domingo, 17 de junho de 2018

A LÁGRIMA DO SANTO



LA LÁGRIMA DEL SANTO


Descanse em paz, Ipatinga!
Que Deus tenha piedade de sua alma.

Em português:

Leitura do texto postado no canal aRTISTA aRTEIRO:

O beijo no amado. Foto do autor.

Primeiro, debaixo do calor de dezembro de 2017, mesmo menos forte que nos dois anos anteriores, sua cabeça se esquentou e depois o leve frio de junho de 2018 não a refrescou.
Atormentado pelo Governo do Estado não pagar o décimo terceiro e por atrasar cada vez mais seu salário. Este professor vê nos seus colegas o mesmo tormento; mesmo que variando um pouco:
As contas de energia pagas com atraso. A conta de água não paga do mês passado recebe a visita de sua irmã deste mês. A falta de fundos devolvendo cheques. Por dia, dois ou três telefonemas gravados da operadora telefônica até que parou de recebê-las... O gás quase no fim. O remédio quase acabando. O último pacote de feijão aberto. O açúcar quase não tem mais, o pó de café só dá para amanhã e o leite já acabou. A máquina de lavar que estragou.
Abre sua página no Caralivro e se depara com um vídeo postado pela professora Janete Reis, sua amiga: “Os funcionários da segurança pública recebem na frente dos professores porque o dinheiro é pouco e governar é fazer escolhas. – Explica o Governador Fernando Pimentel, do Partido dos Traidores. – Existem funções públicas que são mais urgentes e prementes que outras. E este não é o caso dos docentes. Por isso se renumera a polícia de forma diferenciada, mas não aos educadores.”.
Depois dessa o coração encolhe. O professor senta em sua cama sentindo a lágrima, mas esta não cai; está lá, mas não tem força para sair. Olha para seus livros e um vai até ele. Beija sua capa, faz carinho em suas páginas e se consola um pouco com o amigo. Deita e dorme.
No dia seguinte lava a caneca onde tomou café com leite e vai à escola trabalhar.
Pela janela rachada se vê o oiti e a castanheira. Ainda bem que não está calor. – Pensa. – Estes ventiladores estragados...
- Para descobrir a sílaba tônica de uma palavra existem alguns macetes. O que mais uso é falar sílaba por sílaba, pondo a intensidade em cada uma. Por exemplo: Coronel. CÓronel; não, não é assim que se fala. CoRÓnel; não, também não é assim. CoroNÉL; sim, este é o som; é assim que se fala. Portanto é uma palavra oxítona. Lembram o que é oxítona? – Perguntou e ninguém respondeu. Só dois alunos lhe ouviam. – Gente! O que é oxítona?
- É quando a última sílaba é a mais forte. – Responde a aluna que escutava.
- Exato! Outro macete para descobrir a tonicidade é falar como se tivesse chamando. Por exemplo, quando se chama alguém, o Marcelo e a Maria, por exemplo. A gente fala assim: Marceeelo! Mariiia! Prolongando a sílaba que é mais forte. Para saber a sílaba tônica de cadeira, cachorro, coronel pode se falar assim: cadeeeira, cachooorro, coroneeel.
O professor olha para a turma a conversar e continua com o coração ainda encolhido.
- Na língua portuguesa só existe a possibilidade de ter sílaba forte na última, ou na penúltima ou na antepenúltima sílaba. Nunca nas que vêm antes, se a palavra tiver quatro ou mais sílabas. Abóbora, por exemplo. Poderia ter tonicidade na última: -ra, na penúltima: o segundo -bo ou, como é o caso, na antepenúltima: o primeiro -bo; mas jamais na primeira das quatro sílabas: -a. – Suspira olhando a turma alienada e volta a ensinar. – Uma palavra que as pessoas costumam errar a pronúncia é heterossexual, que tem seis sílabas. Tem gente que fala pondo força na primeira sílaba. Mas como acabei de dizer, só em uma das últimas três que se pode falar com força, ou seja, em sexual. Vamos falar esta palavra como se a tivéssemos chamando? Sexuaaaal! Ou seja, sexual e, consequentemente, heterossexual são palavras oxítonas.
- Professor! – Intervém o aluno que ouve. – Mas quando o senhor falou heterossexual, “té”, a segunda sílaba, também ficou forte. Afinal, esta palavra tem uma ou duas sílabas fortes? Mas pelo que entendi só pode ter uma em nossa língua.
Finalmente um sorriso. Leve, quase invisível, mas conseguiu.
- Boa observação. É um fenômeno chamado de subtônica. Ela acontece em palavras derivadas. Lembra o que é palavra derivada?
- É quando ela vem de outra. De pedra se derivam pedrinha, pedreiro, pedrada... – Ele responde e a aluna completa: E tem também a palavra primitiva, que é aquela das quais outras se originam; a pedra que ele falou, professor. Ou café, que formará cafezal e outras.
- Isso mesmo. Parabéns aos dois. É uma satisfação encontrar alunos assim. Então as subtônicas acontecem em palavras derivadas ou quando duas palavras se juntam para formar uma terceira. Exemplo: bebezinho. Se prestar bastante atenção percebe que o segundo “-be” também é forte. Por quê? Porque a palavra primitiva “bebê” é oxítona. E quando se fala bebezinho ouvem-se duas sílabas fortes. Mas prestem atenção em qual é a mais forte. Nós falamos “beBÊzinho” ou “bebeZInho”? Bebeziiinho! Viram? A verdadeira sílaba tônica é a penúltima. Agora vamos voltar à palavra “heterossexual”; tem como subtônica “-té”, o que é curioso porque “hétero” é proparoxítona e... – O sinal toca para o recreio e a turma sai desembestada; ficando só os dois alunos. Então fala somente o essencial para eles também poderem sair. – Heterossexual tem subtônica “-té” e tônica “-al”. Assim, é uma palavra oxítona.
Na sala dos professores algumas risadas. Provavelmente para não chorarem. E o solzinho está agradável neste dia de Santo Antônio que nos observa doce com seus olhos molhados. Ninguém comenta a Copa que começa hoje em um dos países mais homofóbicos do planeta. Ninguém comenta os ataques ininterruptos à Síria nem nas sequelas do Golpe de 2016.


