segunda-feira, 17 de agosto de 2015

¿TOMATE O CACTO?

TOMATE OU CACTO?


Potira itapitanga.

O cacto sugere a ideia de perenidade das coisas. Leva à imaginação coisas que florescem em terras áridas.

The cactus suggests idea of perpetuity of the things. It conduces to imagination things what flourish in arid earth.
LETRO, ENARTICi 2008.


Em português

A manhã ainda não estava luminosa. E porque moro em um apartamento, meu cãozinho e eu caminhamos para ele fazer suas necessidades antes do trânsito pesado começar. No início da minha rua tem uma casinha desabada e em seus escombros nasceu um tomateiro. Olhando-a me pus a pensar. E depois quis ser um pé de tomate. Mas não sou. Ainda.
A manhã está luminosa apesar das nuvens. Saio para comprar pão e uma mendiga me chama.
- Rapaz, psiu!
- Sim?
- É um absurdo. Como podem?
- ...?
- O preço de um cafezinho ser cinquenta centavos. Pode? Ciiin-queeen-ta centavos! Tá igualzinho Belzonte. Caro demais da conta, sô. Quero tomá-lo, mas não posso pagar.
Fala-me uma mulher carregando uma mochila rasgada e vazia. Enquanto viro a esquerda ela segue reto e sem parar de falar consigo mesmo.
Comento com o dono da padaria o que a mulher me diz.
- No boteco perto de sua casa tá esse preço? E ela achou caro? Eu cobro oitenta...
O dia não para e a noite se aproxima de mim. Com ela surge meu amigo Carlos e como cumprimento lhe digo:
- Você é um pé de tomate...
- Eu?
- Sim! É um tomateiro.
- Porquê? Está fazendo hora com a minha cara?
- Não, não, jamais. Você me agrada, amigo. É, assim penso, um elogio. O tomateiro tem folhas verdes claras e não é delicado. Suas belas flores amarelas também não são frágeis. No entanto, seu fruto é delicioso, corado, suave, terno. É você!
- Obrigado! Mas eu queria é ser sobrevivente do deserto. Sou cacto. Aprendi a ser só.
- Então somos dois cactos. Porque eu sou feito um.
- Tomates não sobrevivem ao que já vivenciei. Sem vocação paterna, sem vontade de interpretar a servidão matrimonial. Acostumado a ser ignorado e sem ser regado a elogios. Taciturno e alquimista. Mago hermetista doutrinado. Comerciante do tempo... Isso eu sou. Bem cacto. E nunca desejarei ter frutos. Afinal, é melhor amar a salinidade e aridez do ar a sofrer pela falta d’água.
- Acho que nós dois temos muitas semelhanças... Mas, no máximo, você é um “tomacto”. Rerrê.
- Únfi!
- Amigo, vamos amanhã ao Feirarte? Jeferson e Vinícius estarão lá.
- Fazer o quê?
- Uai! Conversar…


En español

La mañana aún no estaba luminosa. Y porque vivo en un apartamento, mi perrito y yo caminamos para él hacer sus necesidades antes de empezar el tránsito pesado. En principio de mi calle hay una casucha desmoronada y en sus escombros nació una tomatera. Mirándola me puso a pensar. Y después me quiso a ser un pie de tomate. Pero no lo soy. Aún.
La mañana está luminosa a pesar de las nubes. Salgo para comprar pan y una mendiga me llama.
- ¡Muchacho, chis!
- ¿Sí?
- Es un absurdo. ¿Cómo pueden?
- ¿…?
- El pago por un cafecito es cincuenta centavos. ¿Puede? ¡Ciiincueeeeenta centavos! Es hecho Belo Horizonte. Caro demás. Quiero beberlo, pero no puedo pagarlo.
Háblame una mujer cargando una mochila toda rota y vacía. Mientras volvo a izquierda ella sigue reto y sin parar de charlar consigo mismo.
Comento con el dueño de la panadería lo que a mujer me dijo.
- ¿En la taberna cerca de tu casa está a ese precio? ¿Y ella dice que está caro? He cobrado ochenta…
El día no para y la noche acércame. Con ella surge mi amigo Carlos y como cumplimento lo digo:
- Vos sos un pie de tomate…
- ¿Yo?
- ¡Sí! Sos una tomatera.
- ¿Porqué? ¿Estás bromeándome?
- No, no, jamás. Tú me encantas, amigo. Es, así pienso, un elogio. La tomatera tiene hojas verdes claras y no es sencilla. Sus bellas flores amarillas también no son delicadas. Sin embargo, su fruto es sabroso, sonroja, suave, tierno. ¡Eres tú!
- ¡Gracias! Pero, me gustaría más ser un sobreviviente del deserto. Soy cacto. He aprendido a ser solo.
- Entonces somos dos cactos. Porque soy hecho un.
- Tomates no sobreviven al que he vivenciado. Sin vocación paterna, sin voluntad de interpretar la servidumbre matrimonial. Acostumbrado a ser ignorado y sin ser regado a elogios. Taciturno y alquimista. Mago hermetista doctrinado. Comerciante del tiempo… Eso yo soy. Por entero un cacto. Y nunca desearé tener frutos. A final, es mejor amar la salinidad y aridez del aire a sufrir de falta de agua.
- Creo que tú y yo tenemos muchas semejanzas… Sin embargo, en el máximo, tú eres un “tomacto”. Jejé.
- ¡Unfi!
- Amigo, ¿vámonos mañana al Feirarte? Jeferson y Vinicio estarán allá.
- ¿Hacer lo qué?
- ¡Ay caray! Iremos para charlar, platicar, hablar… ¡Conversar!


Ofereço como presente aos aniversariantes
Dilton B. Silva, Wander Santos, Adelina Weyulu (poeta Adriana Borboleta), Nelson M. Esfinge, Carlos Glauss, Teo Lima, Fabiane Borges, Simone Penna, Marilda Lyra, Armindo M. Noma’s, Rogério Vine, Maria F. Rodrigues, Rubem Junior e Guilherme Costa.

LETRO, Claudio. Cacto é planta boa para terra árida. ENARTICi, 2008, p. 07. Tradução livre para o inglês.

Potira itapitanga são duas palavras que vem do tupi e significam “flor” e “pedra vermelha” (rubi). É meu desejo que cada leitor encontre em meus textos flores e pedras preciosas.


Escrito originariamente en español en la madrugada de 02 de julio de 2015 y trabajado entre los días 15 de julio de 2015 y 17 de agosto de 2015. El mote de la historia fue un sueño con Carlos Glauss.

2 comentários:

Josmar Divino Ferreira disse...

O enredo nomeado traz a ideia do viver a vida e mostra as dificuldades uaiiiiii como qualquer bom mineiro sabe o que está já aconteceu e que continua acontecendo. Textos sobre o modo de viver são importantes para ativar a mente do leitor para os problemas que enfrenta e que não são apenas dele. Mas de todos nós. Viva a vida.

Carlos Glauss disse...

Muito obrigado pela homenagem