segunda-feira, 19 de outubro de 2015

MARIPOSA FLOR

Potira itapitanga.

Em português

Caminhava sem rumo com o sol em minhas costas e a sombra à minha frente. Espaçadamente uma goiabeira ou outra em flor. É interessante a flor de goiaba; branca, simples, bela, forte e...
- O que está fazendo em minhas terras se não o conheço e não foi convidado?
- Quem é o senhor?
- Sou o Conde da Cruz Sangrenta de Jesus. O senhor supremo...
“Acho que parece mais com Dom Quixote” – Pensou, mas disse: O senhor chegou na hora certa. Estou perdido e procurava ir ao seu castel...
- Por quê?
- Sou o agrimensor que o senhor mandou vir da capital.
O conde põe em seu rosto uma triste figura e apeia do seu cavalo negro com manchas brancas e diz:
- Seja bem-vindo, seja bem-vindo! Eu o esperava ansioso. Tenho escutado que uma boa alimentação pode fazer milagres. Não é verdade?
- Ah... Creio que sim…
Os dois caminham lado a lado admirando a paisagem que se descobre a sua frente. Um riacho, goiabeiras, mangueiras, plantações.
- Então, sendo verdade quero que faça minha esposa ter um filho.
O viajante tropeça em uma pedra.
- O quê? Como?
- Já não sou mais um rapaz e minha esposa também não é mais uma jovenzinha. Então, quero que o senhor pesquise que plantas boas para a fecundidade são mais adequadas as minha terra. E farei com que todos os meus servos a cultivem.
Ele é doido. Eu sou agrimensor, não um biólogo. – Pensou; porém disse: Estou a sua disposição.
- Veja! O castelo.
Em um momento, ou dois, entram no salão principal e manda chamar a Condessa da Cruz Sangrenta de Jesus. Quando ela entra no salão o viajante vê uma flor, não uma mulher... Bonita e perfumada; de branco da cabeça aos pés. “É mariposa, a flor nacional de minha linda e amada Cuba. Terei que ser uma abelha!...”, pensa enquanto seu coração bate descompassado e o conde fala:
- Esposa minha. Este é o agrimensor que fará que tenhamos um filho.
- Estou à disposição do conde e farei a condessa ser mãe.
- E como assim fará? – A Condessa pergunta.
- Bem! Senhora Condessa...
- Pode me chamar, se assim meu marido permitir, de Elsa Mariposa. O nome que meus pais me deram.
- Bem, dona Elsa Mariposa, não é fácil. Mas uma vez engatilhado...
- Só poderei ser mãe apenas uma vez?
- Como eu dizia, é difícil, mas uma vez engatilhado os demais não tardarão.
O agrimensor pensou em cenoura, mandioca, quiabo e nabo para engravidá-la... Mas citou apenas os vegetais que realmente ajudam: arroz, milho, soja, feijão e aveia. A propriedade do conde é mais propícia para aveia, soja e feijão. E os aldeões foram encarregados de plantá-los. E o resto o Conde comprou.
Nos dejejuns, pão de milho. Nos almoços, arroz e feijão. E nos jantares, sopa de soja. E nada de doces porque açúcar dificulta a fecundação. Passados muitos meses a dieta não resultou em nada.
- Senhor Agrimensor! – Disse a Condessa sentada em um banco debaixo de uma goiabeira. – Não suporto mais as comidas e nenhuma me engravidou.
O agrimensor esfregou as mãos e disse sorrindo:
- Então, dona Elsa Mariposa, só existe uma possibilidade...
Tenho certeza que você, que está lendo o cronto, pensa que possibilidade é essa, não? Mas o que importa é que nove meses depois nasceu um lindo menininho parecido com uma bela abelha...