En español:

Lectura del texto publicado en el canal aRTISTA aRTEIRO (minuto: ):
  

Cariño al amado. Foto del autor.

Primero, bajo al calor de diciembre de 2017, mismo menos fuerte que en los años anteriores, su cabeza se calentó y después el leve frio de junio de 2018 no la refrescó.
Atormentando por lo Gobierno de la Provincia no pagar el abono salarial y por retrasar cada vez más el salario. Este profesor ve en sus pares el mismo tormento; mismo que variando un poco:
Las cuentas de energía pagas con retraso. La cuenta de agua no paga del mes pasado recibe la visita de su hermana de este mes. La falta de fondo devuelve los cheques. Por día, dos o tres llamadas grabadas de la operadora telefónica hasta que paró de recibirlas… el gas casi al fin. La medicina casi acabando. El último paquete de poroto abierto. El azúcar casi no tiene más, el polvo de café es suficiente solo para mañana y la leche ya acabó. La lavarropas se rompió.
Va a su pared de Caralibro y se depara con un video publicado por la profesora Janete Reis, su amiga: “Todos que trabajan en la seguridad pública reciben antes de los profesores porque el dinero es poco y gobernar es elegir prioridades. – Explica el Gobernador del Departamento. – Hay funciones públicas que son más urgentes y apremiantes que otras. Y este no es el caso de los docentes. Por eso, se renumera la policía de manera diferenciada, pero no a los educadores.”.
Después de eso el corazón encoge. El profesor se sienta en su cama sintiendo la lágrima, pero ella no cae; está allá, pero no tiene fuerza para salir. Mira sus libros y uno va hacia él. Besa su portada, hace un cariño en sus páginas y se consuela un poco con el amigo. Se acuesta y duerme.
En la mañana siguiente encuentra un billete dejado por su amigo hospedado hace varios meses: “¡Profe! Beo que está en un aprieto y tengo pena de usted. Para le ayudar me boy a salir de su casa y así tendrá menos gastos.”. Su pensamiento es obvio, creo. “¿Me abandona? ¿Me deja solo, es? ¡Es! No me ayudará a resolver el problema.” Hablan que es por causa de su signo, pero como nada comprende del zodíaco y sintiéndome al mismo tiempo irónico, amargo y con cansancio solamente escribe en la hoja: ¡Gracias!
Lava la taza donde bebió café con leche y se va a escuela trabajar.
Por la ventana hendida mira dos bellos árboles. – Gracias que no está haciendo calor. – Piensa. – Estes ventiladores rotos…
- Para descubrir la sílaba tónica de una palabra existen algunos trucos. Me gusta más decir sílaba por silaba, poniendo la intensidad en cada una. Ejemplo: Coronel. CÓronel; no, no es así que se habla. CoRÓnel; no, también no es así. CoroNÉL; sí, este es el sonido; es así que se habla. Luego, es una palabra aguda. ¿Recuerdan qué es palabra aguda? – Pregunta y nadie le contestó. Solo dos estudiantes le escuchaban. – ¡Muchachos! ¿Qué es agudo?
- Es cuando la última sílaba es la más fuerte, profesor. – Responde la estudiante que le oía.
- ¡Cierto! Otro truco para saber cuál es la tonicidad es hablar como se llamase alguien. Ejemplo, quiero que Emilio y Florencia vengan a mí. Entonces hablo así: ¡Emiiilio! ¡Floreeencia! Prolongando la sílaba más fuerte. Para saber la sílaba tónica de alfombra, cachorro, coronel se puede hablar así: alfooombra, cachooorro, coroneeel.
El profesor mira los alumnos a platicaren entre sí y continúa con el corazón aún encogido.
