segunda-feira, 14 de abril de 2014

ESPECULAÇÃO EM TORNO DA PALAVRA HOMEM

Obax anafisa.


Se eu pudesse contar as estrelas
Contaria, contaria
Sem jamais chegar ao fim
Buscava uma dela
Para pousar no seu jardim
Selma Albergaria – facebook – 22-3-2014.


Um empresário no celular conversa tranquilo olhando as flores no quase fim da manhã. Pára na ponte que leva à ilha no lago do Parque Ipanema. Algo na água toma minha atenção. Pedacinhos de pão atacados por girinos cujos golpes rápidos diminuem lentamente a comida. Adiante, dois girinos em pontos inversos comem tranquilos seu bocadinho do mesmo pão. E à medida que dão conta do serviço vão aumentando as bocas que o devoram, paulatinamente mais rápid...
- Nem pensar! – Fala bem alto. – Dê o cheque logo. Quer perder o negócio? Vá agora mesmo à casa do asqueroso... Não interessa o ano novo... Vai, rapaz! É o seu ganha pão; o nosso emprego. – Levanta do banco e se vai.
Da grama que ilha o lago meus olhos admiram a novidade quieta. Até o surgimento de uma pergunta sem cumprimento e sem apresentação:
- Quem são esses seus companheiros?
- Dois amigos. Um é brasileiro e outro, argentino.
- E quem são?
Pergunta muito este estranho. Olho duro e respondo: Amar, Verbo Intransitivo, de Mário de Andrade e La Colmena, de Camilo José Cela.
- Conheço Mário de Andrade, mas nunca ouvi falar de “Rossê Cêla”.
Seu sorriso e mais ainda seu conhecimento literário amaciaram meu semblante.
- Sente-se à sombra. Eu sou Benito. E você?
- Marcos.
Sem nos conhecermos sentamo-nos às margens do lago e por cinco minutos, mais ou então menos, vemos um pequeno pássaro se preparar para pescar seu almoço. Paciência e cálculo.
- Paciência e cálculo. Se é, Benito, que se pode falar assim de aves.
Interessante pensarmos a mesma coisa, mas digo algo um pouco diferente e ele retruca estranhamente.
- A cidade ilha o parque. O parque ilha o gramado que ilha o lago. O lago ilha a ilha.
- E o pássaro pescou o almoço que também buscava o que almoçar.
- Você não parece leitor... Marcos, né?
- Não sou. Mas já li Amar, Verbo Intransitivo na escola.
Levanta-se e põe um pé na água. Eu me levanto e vou embora. Assim, sem ter acontecido nada de mais.


Ofereço como presente de aniversario a:
Cleiton Zambianchi, Demetrios N. Gualberto, Thayná Macedo, Mariana Dias, Maxwel Lopes, Lee Araujo e Joana Carlie.
E aos agentes culturais aniversariantes:
Jeová P. de Jesus, DonaFlô Brasil e Alessandro Lages,

Leiam os textos A Catedral de Joinville, de Caio Riter; Poema 80, de Thiago Domingues; e Eu e a Flor, de Bispo Filho. Respectivamente nos endereços:

Em banto, obax anafisa significam flores e pedras preciosas. O texto é minhas flores para você e faço votos de que encontre nele pedras preciosas.

Escrito entre 01 de janeiro e 14 de abril de 2014.

ANDRADE, Carlos Drummond de. Especulação em torno da palavra homem. http://www.youtube.com/watch?v=1a0yQeAgvB8

3 comentários:

Anônimo disse...

Oi querido Rubem!
Muito obrigada pelo presente!
O carinho é recíproco!
Abraço!
Mariana Dias.

Anônimo disse...

Olá,Rubem!
Obrigada pelo texto.
Um abraço e Feliz Páscoa!
Joana D'Arc

Selma Albergaria disse...

AMADO AMIGO ESCRITOR, MT FELIZ EM VER MINHAPOESIA NO SEU BLOG.
OBRIGADA.