domingo, 10 de abril de 2016

PARA ONDE VOU?

¿PARA ONDE ME VOY?


Obax nafisa.

Que me importa não tragas brilhantes,
Refulgindo no teu colo nu?
Tens nos olhos as jóias vibrantes,
E a mais nítida pérola és tu.
Pobre sou, pobre quero ajoelhado,
Como um cão amoroso, a teus pés,
Viver só de sentir-me adorado,
E adorar-te, meu anjo, que o és!

ASSIS, 1881.


Em português

A meia noite está carregada de nuvens escuras escondendo a lua cheia que se esforça para iluminar a Terra. Caminho nas ruas e ao redor cachorros vira-latas farejam comida e mijam em tudo. Uma sombra passa por mim, mas nada vejo. Não sei de onde vem e para onde foi. Nem se de fato havia uma sombra me procurando.
- Que é isso em sua perna?
Saindo do nada, dois amigos que não via a muito tempo me perguntam. Uma ferida que não me lembro como apareceu e que a cada dia crescia mais.
- Isso é raiva e ódio. – A mulher nos fala e o homem completa: Os maus sentimentos surgindo na carne...
Uma sombra passa pela gente, mas ninguém vê. Não sei de onde veio e para onde foi. Nem se de fato havia uma sombra.
- A sombra... Não têm medo?
Nada respondem. Somente me olham como seu eu fosse louco. Então saio correndo entre os cachorros e debaixo da lua coberta por nuvens. Minha casa! Finalmente minha casa. Olho atrás de mim e a sombra... A sombra me olha. Tento abrir a porta e não consigo. “Maldito desespero que nunca ajuda!”, penso. Olho atrás e a sombra está mais perto. Não a vejo mover-se, mas caminha devagar. A porta se abre e entro suando. Tranco a porta, acendo a luz e... e suspiro aliviado. Tudo igual e seguro. Mas, ainda nervoso ligo a televisão para ter algum som. Não há programação, somente o ruído de estática. Todavia isso é melhor que o silêncio... Tiro minhas roupas e vou tomar um banho e depois esquentar algo para comer. No banheiro escuto saindo de nenhum lugar a música clássica do filme Psicose e começo a rir da tolice... ou será loucura?
Nu eu me sento à mesa para jantar lendo o conto A Mulher Pálida, do escritor brasileiro Machado de Assis. Penso: Curioso! Excetuando as dimensões, o quarto do Máximo é parecido com minha casa; até o endereço. “O alinho na miséria”. Continuo a leitura. Bem que eu também podia herdar alguma coisa boa... Algo que me permitiria suportar as vinte horas de escuridão de todos os dias. Penso; olho ao redor; e a janela, demoradamente a observo. Mas, protegidas com grades e tampadas com taboas eu não podia olhar a rua. Que os defuntos apodreçam, penso enquanto leio; ninguém me deu nada na vida. Que inveja do Máximo que não sofre nada. Olho minha perna. Ainda bem que assim como eu ele foi repudiado por uma garota. Rarrá! Mas, penso como o senhor, rapaz. As mulheres nos devem completa obediência. Porra! Como quero um cigarro. Serei um grande poeta ou, como Máximo, somente acredito tolamente que sim?
Batidas na porta. Vinicius Siman, o personagem que fala conosco, a olha tenso. Será uma mulher pálida?
- Vinci, I am Jhordan! Your Girlfriend. Open the door for mi, sweet.
Ela me diz em sua língua e não na minha. Meu pau dá sinal de vida enquanto meu coração palpita nervoso fazendo uma música com as batidas e com a voz. Ponho-me de pé, olho por todo o quarto, olho a porta, olho a faca de prata na mesa, olho a porta e... ando.


