segunda-feira, 25 de maio de 2015

ILHA ARBÓREA

ISLA ARBÓREA


Obax nafisa.

... e tenho que seguir meu destino. Nasci como uma árvore que grossas raízes prendem à terra.
Dona Benta¹.


Em português

Onde estão as pessoas? Vejo unicamente carros, carros e mais carros. Há também motos. Mas onde estão os homens?
O céu está cinza, as árvores estão verdes, as flores estão amarelas, vermelhas e laranjas, a grama está na terra, os pássaros cantam, as formigas estão em seu afã. E os carros correm e correm. Mas não há gente que eu possa ver.
Não há gente, mas livro não me falta. Não há gente, mas Pessoa não me falta. “Escrevo, triste, no meu quarto quieto, sozinho como sempre tenho sido, sozinho como sempre serei. E penso se na minha voz, aparentemente tão pouca coisa, não encarna a substância de milhares de vozes, a fome de milhares de vidas, a paciência de milhões de almas submissas como a minha no destino cotidiano, ao sonho inútil, à esperança sem vestígios. Nestes momentos meu coração pulsa mais alto por minha consciência dele. Vivo mais porque vivo maior”².
Mas não há gente... não há gente que eu possa ver. Porém, uma árvore me sombreia e uma pequena borboleta laranja e preta voa ao meu redor, mas ninguém se aproxima de mim. Não há gente.
À minha esquerda, longe, um morro; à minha direita, menos longe, a estação de trem toca sua campainha. À minha frente e atrás está a estrada. Grande até não ter fim.
Estou em uma ilha de grama verde na cidade. No entanto, “navegar é preciso”. Então vou embora.


En español

¿Dónde están las personas? Miro únicamente coches, coches y más coches. Hay también motos. Pero, ¿dónde están los hombres?
El cielo está gris, los árboles están verdes, las flores están amarillas, rojas y naranjas, la hierba está en la tierra, los pájaros cantan, las hormigas están en su afán. Y los coches corren y corren. Pero, no hay gente que puedo ver.
No hay gente, pero tengo libro. No hay gente, pero tengo la persona de Pessoa. “Escribo, triste, en mí habitación quieto, solo como siempre tengo sido, solo como siempre seré. Y pienso si en mí voz, aparentemente tan poca cosa, no encarna la substancia de millares de voces, el hambre de millares de vidas, la paciencia de millones de almas sumisas hecho la mía en el destino cotidiano, al sueño inútil, a la esperanza sin vestigios. En estos momentos mí corazón late más fuerte debido a mí conciencia de él. Vivo más porque vivo mayor”².
Pero, no hay gente… no hay gente que pueda ver. Sin embargo, un árbol me sombrea y una pequeñita mariposa naranja y negra vuela alrededor de mí y nadie me acerca. No hay gente.
A mi izquierda, lejos, un cerro; a mi derecha, menos lejos, la estación de tren suena su campana. A mi frente y atrás está la estrada; larga hasta no tener fin.
Estoy y he estado en una isla de césped verde en la ciudad. Sin embargo, “navegar es necesario”. Entonces me voy.


Ofereço meu cronto aos aniversariantes:
Márcio F. Amorim, Junior A.M. Contreras, Katia G. Paula, Fernando Campos, Rosa Kanesaki e Ivone M. Andrade.

Recomendo a leitura de A Árvore no Meio do Jardim, de Carlos Glauss, no endereço:

¹ LOBATO, Monteiro. Geografia de Dona Benta. São Paulo: Brasiliense, 2000 (Sítio do Picapau Amarelo). 3ª reimpr. da 24 ed. de 1994. Pág. 117.

² GUAZZELLI, Eloar. Eu, Fernando Pessoa em quadrinhos. São Paulo: Peirópolis, 2013 (coleção Clássicos em HQ), pág. 51. Traducción libre (mía) para español.

Em banto, obax nafisa significam flores e pedras preciosas. O texto é minhas flores para você e faço votos de que encontre nele pedras preciosas.


Escrito originariamente en español y entre los días 19 de junio de 2014 y 25 de mayo de 2015. Perdóname cualquier error de español. ¡Muchas gracias!

2 comentários:

Josmar Divino Ferreira disse...

Dona benta é tudo de bom amigo Rubem Leite. Seus textos estão a caminho da perfeição. Parabéns

Ana Lúcia Pena disse...

Maravilha o texto de hj. De uma profundidade à alma humana. Além de quê, está ficando cada dia mais "autor".

Abração. Há gente tb no mundo virtual. Mas não se pega nessa gente, né?
Abração.