitura do texto pelo autor no canal aRTISTA aRTEIRO no youtube:

Em Português:

Os ipês estão verdes, suas folhas ainda não caíram para suas flores saírem. Até chegar ao seu destino ele segue a avenida sorvendo tanto verde e senta no lugar de sempre. Sangue de Tinta, Águas Vivas Mortas e Tempo das Águas o acompanham. Olha para suas unhas pretas do carvão usado para assar batatas doces. E continua sentado; olhando as unhas, os ipês e os livros. Abre a boca do sono que perdera a noite sem motivo aparente. Contudo, seu coração sente a ausência dos que estão para ir embora e...
E um carrinho de supermercado cheio de papelões para com dois cachorros deitados em seu confortável desconforto. E divaga. Na rua Sabará um estacionamento poupou algumas árvores na fronteira do terreno com a calçada. 

As Árvores e o Muro – Foto de Florencia Mora (Zarza Mora).
Ipatinga pouco passou de meio século e nos últimos dez anos quatro prefeitos foram afastados. Complicando a vida do povo que elege quem sequer podia se candidatar; como a coisa de chapéu na cabeça, Bíblia no sovaco e estrelinhas em fundo azul onde deveria habitar um coração; mas se tivesse um jamais seria tartufo nem usaria estrelinhas em fundo azul...
- “Mochila nas costas. Sem pressa acenava para os carros. Chegar para quê?”. – Na sua cabeça ele ouve Girvany de Morais. Contudo, seus amigos presentes falam:
Os Livros e o Drinque – Foto do autor.
- “Às vezes, a pesada mão da morte / Apanha a rosa ainda em botão”¹. Cornelia Funke cita Monsterberg. – E isso o faz pensar.
Vinícius Siman lhe diz: “Um mineiro na praia é coisa que se louve, pois o mar fez-se verbo nas mãos dos poetas mineiros”².
E Amyra El Khalili não faz por menos e não se cala: “A América Latina vive hoje uma guerra intestina”³. Ai, que jeito lindo de dizer “merda” enquanto verdejam os ipês no Feirarte/Pq. Ipanema e as árvores não morrem para o muro do estacionamento cinza da rua Sabará, centro da cidade de cinquenta e quatro anos.
Hoje a Banda Gertrudes canta pouco roque nacional e muito roque estrangeiro no aniversário da cidade e oferece um brinde a seus seguidores no instagram.
Chegar para quê? Não para onde ou para quem, mas para que ir ou chegar. – Com esse pensamento recolhe os livros, bebe seu drinque e se vai sem perguntar a alguém; já que não há ninguém, para quê...


En español:

Los lapachos está verdes, sus hojas aún no cayeron para sus flores salieren. Hasta llegar a su destino él sigue la avenida sorbiendo tanto verde y si sienta en lo acostumbrado quisco. Sangre de Tinta, Aguas Vivas Muertas y Tiempo de las Aguas lo acompañan. Mira sus uñas negras de carbón usado para asar boniatos. Y continúa sentado; mirando las uñas, los lapachos y los libros. Abre la boca del sueño que perdiera anoche sin motivo aparente. Pero, su corazón siente la ausencia de los que están para irse y…
Y un carrito de supermercado cargado de papeles para. En el changuito hay dos perros acostados en su cómoda incomodidad. Y divaga. En la calle Sabará un aparcamiento no sacrificó unos árboles en la frontera del terreno con la vereda. 

El Árbol y la Tapia – Foto de Florencia Mora (Zarza Mora).
Ipatinga poco pasó de medio siglo y en la última década cuatro alcaides fueron alejados. Complicando la vida del pueblo que elije quien no podría candidatearse; como la cosa de sombrero en la cabeza, Biblia en el sobaco y estrellitas en cortina azul donde debería habitar un corazón; pero, si hubiera uno jamás sería tartufo ni usaría estrellitas en cortina azul…
“Mochila en las espaldas. Despacio hacía señas para los coches. ¿Llegar para qué?”. – En su cabeza él escucha Girvany de Morais. Pero, sus amigos presentes hablan: 

