segunda-feira, 22 de junho de 2015

A PROCURA

LA CAZADA


pedras camufladas em palavras.
stones disguised as words.

(Barbosa, 2014, p. 60-61).

Obax nafisa.


Em português

A noite no Centro de Ipatinga está clareada pelos postes, embaralhada de pedestres e embarulhada pelos carros. Em um ponto de ônibus duas mulheres casadas conversam. Ambas reclamam que não ganham presentes de seus respectivos maridos. Creio que sem perceber uma falou: “Toda vez que ele me dá algo eu digo que é feio, brega, de mau gosto. Mas é mesmo...”. Meu pensamento se perdeu na reflexão: se toda demonstração de carinho é devolvida com chacota porque continuar ganhando? Nisso, passou um pássaro rente ao meu nariz. Sem violência, com uma tranquilidade de Ave-Maria ao som de viola. E meu pensamento achou o caminho de casa.
- Benito! Que faz aqui, rapaz?
- Oi, garota! Eu estava escutando William Cereja proferindo uma palestra.
- William Cereja? William Cereja... William Cereja... Ah! O autor de livros escolares?
- Isso mesmo!
- E qual era o assunto?
- O tema era Recursos e opções didáticos para ensinar às crianças.
- E o que ele falou?
- Deixa-me pegar a folha onde anotei suas palavras... Um momento, por favor. Encontrei. “Para criar leitores é necessário trabalhar com bons textos: clássicos, atuais, com temas do momento, interessantes, emocionantes, textos não verbais e etc.”. Disse mais: “Quanto mais nova é a criança, mais o foco deve ser a leitura. A criança geralmente chega na sala já letrada, mesmo que não alfabetizada. Por exemplo, ao olhar uma placa de trânsito tendo um ‘E’ cortado e ela sabendo que significa não poder estacionar naquele local é letramento. Ainda que o foco da escola seja leitura, nada impede que a escrita seja trabalhada, que se escreva alguma coisa”. E ele falou mais coisas interessantes para nós, professores.
- É? E que mais ele disse?
Corro os olhos pela folha e volto a ler: “Quem escreve quer ser lido. Portanto, pode-se, por exemplo, trabalhar a escrita em uma carta. Todavia, temos que enviá-la. Escrever o envelope, pôr o selo, levar ao correio e esperar a resposta. Pode-se trabalhar também, outro exemplo, a carta de solicitação. Através de tais cartas estarão sendo trabalhados a produção textual e a cidadania”.
- Belas palavras...
- Interessantes, não? Mas na verdade penso que os grandes pecados são sete... São sete os pecados mortais: gula, luxúria, avareza, ira, inveja, preguiça e orgulho ou vaidade. Mas o ódio não é um dos pecados capitais. É muito engraçado isso, mas porque não estou me divertindo?
- Ah! Por que está falando isso? Que mudança de assunto...
- Estava pensando em uma conversa de duas mulheres que escutei um pouquinho antes de você chegar e em tudo que ouço saindo das bocas dos cristãos, dos religiosos em geral.
- Mas... a ira não seria o mesmo que ódio?
- Não, não são a mesma coisa. Ira seria sinônimo de raiva, de nervoso, de mau humor. Ódio é uma aversão mortal. Comparar ira com ódio é como comparar picada de formiguinha com picada de escorpião.
- Penso diferente. Por exemplo, quando Boechat mandou o “é mala e faia” procurar uma rola foi movido pelo ódio resguardado e escondido pelos homossexuais e alimentado pela raiva ao sujeitim execrável. E dentro dele existe uma crença cultural na superioridade do homem sobre a mulher. Então ódio e raiva são sinônimos ou ao menos estão interligadas.
- Huuum! Realmente! Mandar alguém procurar rola, ou dizer “chupa, maria!” e etc. é preconceito. Preconceito porque acha que homem é melhor que mulher e que mulher é superior ao guei. Afinal, se a mulher é inferior, é por “defeito de nascença”; já o guei é alguém com o sexo superior que se rebaixa à insignificância feminina... É crença tão triste.
- Isso mesmo!
- Mas ainda não vejo que ódio e raiva sejam a mesma coisa. Em alguns casos até se confundem e alguns dicionários os colocam como sinônimas. Mas...
- ... Mas olha! Chegou meu ônibus. Adeus!
- Vá com Deus!


