segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

IMAGINAÇÃO

Nós! Eu e ela. Ela e ele. Eu e ele. Nós e ela. Nós e ele. Eles e eu. Dormimos. Acordamos.
“Com um casal? É minha primeira vez. Estranho. O que a igreja diz sobre isso? Não deve ser coisa boa. Não devia ter ido. Mas foi bom. Nem sei quem é melhor. Se Éder ou Diana. Será que dei conta dos dois? Pra mim foi muito bom. Que isso, Benito! Isso é pecado. Bem! Já ta feito. E quero mais. Mas não sei se devo. O que fazer?”.

E a chuva não para.
“Mas por que eu? Não que eu esteja reclamando, mas não sou bonito e nem posso ser chamado de gostosão”.
A chuva continua.
“Será que eles vão querer sair comigo outra vez? E se eles tiverem aids? Ainda bem que usamos camisinha. Mas e a aids? Será que peguei? Benito! Vocês usaram camisinha... E nem sabe se eles têm aids...”.

- Benito! Pare de enrolar e volte ao trabalho.
- Já to indo.
O dia transcorre normal. Chato.
“Nada para fazer no serviço. Nada. Já entrei e sai da internete diversas vezes e nada me interessa. 15:30 horas. Vou sair agora. Não quero nem saber”.

Em casa.
Éder e Diana. Vocês ainda estão na minha cabeça quando vejo meu cãozinho montar um bote para pegar um mosquito. Um passo. Para. Olhar fixo no mosquito. Mais um passo. Para e continuar a olhar. Dez segundos. Vinte. Trinta segundos. Anda. Para. Olhar fixo. Vinte segundos. Quarenta. Um minuto. Dá o bote. Pega.

Na sala minha mãe ver tv. Acaba a novela. Começa o jornal. Pica-pau? Não é na outra emissora? Como de repente mudou, assim sem mais nem menos?

E eu o que faço?
“Quero mais sexo, mas nem só de sexo vive o homem”.
“Sem lição de moral, Benito”.
“Que posso fazer, Benito? Prefiro satisfazer minha alma que meu corpo”.
“Gosto de mim como sou. Magérrimo, branco, cavanhaque. Mas prefiro ser artista”.
“Quero Éder e quero Diana. Quero, porém, muito mais a mim. Será que podemos ter, além do sexo, amizade? Diálogo? Diálogo interessante?”.
“Se pudermos isso e mais, será o supra sumo”.
“Mas, se não pudermos?”.
“Não trepa!”.
“Ce ta maluco? Pirou? Sem sexo? Prefiro a morte!”.
“Cuidado para não ter estafa sexual”.
“Que venha a estafa sexual. Melhor que ‘estresse virginal’.”
“Fala sério”.
“Estou falando sério. E que saber? Chega de papo furado”.
“Chega da papo furado, você”.

Toca o telefone. Atendo. Converso esquecendo do casal. Desligo o telefone e penso neles. Vou sair. Ver se encontro os dois ou se penso em outra coisa. Ou fazemos sexo ou faço outra coisa. Não vou viver de emaginação.

Um comentário:

Lucas Braga disse...

E aí Rubem!
Meu e-mail é lucasbraga@gmail.com

Abraço!