segunda-feira, 16 de novembro de 2015

CAMA DE NOIVO

Potira itapitanga.

Triste pela tentativa de assassinato do Rio Doce.
Triste pelo desastre em Mariana.
Triste pela falta d’água em Gov. Valadares e tantos outros lugares.
Triste por Nigéria, Síria, Palestina, Brasil e muitas outras nações terem suas tragédias minimizadas e ignoradas frente às tragédias francesas, estadunidenses e poucas outras nações.
Triste porque a Proclamação da República (15 de Novembro de 1889) significa hoje apenas uma data.
Triste, mas reajo:


Do rio Santo Antônio que nasce em um rio
E nunca saindo de Minas se lança em outro
A irritada Iara lançou doce saliva no rosto
Do produtor que queria lançar sua voz
Para lançar mão no dinheiro do povo.
A astuta Iara lançou-o ao fundo das águas.

Após Iaci Acauã, a Lua Cheia, lançar-se
Às nossas vistas e fora delas três noites seguidas
A linda Iara lançou sua voz
Ao pescador que lançava o anzol
Que lançaria do rio peixes, muitos peixes.

O rapaz lanceado pela música
Lançou-se aos braços da rainha das águas
Para lhe lançar seu líquido germinante.

Trinta e seis vezes Iaci Acauã lançou seu sorriso

E então em lanças de luz
O ventre de Iara lançou Iarinha.

Minutos depois, à margem do rio,
Uma semente lançou um broto
E Calamantã, o calmo deus das árvores,
Lançou a responsabilidade do milagre
À primeira lágrima que os olhinhos de Iarinha lançaram.


Ofereço como presente aos aniversariantes:
Fernanda La Noce, Eder M. Loures, Paulo S. Julião, Rodrigo Neiva, Chicão Fidideus, Carla L. Barros, Vera Pagani, Carmem L. Mafra, Daniel Silveira, Sávio Tarso, Fernanda Hergis, Manuel Ayala e Sonia Mª Brito.

Recomendo a leitura de “A Menina e Seus Desejos”, de Karine Faria: http://www.lapoesia.com.br/2015/11/a-menina-e-seus-desejos.html

Título inspirado na música É Doce Morrer No Mar, de Dorival Caymmi.

O Rio Santo Antônio nasce na serra do Espinhaço, no distrito de Santo Antônio do Cruzeiro, município de Conceição do Mato Dentro. Correndo para o leste, depois de um percurso de 283km, vai despejar suas águas no Rio Doce.

Escrito entre 15 de junho de 2014 e 16 de novembro de 2015.

Potira itapitanga são duas palavras que vem do tupi e significam “flor” e “pedra vermelha” (rubi). É meu desejo que cada leitor encontre em meus textos flores e pedras preciosas.

2 comentários:

Anônimo disse...

TRISTE PELO DESCASO DAS AUTORIDADES PREOCUPADAS MAIS COM O ATENTADO EM PARIS DO Q C OS PROBLEMAS DO SEU PROPRIO PAIS.RECUPERAR O RIO DOCE? NAO ESTAO PREOCUPADOS...
PARABENS PELO POEMA. TENHO UM TBM, DPS COLOCO P VC.

Josmar Divino Ferreira disse...

Velho amigo Rubem Leite tenho procurado essas pedras e essas flores em meu caminhar neste Vale de Sofrimento desde que nasci. Encontrei algumas, perdi outras e continuo seguindo em Frente. Seu poema homenagem é muito bom e faz justiça ao homenageado. Dorival ia gostar destas águas deste riacho que deságua no Rio Doce. Quanto as tragedias dos povos da Terra pelas guerras e outras quizilas elas são inevitáveis pela própria natureza ou pela ganância dos homens. Mesmo assim o homem vem e tem ocupado todos os Oasis da Terra. Lindo e poético dia amigo.