domingo, 17 de abril de 2016

PARQUE ABAÇAICÁ

PARQUE ABAZAICÁ


Potira itapitanga.

... Nem política. Podes pertencer a qualquer partido, liberal ou conservador, republicano ou ultramontano, com a cláusula única de não ligar nenhuma ideia especial a esses vocábulos.
- Nenhuma filosofia?
- Entendamo-nos: no papel e na língua alguma, na realidade nada. “Filosofia da história”, por exemplo, é uma locução que deves empregar com frequência, mas proíbo-te que chegues a outras conclusões que não sejam as já achadas por outros. Foge a tudo que possa cheirar a reflexão, originalidade, etc., etc.
Machado de Assis.


Em português

Em casa cheguei atrasado. Primeiro porque a igreja estava animada com muita música, dança e o pouco sermão dizia quem são as más pessoas. Depois por causa dos beijos de Meirinha. Ela tinha cabelos crespos e ruins... Seus cabelos me faziam cada maldade de tanto que me atiçavam... Rerrê. Mas isso seria outra história. Mas nada mais sério que ações de adolescentes religiosos e bons.
Meu pai, nervoso por minha demora, me entregou uma nota de cem e entramos no carro que nos levaria ao local de embarque para a excursão promovida pela igreja. Surpresa boa. Não sabia, mas no ônibus estavam alguns conhecidos. Janete, Cinara, Marivalda, Glauss, Erikis e Siman. Quis sentar com Meirinha, mas não deixaram... Então ela ficou ao lado de Janete e eu fiquei com Siman.
Viagem agitada; muita divertida. Mas de tão longa acabei dormindo. Acordei quando nos acostamos. Saímos do ônibus junto com o sol de uma bela manhã. Pegamos as filas para entrar no Parque Abaçaicá. Local com todo tipo de diversão. Exposição, ciência, brinquedos, cachoeiras, matas com animais selvagens e muitas outras coisas.
O dia passou e eu regulando meu dinheiro, mas me divertindo o máximo possível. E como me diverti. Ora me encontrei com Janete e tomamos um sorvete juntos e fomos a uma barraca repleta de gente. Nela tinha um gás em uma lamparina que acendíamos para escrever o que quiséssemos em um papelzinho. Já em uma barraca de doces me encontrei com Cinara e Marivalda e compramos docinhos de caju bem amarelinho com brilho dourado. Delícia! Pena que não deu para visitar a parte de ciência. Mas não teve problemas. Ela foi até nós.
Anexo aos laboratórios fica o “Circo dos Horrores” e na entrada da tenda me encontrei com Siman e Glauss. Era uma apresentação de horror. Divertirmos bastante. Alguns zumbis corriam atrás de nós. Eram bem realistas e entre os gritos de medo ríamos bastante. Três mortos vivos se aproximaram de mim e meus amigos. “Você é cientista?”, perguntou ao Glauss. “Sentimos cheiro de cientista”.
- Sou! Ou quero ser. Estou no terceiro período de química industrial. E desde adolescente fui bom em biologia e química. Sempre notas máximas nas duas.
Rindo feio, os três zumbis nos disseram que isso era muito bom. Quando um zumbi mal enjambrado me atacou; eles os expulsaram e depois disseram seus nomes: Jef, Adriano e Alvino.
- Preocupa não. Ele é um dos babaquara. Não tem o tratamento que nós, baquaras, temos. – Mostra um buraco na testa feito com perfuradora médica. – Nenhum dos babaquaras tem boca. Podem ficar tranquilos. Por hora...
Olho para eles e percebo que a maquiagem é bem feita. Não se vê mesmo o maxilar inferior nem os dentes de cima.
- Sabe o que comemos? – Alvino, o mais alto diz rindo feio.
- Carne humana? – Falo meio nervoso, mas entrando no clima da apresentação circense.
- Carne humana! – Confirma Jef, o mais magro deles. E o baixinho e gordinho – ou seria inchado? – completa:
- Nós tiramos alguns humanos do curral e os levamos para nosso... am... refeitório e nos servimos. E saem rindo feio enquanto rimos nervosos do que nos pareceu piada horrível.
Na excursão pela mata fui com Glauss e Siman e encontramo-nos com Erikis. A gente viu lobo guará, tatu, capivara, preguiça, araponga. Voltamos na hora de partir. Mas... Cadê os ônibus? Por que não conseguimos sair do Abaçaicá? Enquanto perguntávamos, um grupo de gente fedorenta, suja, ferida foi nos atacando, machucando, acossando em uma direção. Quem reagia eles matavam a dentadas. Eram os baquaras... E foi exatamente a gritaria, confusão e desespero que você está imaginando de tanto ter visto nos filmes.
Conduziram-nos à parte de ciências; para um setor fechado ao público e lá nos prenderam em jaulas. Junto comigo ficaram meu irmão, Erikis, Vinicius e alguns estranhos. Glauss eu não vi. Que aconteceu com ele? Também não vi o resto de minha família. Onde estarão?
Duas vezes ao dia os babaquaras colocavam uma espécie de ração em cochos e comíamos com as mãos. Passávamos os dias e noites assim, esperando a vez de pegarem alguns de nós e vendo novas levas de gado chegando. Cuidado! Não vá ao Parque Abaçaicá ou talvez você venha a ficar entre a gente. Cuidado! – Barulho da porta se abrindo. – Meu Deus! Parece com... – A jaula se abre.


