terça-feira, 27 de setembro de 2011

E TUDO CONTINUA COMO DANTES...


Obax anafisa.

O encontro entre duas massas corpóreas no mesmo espaço de algum tempo atrás, a confusão dos olhares vendo o mesmo lugar, porem em outro estado. Por instantes tudo volta a ser como antes, mas que antes era esse? O peso faz da leveza um instante entre velhas palavras”.

(Mayron Engel, Deja vu, no faceboock)


Atravessando a praça que poucos sabem o nome vi no chão uma colagem. Paro para, talvez, me encantar. Um senhor olhando-me a ver desvia seus olhos para a figura, meio segundo e diz “bixzucgi demônio”, sem parar continua o caminho. Acho graça. E mais do que isso não ligo.

Ando lentamente, sentido o ar na pele; não o percebo em meus pulmões. Ainda na pele sinto o sol e o perfume acariciando minhas narinas. Vou para a Prefeitura, mais precisamente à Secretaria de Cultura. Ano passado foi lançado edital de propostas de projetos de arte-cultura. Os aprovados receberiam recurso em março. Agosto, ainda sem sinal, mas garantido sua saída em quinze de setembro. Foi dezenove que narro o primeiro e o segundo parágrafos. Nenhuma informação. Dia vinte alguns tiveram assinados os convênios. Outros foram chamados no dia vinte e um. Dia vinte e dois de setembro, nada de voltar para a população o que ela entregou ao Governo. Ando lentamente, sentido o ar na pele; não o percebo em meus pulmões. Ainda na pele sinto o sol e o colorido das flores acariciando minha visão. Volto para casa e no caminho me encontro com Isaias e dialogamos.

- Não entendo o ego e o egoísmo dos artistas. Ou será tibieza? – Digo e Isaias continua.

- Muito me assusta como as pessoas são dominadas pelo “capetalismo selvagem”, como que o “eu” supera o “todos”. É triste saber que o ser humano só pensa no seu umbigo. Parte dos quarenta projetos aprovados na Lei de Incentivo a Cultura receberam a esmola, exatamente no dia que estava marcado a manifestação para as 14:00h.

- Os interessados não apareceram na manifestação que lhes beneficiaria e os demais, por solidariedade, poderiam ou deveriam comparecer.

- Todos tinham certeza que a prefeitura havia feito o deposito de todos os projetos? Só apareceram três e outras três justificaram sua ausência por motivo de trabalho ou viagem. As demais pessoas não quiseram nem saber; pois foi feito o deposito em suas contas, o resto é que se dane. O interessante é que nem aqueles cujo deposito ainda não foram realizados não apareceram, com exceção de um.

- Alguns disseram pela internete “que linda a manifestação”, mas dá a cara mesmo que é bom... Um artista se manifestando poderá ser prejudicado, mas “Todos juntos somos fortes \ Somos flecha e somos arco \ Todos nós no mesmo barco \ Não há nada pra temer \ - ao meu lado há um amigo \ Que é preciso proteger \ Todos juntos somos fortes \ Não há nada pra temer”¹.

- Onde Está a solidariedade para com o outro? Será que as pessoas estão realmente preocupadas em realizar projetos culturais e disponibilizarem para a sociedade mostrando como esta sendo aplicado os seus impostos ou estão apenas com interesse “Capetalista” de pegar o recurso “disponível” para sua sobrevivência?

Olho para a flor rompendo a calçada e nos afastamos com o sol às nossas costas. Em casa deito, durmo e sonho. Era uma sala de reuniões, comum. Num estremo da mesa, o prefeito, os secretários de cultura, da fazenda, o procurador geral e mais um tanto. Do outro, os artistas, os agentes culturais e os proponentes de projetos. Número pequeno para a sua quantidade. Conversa vai, conversa vem. Ânimos exaltados do lado de cá. Singeleza do lado de lá. (Uarrarrá!) E a reunião escoa. Encerra-se com o prefeito dizendo “Eu sou amigo dos artistas”, com ar de santo coloca uma coroa de estrelas do mais puro ouro e pedrarias. “Que nada” – Diz Alexander Silcaveira – “Eu é que sou o amigo dos artistas” – surgindo uma coroa de espinhos do mais puro ouro sobre um ar de martírio e vai para a porta, arrastando-se vai até a saída e sob o olhar de todos, volta-se quando os demais políticos presente emitem “ssssssssss” com suas estreitas línguas de duas pontas. E os artistas, vítimas ou algozes?


Escrito entre 14 e 27 de setembro de 2011.

Ofereço como presente a todos os nascentes e aniversariantes

de 25 de setembro de 2011.

Ofereço como presente de aniversário aos nascentes e aniversariantes

de outros dias da semana, em especial:

Whillner G. Capecci, Wesley V. Nogueira, Luís Tolonei, Felipe F. Nascimento.

Ofereço ainda a todos os meus seguidores, aqui no aRTISTA e aRTEIRO, em especial:

Felipe F. Nascimento (outra vez, uarrarrá!), Cínara Aline, André Graciano, Caroline Galdino, Ricardo Evangelista, Tatiana Brandão, Maxwel Lopes, Ton Xavier,

Marcelo (!), Juliano, Álax Nazário, Otávio Silva, BarmyGraf, Willian Delarte.

Em banto, obax anafisa significam flores e pedras preciosas.
O cronto e a ilustração são nossas flores para você

e fazemos votos de que encontre neles pedras preciosas.

¹ Todos Juntos, de Chico Buarque.

A flor do cacto é uma imagem que recebi posteriormente do Mayron.

2 comentários:

Cia. UNO disse...

Somos flores no deserto meu amigo...

F. Otavio M. Silva disse...

ola, como estão as coisas.
EU passei um tempo sem postar só vivendo do ócio de refletindo, mas a gora to de volta. Dê lá uma passada no meu espeço, vou ficar lisongeado com a sua presença.
http://otaviomsilva.blogspot.com/
Forte abraço, F. Otávio M. SIlva