terça-feira, 11 de janeiro de 2011

VOCÊ NÃO LIGA PRA MIM – II

Rubem Leite

Escrito entre 04 a 11 de janeiro de 2011.


Ofereço como presente de aniversário à minha querida sobrinha

Elizabeth Macedo Leite Mendes.

Por causa dela digo: Viva Portugal. Viiiiivaaa! Urru!

Ofereço também ao meu amigo Eddy, mais conhecido por Didi Peres,

que se encontra passeando em Salvador – Bahia (estou contentíssimo por ele).

Continuação e conclusão do cronto de ontem.


Como vimos na primeira parte, Júlio namorou um montão de gente até que, cansado, ficou um tempão sem procurar nem ter ninguém. Uma semana. Uarrarrá! No momento, Caetano canta no cd Capullito de Alelí e

- Menino! Você tem que ir. É tudo de bom.

- Não sei, Rosa.

- Que isso, Júlio. Você vai entrar de férias para ficar em casa? Eu só não vou com você porque estou com pouco dinheiro e o Antônio está planejando alguma coisa que promete... Rarrarrá!

Agora Caetano canta Vampiro.

- Você e Antônio. Tudo bem?

- Claro querido. Ele é louco por mim. Adora dizer meu nome quando... unru... você sabe.

- Querida, gosto de seu nome. Onde você arranjou esse nome? Desde quando você se chama Rosa?

- É, meu querido, obrigada! Mamãe foi muito feliz na escolha. “Guimarães Rosa! Porque gosto de ler e quem sabe você não se torne um grande escritor” dizia ela. Mas não enrola não. Você vai para a Bahia sim. Eu fui ano passado e no próximo vou de novo. Ou para algum outro estado do Nordeste. Vai querido. Você merece.

- Está bem. Você venceu. Batata frita”. Que agência de viagem você recomenda?

- Aaiii! Que música veeelha. Acho que a mesma que eu fui. É a que recomendo. E estive olhando ontem e vi que dia dez vai sair uma nova excursão.

Preparam-se tudo. E dá para perceber que o Júlio não é cidadão de classe média baixa. Mas também não é rico. Apenas econômico, quase pão duro, esclareço enquanto pai dele. Sou também pai do Dimas, Rosa e dos outros que falamos acima e os que falarei abaixo antes de irmos para a viagem...

Os dias passaram até que a viagem aconteceu. Aliás, está acontecendo agora.

Salvador, Porto Seguro, Ilhéus e outras cidades costeiras e do interior do estado. Cada praia mais linda que a outra e cada fazenda de cacau. Conheceu também uma fazenda produtora de frutas típicas do Nordeste, exóticas para nós, do “Sul”. Conheceu ainda Martin Luterquim da Silva, o negão capataz da Fazenda Fruto da Terra e Castro Alves, dono de uma das fazendas de cacau que visitou. Fez ainda amizade... amizade com Clara (não a da novela... Uarrarrá), Clarice e Roberta, duas baianas para não botar defeito. Depois da boa noite que tiveram saiu cantando “‘Que é que a baiana tem? O que é que a baiana tem? Como ela requebra beeeeem. O que é que a baiana teeem? O que é que a baiana teeem? Quando você se requebrar caia por cima de mim, caia por cima de mim, caia por cima de mim’. E como caíram. Eita sô”. Depois contratou o serviço de uma lancha que sairia a noite para passar o próximo dia numa ilha fora dos limites do Brasil. Quatorze pessoas além dele e do piloto. Advinha quem ele encontrou na lancha? Dimas! Pensou em ficar irritado, mas mudou de idéia. Quem sabe o que adviria do reencontro? Com a aurora chegam, abordam e os turistas nadam, comem, conversam, nadam, comem, namoram, nadam até a hora de irem embora. Júlio se afastara em busca de paisagens que pudesse admirar e, coisa rara dele fazer, pensar. Dentre as coisas que ponderou: “Cadê o Dimas, que não o vi o dia inteiro?”. Nesse meio tempo a lancha se foi sem dar por ele. Afinal o que o piloto queria já recebeu – o pagamento – e todos ali são adultos. Que se virem. É como pensa o sujeito. Bem! Para efeito de nosso cronto... Uma semana se passou e Júlio só não morreu de fome naquela ilha inóspita graças ao Dimas que, na vinda, antes do sol nascer, mergulhara sem ser visto e se escondera numa gruta. Às noites trazia peixes e assavam.

- Onde você fica que não te vejo? – Sempre pergunta e Dimas nunca responde. Falam de tudo, menos disso. – Como vamos sair daqui?

Passa a semana e Júlio até que está bem alimentado, mas Dimas... não mudou nada em sua aparência, mas fica cada vez mais letárgico e nem dormem juntos (se é que me entende no que quero dizer... Uarrarrá).

- Eu vim caçar – Finalmente diz Dimas. – Mas você estava no barco.

- Quê? – Fala meio rindo até ver os olhos do ex-namorado.

- Era por isso que nunca aparecia nem apareço durante o dia.

Júlio pensa em perguntar, ou falar algo, mas se cala meio assustado.

- Era por isso que eu só lhe dava o que podia. Mais, eu lhe mataria.

Júlio pensa em perguntar o significado, mas ainda está com medo sem saber do quê.

- Estou muito tempo sem me alimentar.

Júlio olha para os peixes. Dimas ri.

- Isso não me serve.

Fala e se levanta indo para Júlio.

- É sangue que preciso.

Júlio acredita no que vê, fecha os olhos e espera apavorado.

Dimas vai para o mar.

- Não posso morrer. Mas não vou te atacar. Não consigo chegar ao continente. Mas vou-me embora. – Continuando sem olhar para trás – Tente sobreviver, pois não agüentarei mais ficar aqui. – Some no mar.

E Rosa preocupada fez um escarcéu. A Guarda Costeira procurou e no décimo dia, terceiro sem comida, encontram quem estivera perdido.

Depois disso nunca mais viu Dimas nem soube o que lhe acontecera.

Depois disso nunca mais teve nem foi de ninguém.

Quero dizer, para ele Dina, Diná e o loiro Dimas não eram ninguém. E o que são três para quem tivera dezenas? E o que são pessoas para quem conhecera Dimas? Alto, forte, pele exótica e

Um comentário:

Seth disse...

Muiiito Bom!!!!!!!

Adorei o seu conto!!!

"E o que são pessoas para quem conhecera Dimas? Alto, forte, pele exótica e..."