domingo, 11 de outubro de 2020

CABEÇA OCA OFICINA DAS IDEIAS DOS OUTROS

  

12 de outubro:

Dia de Nossa Senhora Aparecida;

Dia da Criança no Brasil.

 

“Solano López, acuado e sem meios de se defender, usou como escudo mulheres, crianças, velhos e adolescentes, que foram trucidados sem piedade pelas tropas brasileiras. Os números são imprecisos, mas alguns historiadores falam mais de 100 mil mortos, entre 10% e 15% da população paraguaia, de 1 milhão de habitantes nessa época”¹.

 


- Dieciséis de agosto es el Día de los Niños en Paraguay. Esa fecha es pelo genocidio de chicos que los soldados brasileños allá hicieron en el período Imperio. Eso porque en el siglo XIX Paraguay era el único país Suramericano a desarrollarse tecnológicamente. Para Inglaterra eso era malo y ordenó a Argentina, Brasil y Uruguay a pelear con Paraguay. Y por eso Paraguay jamás volvió a quedarse de pie. Y el Conde D’Eu, yerno de Don Pedro II, cometió inúmeras barbaries.

- ¿Quién es el culpable por poner críos en la guerra? ¿Y por qué Solano puso civiles en la línea de defensa? ¿Por qué Solano huyó mientras debería entregarse? El culpable es él y no los soldados brasileños.

- Piensa: Es tan simplista y pueril decir esas cosas… Es tanto odio al otro… Pero habla: ¿Usted votó en quién para presidente?

- Bozalnato.

- ¡Sabía! – Piensa pero no contesta.

- ¿Por qué?

- Porque me gustaría que el amor y respeto fuesen comunes; que no justificasen genocidio culpando el gobierno adversario.

- ¡Es un tonto, un imbécil!

- Lo sé. Lo sé. Solamente tontos e imbéciles son artistas o profesores. Incentivo a mis alumnos a estudiaren y no buscaren respuestas en otros ni de otros. No hablaré más. Sin embargo, se conoces algo que justifique asesinatos de pibes quien sabe mi corazón no se cambie a piedra. Pero por ahora todavía es de carne y sangra.

 


- Dezesseis de agosto é o Dia da Criança no Paraguai. – Diz Benito. – Essa data é pelo infanto-genocídio que soldados brasileiros lá fizeram no período Império, em 1870.

- Por que isso aconteceu? – Pergunta-me H.M.

- No século XIX o Paraguai era o único país Sul Americano a desenvolver-se tecnologicamente. Inglaterra não gostou da concorrência e mandou Argentina, Brasil e Uruguai entrar em guerra com Paraguai. Infelizmente por causa da guerra Paraguai nunca mais se reergueu. Nessa guerra, sob o comando de Conde d'Eu, o Brasil cometeu inúmeras barbáries.

- Esperavam que os vinte mil soldados adotassem as seis mil Crianças em meio a uma guerra? – Diz A.M.

- Não esperava isso. O que eu gostaria é que os soldados não chacinassem crianças, principalmente com excesso de crueldade. Também gostaria que os soldados não chacinassem as enfermeiras paraguaias, outra vez com excesso de crueldade. Essas foram apenas duas das muitas ações não condizentes com guerra dos soldados brasileiros. – Benito diz, mas o que pensa é: Mas seria lindo se houvesse amor para adotar e respeito para dar...

- Quem levou Crianças pra guerra a defender os próprios interesses?

- A.M., faça uma pesquisa. Não creia em mim. Pesquise sobre o que as crianças paraguaias estavam fazendo no Paraguai... Informe-se como foi a matança. Espero que não seja capaz de justificar crueldades.

- O senhor não respondeu a pergunta. – A.M. insiste. – Quem levou essas crianças para a linha de frete de uma guerra?

- Filho. Tenho dito tanto e o senhor não me crê. Por isso tenho-lhe sugerido pesquisar. Não é por má vontade; é para que o senhor creia ou corrija-me partindo de fatos. – Diz Benito, mas pensa: Justifica um genocídio culpando o governo inimigo...

- Ou não tens argumento para um debate ou não quer um confronto de ideias. Não vejo outra resposta para a sua evasividade.

- A.M., já ouviu falar em Laurentino Gomes? Mais importante, já estudou algum livro dele? Caso sim, parabéns. Recomendo que reestude. Caso não, estude-o.

- Ah ta... O genocídio foi causado pelos soldados Brasileiros, e não pelo imperador maluco do Paraguai que colocou toda a nação dele e suas famílias na linha do fuzil...

