segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

DEIXA – DEJACIÓN

Obax nafisa.


Em português

Bom dia, bom moço!
Não seja dorminhoco.
Que teremos para o almoço?
Em fogão barroco faremos tremoço.

Trepar! Vi trepando gostoso
A fruta no galho
Viver! Li Vinicius amistoso
Comparando caju a caralho.

Criavam-se em minha cabeça os engraçados versos acima quando uma garota das ruas me disse, longe de mim, “Me espera, rapaz!”. Não a esperei. Então me chamou outra vez. E outra vez. Estaquei-me e ela me disse “Vamos festejar?”. Não repliquei. “Me responde, homem”. Ainda caminhando agradeci recusando-a. “Não me quer e quer que eu seja feliz?”. Nada lhe disse. “Bem... conheço um macho que talvez você queira...”. Diante de minha casa abri a porta e a deixei sem resposta e com a madrugada.


En español

¡Buen día, mozo!
No seas tembloso.
¿Qué tendremos para almuerzo?
En cocina a leña haremos tremoso.

¡Follar! Follando sabroso
La fruta en la rama eché un vistazo
¡Vivir! Leí Vinicius amistoso
Comparando anacardo a carajo.

Se creaban en mi cabeza los divertidos versos arriba cuando una chica de las calles me dice, lejos de mí, “¡Espéreme, muchacho!”. No la esperé. Entonces me llamó otra vez. Y otra vez. Paré de súbito mis pasos, haciéndome una estaca, ella me dijo “¿Vamos a ir de parrandas?”. No la contesté. “Respóndame, hombre”. Aún caminando agradecí recusándola. “No me quieres y ¿quieres que yo sea feliz?”. Nada la dije. “Bien… conozco un macho que tal vez tú lo quieras…”. Delante de mi casa abrí la puerta y la dejé con la madrugada y sin respuesta.


Ofereço como presente aos aniversariantes
Luzia Barros, Renato Silva, Paulinho Manacá, Bárbara Alves, Albino de la Puente, Luciano Soares (Brska), Tadeu Vilalba, Wellington P. Santos, Marcos Oliveira, Ana Mª Guerra, Rodrigo M.C. Silva, Marlene Rabello, Sandra Lemos e Marivalda Lima.

SONETO AO CAJU

Amo na minha vida as coisas que têm sumo
E oferecem matéria onde pegar
Amo a noite, amo a música, amo o mar
Amo a mulher, amo o álcool e amo o fumo.

Por isso amo o caju em que resumo
Esse materialismo elementar
Fruto de cica, fruto de manchar
Sempre mordaz, constantemente a prumo.

Amo vê-lo agarrado ao cajueiro
À beira-mar, a copular com o galho
A castanha brutal como que tesa

O único fruto – não fruta – brasileiro
Que possui consistência de caralho
E carrega um culhão na natureza.

MORAES, Vinicius. Livro de Sonetos. 3ª reimpressão, S. Paulo: Companhia das Letras, 1991.

Recomendo a leitura de
Lembretes Historiográficos para o Terror, de Willian Delarte – http://williandelarte.blogspot.com.br/2015/02/lembretes-historiograficos-para-o-terror.html

Em banto, obax nafisa significam flores e pedras preciosas. O texto é minhas flores para você e faço votos de que encontre nele pedras preciosas.


Iniciado em 2014, mas sem data certa, e encerrada na madrugada de 09 de fevereiro de 2015.

Um comentário:

Josmar Divino Ferreira disse...

Seus versos e estrofes estão cada vez mais elaborados. Parabéns amigão.