En español

Llegué en casa con retraso. Primero porque la iglesia estaba animada con mucha música, danza y el poco sermón hablando quién son las malas personas. Después debido a los besos de Meirita. Ella tenía pelos crespos y malos… sus pelos me hacían cada maldad de tanto que me atizaban… ¡Jejé! Pero, eso sería otra historia. Sin embargo, nada más serio que acciones de adolescente religiosos y buenos.
Mi papá, nervioso por mí dilación, me entregó cien pesos uruguayos y cogemos el coche que nos levaría hasta el sitio de embarque para la excursión promovida por la iglesia. Sorpresa buena. No sabía, pero en el autobús estaban algunos conocidos. Janet, Cinara, Marivalda, Glauss, Erikis y Siman. Deseaba sentarme con Meirita, pero no dejaron... Entonces ella se sentó con Janete y me quedé con Siman.
Viaje inquieto; mucho divertido. Pero, de tan luenga me acabé durmiendo. Desperté cuando nos acostamos. Salimos del autobús al mismo tiempo que el sol de una bella mañana. Cogemos las colas para entrar en el Parque Abazaicá. Lugar con todo tipo de diversión. Exposición científica, juguetes, cascadas, bosques con animales salvajes y mucho más cosas.
El día pasó y yo regulando mi dinero, pero divirtiéndome el máximo posible. Y cómo me divertí. En un momento me encontré con Janet y probamos un helado y fuimos a un quiosco cargado de gente. En él tenía un gas en una lamparilla que encendíamos para escribir lo que quisiésemos en una hojita. Ya en un quiosco de dulces me encontré con Cinara y Marivalda y compramos dulcitos de almendra todo amarillo y con brillo dorado. ¡Exquisito! Triste que no fue posible visitar el sitio científico. Sin embargo, él fue hasta nosotros.
Anexo a los laboratorios se queda el “Circo de los Horrores” y en la entrada de la carpa me encontré con Siman y Glauss. Era una presentación de horror. Divertimos bastante. Algunos zombis perseguían los visitantes. Eran muy realistas y entre los gritos de miedo reíamos bastante. Tres muertos vivos acercaron a mí y mis amigos. “¿Tú eres científico?”, preguntó a Glauss. “Sentimos olor de científico”.
- ¡Sí! O quiero venir a ser. Siempre he sido bueno en biología y química. Desde adolecente notas máximas en las dos. En el prójimo semestre empezaré mis clases del tercer período de química industrial en la universidad estatal.
Riendo feo, los tres zombis dijeron que eso era bueno, mucho bueno. Cuando un zombi alabeado me atacó; ellos los expulsaron y se presentaron: Jef, Adriano y Alvino.
- No se turbe. Él es uno de los babacuaras. No tiene el tratamiento que nosotros, bacuara, tenemos. – Exhibe un agujero en la frente hecho con una barrena médica. – Ningún de los babacuaras tiene boca. Pueden se quedar tranquilos. Por hora…
Miro a ellos y percibo que el maquillaje es bien hecho. No se ve mismo el maxilar inferior ni los dientes de arriba.
- ¿Sabe lo que comemos? – Alvino, el más largo dijo riendo feo.
- ¿Carne humana? – Contexto levemente nervioso, pero entrando en el clima de la presentación circense.
- ¡Carne humana! – Confirma Jef, el más flaco de ellos. Y el gordito y bajito – ¿o seria hinchado? – completa:
- Nosotros sacamos algunos humanos del corral y los llevamos para nuestro… an… comedor y nos servimos. Y salen riendo feo mientras reímos nerviosos del chiste.
En la excursión por el bosque fue con Glauss y Siman y nos encontramos con Erikis. Vimos el lobo guará, armadillo, jaguar, perezoso, pájaro campana. Volvemos en la hora de partir. Pero… ¿Dónde están los autobús? ¿Por qué no conseguimos salir del Abazaicá? Mientras cuestionábamos, un grupo de gente pestilente, sucia, herida fue atacándonos, dañándonos, acosándonos en una dirección. Quien reaccionaba ellos mataban a dentadas. Eran los bacuaras… Y fue exactamente la gritaría, confusión y desespero que tú estás imaginando gracias a las películas que has visto.
Nos condujeron al sector de las ciencias; para un sitio prohibido al público y allá nos prendieron en jaulas. Junto conmigo pusieron mi hermano, Erikis, Siman y algunos extraños. Glauss no he visto más. ¿Qué ha acontecido a él? También no he visto el resto de mi familia. ¿Dónde estarán?
Dos veces al día los babacuaras ponían una especie de ración en pesebres y comíamos con las manos. Pasábamos los días y noches así, esperando la vez de cogieren algunos de nosotros y viendo nuevas levas de ganado llegando. ¡Cuidado! No se va al Parque Abazaicá o tal vez tú se quedará entre nosotros. ¡Cuidado! – Ruido de la puerta abriéndose. – ¡Dios mío! Se asemeja a… – El jaula se abre.


Ofereço como presente aos aniversariantes:
Grasielle Severo, Maxwel Lopes, Scida Lopes, Joana Sousa, Luzia Di Resende, Fernando Marinho, Isabella Ribeiro, Valdete Val, Michael Cobain, Antonio Carlos, Bispo Filho, Yuri G. Rodrigues, Meirilene Oliveira e Kênia Nicácio.

Abaçaicá = aglutinação de abaçaí y caá; respectivamente “espírito maligno que perseguia e enlouquecia os índios” e “mato ou folha”. Babaquara = palavra indígena brasileira que significa “tolo, aquele que não sabe de nada”. Baquara = palavra indígena brasileira que significa “esperto, sabedor das coisas”. Mais informações:

ASSIS, Machado de. Obra Completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar 1994. v. II. Teoria do Medalhão.


Escrito partindo de um sonho na madrugada de 04 de agosto de 2015. Trabalhado entre os dias 11 de fevereiro e 17 de abril de 2016.

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