En español

La noche en el Centro de Ipatinga se aclaró por postes de luz y está barajada de peatones y embarullada por los coches. En una parada de autobús dos mujeres casadas charlan. Ambas protestan que no ganan regalos de sus respectivos esposos. Creo que sin percibir una habló: “Siempre que él me da un regalo lo digo que es feo, empalagoso, de malo gusto y hortera. Pero… ¡es mismo!”. Mi pensamiento se perdió en reflexión: ¿Se toda demonstración de cariño es devuelta con chacota porque continuar ganando? En ese momento pasó un pájaro rente a mi nariz. Sin violencia, con una tranquilidad de Ave-María al sonido de viola. Y mi pensamiento encontró el camino de casa.
- ¡Benito! ¿Qué haces aquí?
- ¡Hola, Muchacha! Yo estaba escuchando William Roberto Cereja profiriendo una conferencia.
- ¿William Cereja? ¿Quién es él?
- Es un autor brasileño de muchos libros escolares. Cereja habló acerca de Recursos y opciones didácticos para la enseñanza de los niñitos.
- Pero… ¿Fue interesante para nosotros, maestros de español, las palabras de él?
- Fueron sí. Me encanté con él y con sus palabras.
- ¿Qué él habló?
- Déjame coger la hoja donde anoté sus palabras… Un ratito, por favor. Encontré. “Para crear lectores es necesario trabajar con buenos textos: clásicos, actuales, con temas del momento, interesantes, emocionantes, textos no verbales y otros más”. Dice más: “Cuanto más joven es el niño, más el foco debe ser la lectura. El niño generalmente llega en aula ya letrado, mismo que no alfabetizada. Por ejemplo, al mirar una señal de tránsito teniendo un ‘E’ cortado y él sabiendo que simboliza no poder estacionar en aquél sitio significa que es letrado. Aunque el foco en la escuela sea lectura, nada impide que la escrita sea trabajada, que se escriba alguna cosa”. E él dice más cosa interesante para nosotros, maestros.
- ¿Qué más él habló?
Corro los ojos por la hoja y vuelvo a leer: “Quien escribe desea ser leído. Entonces es bueno, por ejemplo, trabajar la escrita en una carta. Sin embargo, es necesario enviarla. Escribir el sobre, poner el timbre o sello de correo, llevar al correo y esperar la respuesta. Se puede trabajar también, otro ejemplo, la carta de solicitación. A través de tales cartas estarán siendo trabajados la producción textual e la ciudadanía”.
- Exquisitas palabras…
- Bellas, ¿no? Pero en verdad pienso que los grandes pecados son siete… Son siete los pecados mortales: gula, lujuria, avaricia, ira, envidia, pereza y orgullo o vanidad. Sin embargo el odio no es uno de los pecados capitales. Es mucho divertido eso; pero, ¿porque no estoy contento?
- ¡Ah! ¿Por qué estás hablando eso? Qué cambio de asunto…
- Estaba pensando en una plática de dos mujeres que escuché un ratito antes de tú llegares y en todo que oigo saliendo de las bocas de los cristianos, de los religiosos en general.
- Pero... ¿La ira no sería lo mismo que odio?
- ¡No, no es lo mismo! Ira sería sinónimo de rabia, de nervioso, de malo humor. Odio es una aversión mortal. Comparar ira con odio es como comparar picadura de hormiguita con picadura de alacrán.
- Pienso diferente. Por ejemplo, cuando Boechat, el periodista brasileño, dice al “mala faya” salir en búsqueda de un pollo fue movido por el odio resguardado y escondido por los homosexuales y alimentado por la rabia al sujeto execrable. Y en su interior existe la creencia cultural en la superioridad del hombre sobre la mujer. Entonces, odio y rabia son sinónimos o al menos están conectados. 
- ¡Realmente! Decir a alguien para cazar pollo, o llamarlo de “maricón” o alguna otra cosa con sentido sexual es prejuicio. Prejuicio porque piensa que hombre es mejor que mujer y que mujer es superior al homosexual. Al fin, se la mujer es inferior, es por “defecto de nacencia”; ya el homosexual es alguien con el sexo superior que se rebaja a la insignificancia femenina… Es una lástima tal creencia.
- ¡Verdad!
- Pero, todavía no veo que odio y rabia sean la misma cosa. En algunos casos hasta se confunden y algunos diccionarios los ponen como sinónimos. Pero…
- … Pero, ¡mira! Llegó el autobús. ¡Adiós!
- ¡Va con Dios!


Ofereço aos aniversariantes:
Lígia Schmidt, Wagney Machado, Jhordany V. Siman, Julio Madeira, André Q. Silva, Camila Giacometti, Rinaldo A. Gomes, Feliciana Saldanha, Mª Carmo Vitarelli, Wendel Rafael, Lavínia Lemos, Elaine Lima, Emi Eidi e Helio G.T. Melo.

Recomendo a leitura de Natureza Real, de Bispo Filho:

BARBOSA, Jurandir. Quase Verbo. 2ª ed. São Paulo: Catrumano, 2014. Companheiro \ Partner.

Parte do texto é fruto do apanhamento que fiz da palestra Recursos e Opções Didáticas para o Ensino Fundamental 1, promovida pela Editora Saraiva em parceria com Pitágoras e proferida pelo Doutor William Roberto Cereja em Ipatinga na noite de 09 de junho de 2015.

Escrito entre 30 de junho de 2014 e 22 de junho de 2015.

Um comentário:

Josmar Divino Ferreira disse...

Rubem Leite vc é realmente um artista Arteiro. Gostei deste texto como dos anteriores. Dito e redito que está cada vez melhor sua literatura. Grande abraço e continue nos brindando com estas pérolas. Grande abraço e lindo dia.