domingo, 24 de abril de 2016

OLHOS COMEMORÁVEIS

OJOS CELEBRABLES


Potira itapitanga.


Em português

No Feirarte, em pé diante da barraca do Marcelo, aguardo minha bebida admirando um casulo em uma samambaia.
- Benito! Sua bebida.
- Que linda!
- Como pediu, pouco doce. Entretanto tem morango, maracujá, hortelã e quase nada de vodca.
- Obrigado, Marcelo!
“Lóri, como foi sua semana?” – Pergunto assim que vejo que chegou e ele me responde: “Cansativa! A política me aborrece demais. Vemos cada coisa...”.
- Já escutei que a vida é política... Mas penso que a política não é pela vida.
No tempo em que falo chega nossa amiga Solange com Deusdeth, seu marido. Ambos vão para uma mesa próxima e logo nos juntaremos a eles. Enquanto se sentam Lóri diz para nós três:
- O escritor João Guimarães Rosa disse que “viver é perigoso”.
- Confirmando as palavras dele – acrescenta Solange – “Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa”.
Alguém pede uma bebida e Marcelo o atende. Aproveito para me sentar também, mas sem deixar de ver que próximo do casulo e das flores ao seu redor, uma borboleta colorida voa. Bebo um pouco e tiro da bolsa dois livros e meus óculos.
- Sexta passada o Brasil fez quinhentos e dezesseis anos. – Digo. – Muita gente comemorou uma data inventada por alguém do USA. Ninguém sequer comentou o Brasil. Um dos meus sonhos é que paremos de imitar os gringos e amemos mais a nossa pátria.
- O que comemoramos foi o feriado do dia anterior. Não foi sequer o Tiradentes.
- Não comemorei por entender que o descobrimento aconteceu bem antes da chegada dos portugueses. – Fala-nos Solange.
- Ainda assim é a nossa pátria. – Intervém Lóri. – As causas que formaram o Brasil não muda o que somos: brasileiros.
- Lógico, eu compreendo o quer dizer. Mas, não podemos esquecer-nos de aqueles que já habitavam o nosso país. Comemoraria a chegada dos portugueses, não o descobrimento.
- Sempre falo que foi uma invasão, não o descobrimento. Mas mesmo pela forma horrível, ainda assim é o que nos formou. E não somos mais horríveis que nenhum outro país. E nenhum foi feito de forma bela. Ainda assim e talvez por isso acho comemorável o 22 de abril.
Um casal se aproxima do Feirarte desviando o meu olhar. Uma garota linda em uma calça preta, camisa verde escura com estampa verde clara e longos cabelos negros. E um rapaz em cadeira de rodas, camisa vermelha, jeans e escuros cabelos curtos.
Nossos olhos se encontram. Dela eu vejo interesse. Dele, timidez. E de mim, desejo pelos dois.
O olhar, o sorriso, o andar dela parecia uma mensagem. Os dele também. Mas ainda não sei que mensagem...
- O Que está escrevendo? – A garota que estou namorando e que aguardava pergunta-me ao chegar. Sem esperar resposta, ela e o pessoal se cumprimentam.
- Nada de ninguém. Uns esboços de quaisquer ideias.
- Posso lê-las?
- Sim, claro! Mas… Eu gostaria mais é de uns beijinhos.
Sorrimos. Ela esquecendo; eu tenso. Nossos lábios se tocam e os olhos meus e do casal se beijam. E Solange só observando-nos.


