domingo, 23 de abril de 2017

VÁ E NÃO PEC’s MAIS


Mariposas oscuras
En el cielo gris
Pero, no quiero rimar gris con anís…
Si hay que tener rima
Que sea la belleza de las mariposas obscuras
Con el cielo gris tranquilamente feliz.
- Hoje pela manhã eu vi uma correnteza de borboletas escuras. De toda a largura da rua, elas ocuparam apenas a metade do lado de lá.
- É? – Percebe-se o desinteresse na voz. – Quando foi isso?
- Era quando eu caminhava em um momento consumista em uma rua capitalista. Quando vi aquele monte de coisa marrom acinzentado no ar parei para ver o que era. “Serão folhas secas? Pó ‘especial’ da grande fábrica?”. Não, eram as ditas borboletas.
- Huuum!
- Quando alguém para assim, de supetão, a multidão olha curiosa. Por alguns segundos eles admiraram e eu em meus quase dois minutos de devaneio percebi também que muitos ignoraram a torrente e os que a viram logo se cansaram. Como? Era uma linda correnteza de borboletas.
- Huuum!
Depois de dois “huuuns” prefiro ir embora e falar com quem quer conversar as desimportâncias da vida. “Manuel de Barros, dê um pulinho aqui, por favor!”, digo pegando um livro para melhor me preparar para conversar com você, que me lê ou que me ouve:
- A tarde não havia correnteza. Não mais. O que existia foi uma ampla nuvem de borboletas escuras em um céu cinza. Não só no céu, próximo ao solo também; em todos os lugares elas estavam dando graça e beleza ao dia difícil para qualquer um que se indigna com o fim dos direitos à saúde, fim dos direitos à educação; fim dos direitos de greve. Fim do direito a ter direito. Mas elas estavam lá, em correnteza, em nuvens. E eu estou aqui, com você, firme em nosso dever de cidadão de não aceitar calados a impunidade dos déspotas.
- Mas agora o céu está sem borboletas. – Alguém me diz.
- O céu está sem borboletas, mas os escritores estão com a palavra e junto com os leitores pensamos, refletimos, filosofamos. Quem sabe, mudando...


Ofereço como presente aos aniversariantes
Sebastiana Silva, Daniel Bastos, Luzineth F. Alves, Jorge Horta, Ana L. Guimaraes, Jackie Silva, Girvany A. Morais, Térsio Greguol e Elizangela Batista.

Recomendo a leitura de “Fundo Falso”, de Xúnior Matraga; “Cuidado”, de Girvany; e “La Muerte Anunciada de Gabriel García Márquez”, de Javier Villanueva. Respectivamente:

Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve ao Ad Substantiam
semanalmente às quintas-feiras; e todo domingo no seu blog literário: aRTISTA aRTEIRO.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. É Mestrando em Educação pela Universidad Europea del Atlántico. É, por segunda gestão, Secretário da ASSABI – Associação de Amigos da Biblioteca Pública Zumbi dos Palmares (Ipatinga MG). Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura).


Escrito no dia 31 de outubro de 2016. No ano seguinte, trabalhado no dia 22 de fevereiro e depois nos dias 22 e 23 de abril.

2 comentários:

Marciliane Silva disse...

Deliciar-me com suas palavras é o mesmo que degustar um bom vinho. Mesmo estando longe me sinto perto (de ti). Mesmo estando só-zinho... Com elas não me sinto só-noninho...
Obrigada por matar minha saudade de ti!

Xúnior Matraga disse...

Já perdemos o direito de ter, não podemos permitir que nos roubem o direito de ser!
Belo texto, Rubem!