En español

Caminaba sin rumbo con el sol en mis espaldas y la sombra a mi frente. Espaciado, un pie u otro de guayaba en flor. Es interesante la flor de guayabera; blanca, sencilla, bella, fuerte y…
- ¿Qué haces en mis tierras si no lo conozco y no fuiste invitado?
- ¿Quién es?
- Soy el Conde de la Cruz Sangrienta de Jesús. El señor supremo…
“Creo que más parece Don Quijote” – Pensó, pero lo dice: Usted cayó a pelo. Estoy perdido e intentaba ir a su castill…
- ¿Por qué?
- Soy el agrimensor que usted mandó venir de la capital.
El conde pone en su rostro una triste figura y apea de su caballo negro con manchas blancas y lo dice:
- ¡Sea bienvenido, sea bienvenido! Lo aguardaba ansioso. He escuchado que una buena alimentación puede hacer milagros. ¿No es verdad?
- Ah… Pienso que sí…
Los dos caminan codo a codo admirando el paisaje que se descubre a su frente. Tecas, caobas, plantaciones alrededor arrodeando las orillas de un bracito de uno de los setenta y uno afluentes del Toa.
- Entonces, siendo verdad quiero que haga mi esposa tener un hijo.
El viajante tropieza con una piedra.
- ¡Qué! ¿Cómo?
- Ya no soy un muchacho y me esposa también no es más una jovencita. Y aquí no hay atutía. Entonces, quiero que usted investigue que plantas buenas para la fecundidad son más adecuadas a mis tierras. Y haré todos mis siervos la cultivaren.
Es un loco. Y soy agrimensor, no un biólogo. – Pensó; pero lo dice: Estoy a su disposición.
- ¡Mire! El castillo.
Pasado un rato, o dos, adentran al salón principal y manda llamar la Condesa de la Cruz Sangrienta de Jesús. Cuándo ella adentra al salón el viajante ve una flor, no una mujer… Guapa y olorosa; de blanco de la cabeza a los pies. “Es mariposa, la flor nacional de Cuba, nuestro lindo y amado país. ¡Tendré que ser una abeja!...”, piensa mientras su corazón late descompasado y el conde habla:
- Esposa mía. Este es el agrimensor que hará que tengamos un hijo.
- Estoy a disposición del Conde y haré que la condensa sea madre.
- ¿Cómo lo hará? – Pregunta la condesa.
- ¡Bien! Señora Condesa…
- Puede me llamar, si así mi esposo permitir, de Elsa Mariposa. El nombre que mis padres me regalaron.
- Bien, dueña Elsa Mariposa, no es fácil. Pero una vez engatillado…
- ¿Sólo podré ser madre una vez?
- Como decía, es difícil, pero una vez engatillado los demás no tardarán.
El agrimensor pensó en zanahoria, yuca, nabo y calabacín para embarazarla… Pero habló los vegetales que realmente ayudan: arroz, maíz, soya, frijol y avena. La propiedad del Conde es más propicia para avena, soya y frijol. Y los aldeanos fueron encargados de plantarlos. Y el resto el Conde mandó comprar.
En los desayunos, pan de maíz. En los almuerzos, arroz y frijol. Y en las cenas, sopa de soya. Y nada de dulces porque azúcar estorba la fecundación. Pasados muchos meses nada resultó de la dieta.
- ¡Señor Agrimensor! – Habló la Condesa sentada bajo una caoba. – No suporto más las comidas y nada me embarazó.
 El agrimensor refregó las manos y con una sonrisa dice:
- Entonces, dueña Elsa Mariposa, solamente hay una posibilidad…
Tengo certeza que usted, que está leyendo el croento, piensa que posibilidad es esa, ¿no? Sin embargo, lo importante es que nueve meses después nació un lindo niñito semejante a una bella abeja…


Ofereço aos aniversariantes
Warlisson Rodrigues, Joana Sangi, Roselene P. Andrade, Conrado Carvalho, Leila Cunha, Lucimar Inácia, Ricardo Viotti, William Salgado e Luiz F. Badaró.

Recomendo a leitura de Festa, de Bispo Filho em

Potira itapitanga são duas palavras que vem do tupi e significam “flor” e “pedra vermelha” (rubi). É meu desejo que cada leitor encontre em meus textos flores e pedras preciosas.

Escrito originariamente en español en la mañana de 24 febrero de 2015. Trabajado en las dos lenguas entre los días 11 de agosto y 19 de octubre de 2015.

2 comentários:

Josmar Divino Ferreira disse...

O velho dom quixote levou um chifre kkkkkkkkkkkkkk ou dois... kkkk ou muitos, mas deu certo e o menino nasceu... Interessante sempre nascem meninos até em textos quxotescos. Boa semana Rubem Leite.

Mingau Ácido (Marcelo Garbine) disse...

Como é bom ter o meu aniversário lembrado em tão bela Obra, Rubem! Obrigado!