En español

Delante el quiosco del Marcelo aguardo mi bebida admirando un capullo marrón en un helecho.
- ¡Benito! Tu bebida.
- ¡Qué bella!
- Cómo pidió, poco dulce. Sin embargo, lleva frutilla, maracuyá, hierbabuena y casi nada de vodka.
- ¡Gracias, Marcelo!
- Lori, ¿qué has pasado esa semana? – Pregunto así que lo veo.
- ¡Cansancio! La política es muy aburrida. Vemos cada cosa…
- He escuchado que la vida es la política… Pero, pienso que política no es por la vida.
- El escritor brasileño, João Guimarães Rosa, dice “vivir es peligroso”.
- ¡Verdad! Y dice también “Yo casi nada sé. Pero, desconfío de muchas cosas”.
Alguien pide una bebida y Marcelo lo atiende. Alrededor del capullo y de las flores cerca, una mariposa multicolor vuela. Sorbo un poco y nos vamos hasta la mesa, sentamos, quito de mi bolso dos libros y mis gafas.
- Viernes pasado Brasil completó quinientos dieciséis años. Muchas personas celebraron una fecha inventada por alguien de EEUU. Nadie siquiera comentó el Brasil. Uno de mis sueños es que no más imitemos los gringos y amemos más nuestra patria.
- Nuestra celebración fue el festivo del día anterior. Ni siquiera el Tiradentes¹.
- No lo celebré por entender que el descubrimiento aconteció mucho antes de la llegada de los portugueses. – Nos habla Marcelo.
- Todavía así es nuestra patria. – Interviene Lóri. – La manera como ha sido formada no cambia lo que seamos: brasileños.
- Lógico, comprendo lo que decís. Sin embargo, no podemos olvidarnos de aquellos que acá ya vivían. Celebraría la llegada de los portugueses, no el descubrimiento.
- Siempre hablo que el ocurrido fue una invasión, no el descubrimiento. Pero, mismo a través de una manera horrible, ha sido así nuestra formación. Y no somos más horribles que ningún otro país porque ningún ha sido creado de forma bella. Todavía así y quizá por eso pienso celebrable el 22 de abril.
Mientras hablo, una pareja se acerca del Feirarte desviando mi mirada. Una muchacha guapa en pantalón negro, camisa verde oscura con estampa verde clara y largos pelos negros. Y un muchacho en silla de ruedas, camisa roja, vaquero y corto pelos negros.
Nuestros ojos se encuentran. De ella veo interés. De él, timidez. Y de mí, deseo por los dos.
La mirada, la sonrisa, el andar de ella parecía un mensaje. De él también. Todavía no sepa cual mensaje…
- ¿Qué escribís?
- Nada de nadie. Unos esbozos de ideas cualquieras.
- ¿Puedo leerlas?
- ¡Claro! Pero… Me gustaría más unos besitos.
Sonreímos. Él olvidando; yo tieso. Nuestros labios se tocan y los ojos míos y de la pareja se besan.


Ofereço como presente de aniversário
Daniel Bastos, André Graciano, Luzineth F. Alves, Jorge Horta, Juliana Furtado, Andre Andrade, Ana L. Guimaraes, Jacqueline Silva, Elizangela Batista e Térsio Greguol.

Recomendo a leitura dos poemas de Pedro Du Bois e do Vinicius Siman, respectivamente:
http://siman.blogs.sapo.pt/poema-vazio-48010

¹ Tiradentes es el sobrenombre de Joaquim José da Silva Xavier, uno de los más importantes personajes históricos del Brasil. La palabra “Tiradentes” podría ser traducida por “Sacadientes” porque era una de sus profesiones. Él fue preso por luchar por la independencia del Brasil y el único a morir por eso (no tenía grandes influencias económicas ni políticas) sin embargo, era un gran comunicador, orador y con grandes capacidades de organizar y liderar.

Escrito originariamente en español en el fin de la mañana de 02 de agosto de 2015. Y trabajado en las dos lenguas entre los días 04 de agosto de 2015 y 24 de abril de 2016.

2 comentários:

Gustavo Espeschit disse...

Uma das coisas que o blogueiro autor deveria aprender é entender e analisar o discurso das pessoas nas redes sociais. O mesmo, a quem eu apreciava e por quem sempre tive o maior respeito, escreveu palavras ofensivas e descabidas a minha pessoa no Facebook e, quando questionado sobre seus comentários, preferiu se omitir e me excluir de sua rede de amigos. Não que faça falta, mas para quem se diz tão intelectualizado (que aliás precisa melhorar o espanhol e o inglês que estão falhos) ofender os colegas e, ditos, amigos de graça da forma que fez é algo que preza contra os belos textos que escreve.

Josmar Divino Ferreira disse...

O Gustavo Espeschit está com raiva, a Solange está só observando, a lagarta foi esquecida e a borboleta foi embora. A conversa no bar estava rolando para matar o tempo... O conjunto da obra foi bem dosada. Como sempre Rubem Leite teus textos são palatáveis e o leitor sai satisfeito da a ventura. Lindo dia.