En español

La medianoche está cargada de nubes oscuras ocultando la luna llena que se esfuerza para iluminar la Tierra. Camino en las calles y alrededor perros callejeros husmean comida y mean en todo. Una sombra pasa por mí, pero nada veo. No sé adónde vino y adónde fue. Ni sé se de facto había una sombra buscándome.
- ¿Qué es eso en su pierna?
Saliendo do nada, dos amigos que no vía a mucho tiempo me preguntan. Una herida que no recuerdo como apareció y a cada día crecía más.
- Eso es rabia y odio. – Chárlanos la mujer y el hombre completa: Los malos sentimientos surgiendo en la carne…
Una sombra pasa por nosotros, pero nadie veo. No sé adónde vino y adónde fue. Ni sé se de facto había una sombra.
- La sombra… ¿No tienen miedo?
Nada responden. Solamente me miran como se yo fuera loco. Entonces salgo corriendo entre los perros y debajo de la luna cubierta por las nubes. ¡Mi casa! Finalmente mi casa. Miro tras mí y la sombra… La sombra me mira. Tiento abrir la puerta y no consigo. “¡Maldito desespero que nunca ayuda!”, pienso. Miro tras y la sombra está más cerca. No la veo moverse, pero camina espaciadamente. La puerta se abre y me adentro sudando. Atranco la puerta, enciendo la luz y… y suspiro aliviado. Todo igual y seguro. Pero, todavía nervioso conecto la televisión para tener algún sonido. No hay programación, solamente el ruido de estática. Sin embargo, es mejor que el silencio… Quito mis ropas y me voy a ducharme y después calentar algo para comer. En el baño escucho saliendo de ningún sitio la música clásica del filme Psicosis y empiezo a reír de mi tontería. ¿O será locura?
Desnudo me siento a la mesa para cenar leyendo el cuento La Mujer Pálida, del escritor brasileño Machado de Assis. Pienso: ¡Curioso! Exceptuando las dimensiones, la habitación de Máximo es semejante a mi casa; hasta la dirección. “El aliño en la miseria”. Prosigo la lectura. Bien que también podría heredar alguna cosa buena… Algo que me posibilitaría soportar las veinte horas de oscuridad de todos los días. Pienso, miro alrededor y a la ventana. Pero, protegidas con rejas y tapiadas con maderas no posibilitaba mirar la calle. Que los difuntos podrezcan, pienso mientras leo, ningún me ha donado nada. Qué envidia de Máximo que nada sufre. Miro mi pierna. Todavía bien que así como yo también fue repudiado por una guapa. ¡Jajá! Pero, pienso como usted, muchacho. Las mujeres tienen que tenernos completa obediencia. ¡Ay, caray! Como necesito un cigarrillo. ¿Seré un gran poeta o, como Máximo, solamente creo tontamente que sí?
Golpes en la puerta. Vinicio Siman, el nombre del personaje que habla con nosotros, la mira tieso. ¿Será una mujer pálida?
- Vinci, I am Jhordan! Your girlfriend. Open the door for mi, sweet.
Me habla en su lengua y no en la mía. Mi pollo da señal de vida mientras mi corazón late nervioso haciendo una música con los golpes y con la voz. Me pongo en pie, miro mi habitación, miro la puerta, miro el cuchillo de plata en la mesa, miro la puerta y… ando.


Ofereço como presente de aniversário a:
Cleria E. Dutra, Tamara Oliveira, Marcos Inter, Betina Araújo, Ricardo Tulio, Sérgio Ribeiro, Cleiton Zambianchi, Demetrios N Gualberto, Jeova P. Jesus, Thayná Macedo, Simone Távila, Mariana Dias e Alessandro Lages.

ASSIS, Machado. A Mulher Pálida. Publicado originalmente em A Estação 1881. Disponível http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=17355 . Acesso 31 Jul 2015.


Escrito originariamente en español y partiendo de un sueño en la madrugada de 31 de julio de 2015. E trabajado en las dos lenguas entre los días 20 de septiembre de 2015 y 10 de abril de 2016.

3 comentários:

Josmar Divino Ferreira disse...

Rubem Leite afinal o que foi feito da Sombra? Que mulher é essa que bateu na sua porta e nem fazia parte da história, ou fazia e u comi um bolo kkkkk... Belo conto amigo, estás a melhorar como um bom vinho que quanto mais velho fica melhor. Lindo dia amigo e belos contos de terror.

Carlos Glauss disse...

Gostei da trama até quando ligou a TV e presenciou a estatícá. Após isso, parece que o conto foi escrito por outro protagonista. Seria o sombra? Abraço

Carlos Glauss disse...
Este comentário foi removido pelo autor.