Los Libros y el Trago – Foto del autor.
- “A veces, la pesada mano de la muerte / Apaña el capullo de la rosa”¹. Cornelia Funke refiere a Monsterg. – Eso la hace pensar.
Vinícius Siman lo dijo: “Un minero* en la playa es cosa que si alaba, pues el mar se haz verbo en las manos de los poetas mineros”².
Y Amyra El Khalili deja la charla más rica al decir: “Latinoamérica vive hoy un guerra intestina”³. Ay, qué manera linda de decir “mierda” mientras verdean los lapachos en Feirarte/Pq. Ipanema y los árboles no si mueren para la tapia del aparcamiento gris de la calle Sabará, Centro de la ciudad de cincuenta y cuatro años.
Hoy la Banda Gertrudes canta poco rock brasileño y mucho rock extranjero en el cumpleaños de la ciudad mientras ofrece un regalito a sus seguidores en Instagram.
¿Llegar para qué? No para donde o para quien, pero para que ir o llegar. – Con ese pensamiento recurre los libros, bebe su aperitivo y se va sin preguntar a alguien; ya que no hay nadie, para qué…


Ofereço como presente ao aniversariante Robinson Ayres; e a todas as mães.

Recomendo a leitura de:
“Águas Vivas Mortas”, de Vinícius Siman. No próximo sábado – dia 19 de maio, 14:30h. – lançamento da obra no Salão do Livro do Vale do Aço.
“Imperecível”, de Flávia Frazão. Na próxima quarta-feira – dia 16 de maio, 19h. – Lançamento da obra no Salão do Livro do Vale do Aço.
“Schelling e Dante Versus Marx”, de Sued:
“Foi Loucura ou Aconteceu?”, deste macróbio que vos fala:
“Em Dia de Ramos”, de António MR Martins:

Daniel Cristino e Maura Gerbi. Que a “prefeitável” dupla Vá e Vença! Pois: Verde que te quero verde  /  Verde e amarelo  /  Não o se vende pato amarelo  /  Não coxinha batedora de panela.

¹ FUNKE, Cornelia. Sangue de Tinta. Trad. Sonali Bertuol. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. P. 81. Traducción libre al español.
² SIMAN, Vinícius. Águas Vivas Mortas. São Paulo: Clube dos Autores, 2018. P. 19 e 17. No próximo sábado – dia 19 de maio, 14:30h. – lançamento da obra no Salão do Livro do Vale do Aço. Traducción libre al español.
* Minero es como se habla de quien nace en la provincia (departamento) brasileña de Minas Gerais.
³ EL KHALILI, Amyra. Água e Petróleo, a mesma moeda. ZUNTI, Maria Lúcia Grossi (Org.). Tempo das Águas. Linhares: Projeto Águas do Rio Doce, 2008. P. 87. Traducción libre al español.

 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve e publica neste seu blog literário aRTISTA aRTEIRO todo domingo e ocasionalmente colabora no Ad Substantiam às quintas-feiras.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. E em breve também professor de História. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura).
Foto de Amnon Oliveira.

Manuscrito na tarde de 29 de abril de 2018; trabalhado entre os dias 01 e 13 de maio do mesmo ano.
Já em 13 de maio de 1888: Enquanto a elite latifundiária e escravocrata visava um rumo, a princesa Isabel, outro. “Seu pensamento liberal denunciava que o futuro seria permeado por mudanças” (COSTA, 2017. P. 88). Havia disputa entre a elite escravocrata e a elite industrial. A primeira era rural e a segunda, liberal. A Monarquia tinha que escolher de qual lado ficaria. Durante três anos a Princesa morou em Paris e lá suas ideias se fortaleceram e buscou arrecadar fundos para emancipar os escravos brasileiros. Contudo, não pense que foi por bondade que a Princesa se dedicou à Abolição. Havia interesses políticos e econômicos para isso. Os escravos não estavam preparados para a industrialização enquanto imigrantes estavam. (COSTA, Marcos. A História do Brasil para Quem tem Pressa. 2ª ed. Rio de Janeiro: Valentina, 2017. P. 88-91. Resumo de Rubem Leite.)

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