segunda-feira, 10 de junho de 2013

O PÉ DE MANGA ESTÁ FLORIDO

Obax anafisa.


- Benito, ¡mi hermano! Un secreto para que tú escribas bien: no pienses. Deja que el bolígrafo baile al compás de los latidos de tú corazón, que tus manos sean las luces y que ese papel en blanco sea el salón donde el bolígrafo dance tus palabras.
Assim me disse a poeta uruguaia Marosa Di Giorgio quando o vento tocava nossos cabelos diante do mar. Ela, Alejandro Vera e eu estávamos olhando sem ver o Pólo Sul. Cada qual sendo transportado por um vinho chileno ao começo de seu dia.
Penso no Brasil, em um pé de manga florido e em um campo santo que esteve campo e não santo. Eu vi e eu ouvi sem ser visto nem ouvido:
- Que bom que você veio. – Disse Sabrina quando Kelly a abraçou.
- Quem morreu?
- Carlinhos! Conhece?
- Não!
- Pois é, amiga. Ele era do babado. Agora foi ser renda lá no céu.
O pé de manga estava florido no cemitério Senhora da Paz. Em Montevideo carvalhos verdejavam e acácias floreavam.
- ¡Bueno! Yo soy Alejandro. – O rapaz simplesmente me olha e minha mão continua estendida. – ¡Hola!
- ¡No te conozco!
- Yo sé, por eso estoy me presentando. ¡Soy Alejandro!
- Soy Banzo. – Responde sem aperto e eu me afasto.
Ainda volteando meus pensamento me levam a outro florido pé de manga e enquanto na Biblioteca Pública Municipal de Ipatinga a associação de apoio da biblioteca promovia um sarau comemorando o aniversário da cidade, eis que surgiu um poeminha:

A flor amarela brota
Em um avanço sorrindo.
A flor, ela te importa?
Sim! É Deus em ti surgindo.

- Me gusta el canto de gallos. – Alejandro nos retira dos devaneios. – Ayer los oír cantando alrededor de mi casa. ¿Los oyó, Benito?
- Sim! Assim proclamavam “sou forte!”, “sou lindo!”, “sou terrível!”, “venço tudo”. Inspirei-me e deixo “meu galo interior” cantar “sou forte, sou lindo, sou terrível e venço tudo!”.
- ¡Yo también hago así!
- ¡Nosotros también somos así, Alejandro! ¡Somos artistas!
- Viva a música, vivam as artes, vivam as letras!
E o vento tocava nossos cabelos diante do mar enquanto o vinho nos transportava ao Pólo Sul como pólem de flor de manga.


Ofereço aos aniversariantes
Claudiane Dias, Moisés Salatiel, Ubirathan Martins, Ana P.P. Bejar, Bryan S. Rodrigues, Luciana Robatini, Raphael Vidigal, Sueli B. Dutra e Mª Lurdes F. Lopes.

Em banto, obax anafisa significam flores e pedras preciosas. O texto é minhas flores para você que me lê e faço votos de que encontre nele pedras preciosas.

Para conhecer alguma obra de Marosa Di Giorgio veja:
ttp://www.palabravirtual.com/index.php?ir=critz.php&wid=1217&show=poemas&p=Marosa%20Di%20Giorgio

Luis González me ajudou apontando onde melhorar gramaticamente os trechos em espanhol. Luis é natural de Montevideo, Uruguay, reside hoje com sua família em Belo Horizonte, Minas Gerais. É professor de idiomas e ensina história aos professores, mas isso são detalhes. O importante é que ele trabalha com comunicação, fotografia, filmagem, edição de filmes, possui alguns livros publicados e tem uma família maravilhosa.

Escrito entre os dias 22 de abril e 10 de junho de 2013.

2 comentários:

Sergio Brandão disse...

Gostei muito das imagens e do existencialismo, ri tambem em alguns trechos e me fez lembrar a primeira página de EL GENERAL EN SU LABERINTO do ícone Gabriel Marques...Yo no oí los gallos..lembra? e a veia bucólica, a metalinguistica na lírica do poema inesperado...me diverti muito, amigo! Bravo

Rita de Cássia Lopes Toledo disse...

Gostei extremamente ! Rubem Leite, eu me transcendi para a cena e me vivendo aquela realidade. Bravo...bravissimo!!!!!!Amei!! continue postando para nós maravilhas como nós. Forte abraço!!!
Cássia Toledo