domingo, 18 de agosto de 2019

DIPLOMACIA SEM ARMAS É MÚSICA SEM INSTRUMENTOS



Olha as meninas histriônicas a beberem cerveja. “Prefiro as araras, mais harmônicas” e volta sua atenção a quem lhe interessa no momento: Tênis claro, jeans cobrem montes possivelmente paradisíacos, camiseta preta. Pele clara, quase branca. Olhos pretos. Curtos cabelos cacheados quase crespos. Sentado meio de costas, meio de banda. Não se conhecem ainda. Gosta disso.
Na mesa próxima três escritores conversam sobre pessoas e livros. Ri para si: em sua agenda há um grande 17. Observa os títulos dispostos na mesa vizinha: Quase Quarenta, Quase Proibido; A Elite do Atraso; Quem Manda no Mundo?. Os autores são Flávia Frazão, Jessé Souza e Noam Chomsky. Não conhece nenhum deles e o desconhecido lhe atrai, mas não o conhecimento. Ouve os três. Girvany de Morais fala da dor alheia; empatia, dor comungada. Sorri. Gabriel Miguel fala da dor social. Pensa em dor “comum gado” e sorri. Vinícius Siman fala da dor própria. Sente a ereção e sorri.
A tarde não para e a noite vai a um barracão no fundo do lote afastado de outras moradas na rua poeirenta. Tudo bem limpo e cada coisa bem ordenada em seu lugar.
Na parede da sala, recorte de jornais falando de GTM e LHC na escola de Suzano. Na parede do quarto, artigos de bdsm.
No canto da porta, perto da cama, tênis lado a lado com o jeans dobrado por cima e este abaixo da camiseta dobrada. Tudo bem ordenado.
Braços magros bem esticados com as mãos acima da cabeça e com músculos distinguidos. Pele branca coberta de vermelho cremoso. Olhos bem abertos, rápidos. Deliciosos cabelos entre meus dedos.
Beija a testa, os lábios, o umbigo fazendo suspirar de prazer e envergonhar-se disso. Sorri para a timidez. Alterna mordiscos e lambidinhas nos mamilos fazendo gemer de prazer e envergonhar-se disso. Sorri para o pudor. Olhos nos olhos que se desviam dos seus. Suave lhe segura o queixo a conduzir seus olhos aos seus. Tenta fechá-los, mas os abrem em segundos. E lhe olha nos olhos. Medo, vergonha e prazer.
Sua língua dança no erógeno centro. Cheira lenta e profundamente o púbis negro. Seus lábios dançam no erógeno centro. Saboreia o sumo que, finalmente, escorre. Ouve a melodia do orgasmo.
Com a boca ainda molhada pelo suco beija-lhe os lábios. Sem violência a língua abre caminho à sua língua e se mesclam. Seus olhos voltam a abrir-se para olhá-lo com medo, vergonha e prazer para voltarem a fechar-se.
Sem prensar senta em sua barriga a acariciar seu corpo; da barriguinha ao pescoço. Seu fluído branco se mescla ao seu fluído vermelho quando a sagrada faca ritualística entra e sai suave do peito ao coração e deste àquele. Reverente a observa no ar antes de deitar-se sobre o corpo apaixonado para dormirem juntos seu último sono.


Ofereço como presente aos aniversariantes:
Marilda Lyra, Carlos Glauss, Rômulo Gomes, Leila Marques, Magali Ramos, Davi Klystie e Marcia Regina.

Recomendo a leitura de:
“Socos e Alívios”, de Girvany de Morais:
033991042299 (zap);
“Epifanias”, de Gabriel Miguel:
“Os Trunfos da Riqueza”, de António MR Martins:

¹ Fala do Zero Três (Eduardo Bolsonaro) na abertura do seminário ‘Desafios à Defesa Nacional e o papel das Forças Armadas’. Disponível https://veja.abril.com.br/politica/diplomacia-sem-armas-e-musica-sem-instrumentos-diz-eduardo-bolsonaro/ . Acesso 18 Ago 2019.

Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve todo domingo neste seu blog literário: aRTISTA aRTEIRO.
É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes.
É graduado em Letras-Português. E pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”.
Autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”.
Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura).
Foto do autor – Girvany de Morais.

Manuscrito no Feirarte na tarde de 17 de março de 2019. Digitado dois dias depois. E trabalhado entre os dias 13 e 18 de agosto do mesmo ano.

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