segunda-feira, 15 de junho de 2009

PAPEL HIGIÊNICO

Rubem Leite – 12-15\6\09


O papel higiênico é muito útil e diria até nobre. Ele serve para assuar o nariz, para cobrir por alguns minutos um corte no dedo até que coloque o material adequado. Serve para... (você sabe bem o que eu ia falar). Isso que estou vendo em seu rosto é rizinho? Quem já falou bem do papel higiênico? Quem já elogiou o ato ou ação do papel higiênico? O papel higiênico pode ser comparado a uma pessoa abnegada. Continuo vendo em alguns rostos um sorriso; já em outros vejo um esgar de desdém. Fazer o quê? Tudo o que se escreve ou se fala sobre o papel higiênico é piadinha ou coisas de gosto duvidoso. As pessoas são assim. Mas não falarei bobagens nem imundícies. Não é meu objetivo. Pelo menos não no momento. Uarrarrá. Se o papel higiênico fosse uma pessoa poderia ser comparada a uma enfermeira que cuida de pessoas com as mais nojentas doenças. Quem aqui já pegou num vomito ainda quente? Já vi um rapaz segurar seu irmão enquanto ele vomitava em seus braços devido a um grave resfriado ou uma gripe feroz. Naquele momento o rapaz foi um papel higiênico. Meu pai, Dr. Rubem, foi um advogado que não se enriqueceu, mas que tinha entre seus clientes aqueles que eram rejeitados pelos outros com o mesmo nojo que se teria por fezes alheias. Entre os clientes de meu pai havia, como se diz hoje, profissionais do sexo. E tantos outros que nada tinham nada para pagar além de couves ou galinhas. E como doía a meu pai ver nos olhos alheios todas essas pessoas serem vistas como fezes. Dr. Rubem tinha uma regra: Se você é culpado não trabalharei para ser inocentado, mas para ter a mínima pena justa. Era assim que fazia. Mas ele não era preconceituoso. Trabalhava com todo o tipo de gente. Um político que estava tendo problemas para se candidatar teve sua advogada juridicamente orientada por meu pai que conseguiu sua eleição para prefeito. Como recompensa ofereceu uma Secretaria a meu pai, que foi recusada, mas pediu que se abrisse no município a primeira Defensoria Pública. Seu pedido foi concretizado.
Você que me lê é ou já foi um papel higiênico?

Bem! Trocando passarinho de toco...
Uma lágrima pode ter um metro?
Uma lágrima pode ter um metro? Não a vejo em litro, mas em comprimento.
Uma lágrima pode ter um metro? Ou deveria medi-la em crono?
Nesses quatro dias cinco livros quis comprar. Um chocolate especial com preço assustador. Pagar a conta do celular. Comprar novos calçados para trocar pelos rasgados.
Nesses quatro dias e outros caminhei sem ter com quem conversar. Se cada qual com sua delícia também cada qual com sua dor. Nem sempre dá para gemermos e chorarmos num vale de lágrima no ombro alheio. É como já me foi dito e repito, o verdadeiro chato é aquele quando perguntado como vai, responde.
Eu sou um bom artista da palavra? Escrevo bem?
Eu fico confuso... Se sou bom contista, cronista, poeta por que ninguém publica meus trabalhos? Se sou ruim por que tanta gente boa tece autos elogios aos meus textos? Num dos meus primeiros artigos aqui postado um poeta indiano pesquisando a literatura brasileira viu meu texto. Como não entende português usou um programinha que o traduziu para o inglês e me mandou um email interessante. Uma poeta respeitada em Mariana enviou-me um email dizendo sempre ler meus textos. Fora os poetas e cronistas da cidade que gostam de meu trabalho. Até o nacionalmente famoso poeta Affonso Romano de Sant'ana já me mandou email elogiando um trabalho meu.
Aí a fonte de minha dúvida. Sou bom ou não?

3 comentários:

mayron disse...

Ai meu querido ser bom pra vc é ter publicado um livro? Nossa vida de artista é inconstante e subliminar, a constancia esta nas tentativas avusas ou diarias! Acredito nos seus sonhos!!SOmente coisas boas virão*

luana disse...

Faço uma pergunta rsrsrsr na verdade o que é bom????
Não sei o que responder.....sei que gosto de leituras como essas....se vale o comentário...ser artista é ótimo!

Nena de Castro - MACUNADRU disse...

Rubão, meu amigo querido! Você está escrevendo cada vez melhor! Lembra quando no início li um texto e te pedi "sangue"? Pois é, seus textos estão que nem ferida no dedão, quando se tropeça de novo e se renova a dor!Porém, além de papel higiênico, às vezes (incontáveis) servimos também de escada. Só que sua vez vai chegar,amigo. Acredito em vc! Ser artista é rasgar a veias com nosso sentimento cortante! O mar vai e vem!
Beijos da amiga,
Nena de Castro