- A.M., o único país na América a ter imperador foi o Brasil. O senhor, no lugar de ater-se à História e aos fatos, quer culpar as vítimas e inocentar os soldados e o Brasil. Recomendo que não creia em mim, mas que faça uma pesquisa tendo um mínimo de três fontes diferentes.

- Todo ditador é um imperador... Aquele que impera sozinho, que faz de sua vontade a lei... Onde não há democracia... É no sentido figurado que falo de Francisco Solano López. Coloque na conta dele todos os civis que morreram em combate. Foi ele quem os colocou na linha de frete pra combater.

Essa de chamar ditador de imperador é disfarçar a falha na própria ideia... – Benito pensa enquanto E.C. intervém:

- Toda e qualquer Guerra revela a pior parte do ser humano. O que os soldados brasileiros fizeram ao olhos de hoje é condenável; colocar crianças no campo de batalha também. Sob o ponto de vista militar e à luz da época as crianças estavam armadas, portanto eram alvos inimigos.

- Exatamente, E.C. – A.M. diz sorrindo. – E, Benito, Paraguai tinha cento e cinquenta mil soldados. Como saber ali no meio quem era quem?

- O senhor não sabe distinguir homem de mulher, criança de adulto? – Suspira e lê: “... Um massacre. O conde foi descrito por alguns historiadores como criminoso de guerra, que degolou prisioneiros desarmados e executou a sangue-frio mulheres, crianças e adolescentes na caçada final a Solano Lopes”¹.

- E por que Solano não se entregou quando suas linhas de defesa, composta por civis que ele coagiu e colocou a força, foram vencidas? – A.M. insiste. – Por que continuou fugindo e espalhando ainda mais violência? Parece o Imperador Louco do Japão... Que continuou mandando seus civis, jovens e crianças para o penhasco ao não se render a uma guerra perdida... Não mudemos as peças do jogo de posição... Sabemos o que realmente aconteceu.

Benito apenas pensa: É tão simplista e pueril dizer isso. E tanto ódio ao outro. Com certeza ele justifica o armamento da população.

- A.M., o senhor votou em quem para presidente?

- No Mito, claro. Mas o “que tem alhos com bugalhos”?

Sabia! – Benito pensa enquanto E.U. deixa de só ouvir:

- Li ontem o relato dos desmandos do Conde D'eu. Que ser abominável. E o senhor justifica a bomba atômica no Japão?!? – E canta:

Pensem nas crianças

Mudas telepática

Pensem nas meninas

Cegas inexatas

Pensem nas mulheres

Rotas alteradas

Pensem nas feridas

Como rosas cálidas

Mas oh, não se esqueçam

Da rosa da rosa

Da rosa de Hiroshima

A rosa hereditária

A rosa radioativa

Estúpida e inválida

A rosa com cirrose

A antirrosa atômica

Sem cor sem perfume

Sem rosa sem nada².

 


- A.M., sou professor e por isso tenho incentivado ao senhor estudar. Recomendo também que leia bastante literatura brasileira. Machado de Assis, Lima Barreto, Cruz e Souza. Que tal comprar e ler a antologia Versos Ácidos do Vale do Aço!?! Mas enfim, estude! Faça boas leituras! E evite buscar respostas de/em outrem. – Pausa alguns segundos. – Mas confesso que me cansei. Não se ofenda, por favor. Mas nada mais falarei. Contudo, se achar algo que justifique o assassinato de crianças... mostre-me. Quem sabe eu não me venha a ter um coração empedernido.

 

 

Ofereço como presente aos aniversariantes:

Sanchez Tomas, Rayane Soares, Maria Fernanda, Shirley Maclane, Gely Fantine, Julio Cabral, Hércules Malta e Camila Oliveira.

 

¹ GOMES, Laurentino. A Redentora. 1889: como um imperador cansado, um marechal vaidoso e um professor injustiçado contribuíram para o fim da Monarquia e a Proclamação da República no Brasil. São Paulo: Globo Livros, 2014. P. 160.

² MORAES, Vinícius. Rosa de Hiroshima.

 


Rubem Leite
é escritor, poeta e crontista. Escreve todo domingo neste seu blog literário: aRTISTA aRTEIRO.

É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes.

É graduado em Letras-Português. E pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”.

Autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”.

Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura).

Imagens:

Da Batalha de Ñu: https://www.hoy.com.py/nacionales/a-150-anos-de-la-hazana-de-ninos-paraguayos-como-se-dio-la-heroica-batalla-de-acosta-nu

Versos Ácidos do Vale do Aço: Roberta Rocha;

Do autor pelo autor.

 

Escrito e trabalhado entre os dias 16 de agosto a 11 de outubro de 2020.