- En castellano hay principalmente tres posibilidades de poner acento en las palabras y una de ellas es, como ya hablamos, agudo. Y como ejemplo de ellas digo: Ronal, reloj, pared y mujer. Pero hay también la grave y la esdrújula. Las palabras graves también reciben el nombre de llanas y son aquellas que la sílaba fuerte es la penúltima. Ejemplos: Alfombra, silla y árbol. – Suspira mirando los alumnos alienados y vuelve a enseñar. – Y las palabras esdrújulas son aquellas que tienen la antepenúltima sílaba fuerte; ellas reciben ese nombre porque son pocas, raras y extravagantes. Ejemplos: Fábula, árboles y… ¡esdrújula! Vamos a llamar estas palabras para confirmar a cuál de las tres ellas pertenecen. ¡Ronaaal, reloooj, pareeed, mujeeer! Sí, son agudas de verdad. Ahora vamos a las graves: ¡Alfooombra, siiilla, ááárbol! Sí, son graves de verdad. ¡Fááábula, ááárboles, esdrúúújula! Sí, esas son todas esdrújulas, o sea, extrañas.
- ¡Profesor! – Interviene el estudiante que le escucha. – He visto unas palabras que la sílaba fuerte viene antes de la antepenúltima.
Finalmente una sonrisa. Leve, casi invisible, pero conseguió.
- Eres muy listo. Estas son llamadas de sobreesdrújulas y el acento prosódico se pone antes de la antepenúltima sílaba; siempre en la cuarta o en la quinta contando de la última a la primera. ¿Recuerda qué es acento prosódico?
- Es el signo ortográfico que se usa para marcar la sílaba de mayor intensidad. – Él responde y la estudiante completa: Puede distinguir también la sílaba que tiene mayor duración o tono más alto.
- ¡Cierto! Felicitaciones a los dos. Es una satisfacción tener estudiantes así. Así como en todas las palabras esdrújulas, las sobreesdrújulas también reciben tilde en todos sus casos: débasele, permítaseme, comiéndoselo. ¿Perciben que esas palabras son verbos en imperativo o en gerundio y estaban llanas: deba, perciba y comiendo; pero recibieron al fin de ellas dos pronombres? – La campana suena avisando la hora del recreo y los alborotadores salen corriendo como manada huyendo del fuego; quedándose solo los dos estudiantes. Entonces habla solamente el esencial para ellos también salieren. – Así, las sobreesdrújulas son gerundios o imperativos con dos pronombres átonos que, para mantener el sonido original del verbo, se pone la tilde donde antes era grave y ahora son sobreesdrújula: De huyendo para huyéndosele; de salven para sálvenselo. Sin la tilde se hablaría huyendoSEle y salvenSElo.
En la sala de los maestros unas risas. Probablemente para no llorar. Y el sol está agradable en este día de Santo Antonio que nos mira dulce con sus ojos mojados. Nadie comenta la Copa que empieza hoy en uno de los países más homofóbicos del planeta. Nadie habla de los ataques ininterrumpidos a Siria ni de las intervenciones del Norte al Sur de América.


Descanse em paz, Ipatinga! Que Deus tenha piedade de sua alma. Cavou a própria sepultura escolhendo mal seu prefeito; agora deite.

Ofereço como presente aos aniversariantes Alexi Senshi, Faire (Amnon K. Oliveira) e Vinícius Siman.

Recomendo a leitura de:
“Semelhanças e Diferenças entre Getúlio Vargas e Juan Perón”, de Javier Villanueva:
“Ferra Ferradura ou Esfera, a Besta Fera te Ferra”, deste macróbio que vos fala:
“Não há Misericórdia no Mundo da Escrita”, de Sued:
“Tudo que Parece Pode não Ser”, de Girvany de Morais:
“Graça”, de Bispo Filho:


 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve e publica neste seu blog literário aRTISTA aRTEIRO todo domingo e colabora no Ad Substantiam às quintas-feiras.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. E em breve também professor de História. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura).
Foto: Apontamentos 01 – Espaço de Convívio (Híbridus).

Escrito entre 13 e 17 de junho de 2018.

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