segunda-feira, 30 de novembro de 2015

LARANJEIRA

NARANJO


Potira itapitanga.

Long without love until the eyes transform themselves into the cemetery. Paloma does not realize my mute words and remains in the chair made a pool of blood.


Em português

Hoje é um domingo bonito e o Feirarte está movimentado. A crescente diminuição da parte artesanal é de entristecer. Mas o dia está bom. Só isso que importa. – Pensa a dama da noite com suas flores. – Só?
- Veja essa matéria no jornal “Cientista descobre meio de criar zumbis. O cientista brasileiro San Marcos do Valle, após laboriosa pesquisa, descobre a fórmula para tornar “the walking dead” realidade e já produziu em larga escala um morto vivo. O Rio Doce devora tudo que lhe toca e infecta outros seres vivos”.
Os três amigos riem chorosos. Até que:
- Durante muito tempo me mantive sentada debaixo de uma laranjeira. Assim era meu coração até então. Mas meu noivo era pior que um diretor carcerário. Ele, que Deus o castigue, tinha as piores palavras e me transformei no mostro que ele tinha em seu coração.
As palavras de Paloma calaram em nossas cabeças e calaram nossas bocas.
- Durante minha juventude me mantive sentada debaixo de uma laranjeira. Minha vida era suas flores, seus perfumes e seus frutos. Hoje estou morta. Vocês leram alguma vez  “Coração de Vidro”, de José Mauro de Vasconcelos? Tem uma história de uma goiabeira que morreu quando um homem a olhou como se não fosse nada. O homem, quando criança, e a árvore eram grandes amigos. Eu estou assim. Sem flor, sem perfume e sem cor.
Perto de nós uma folha voa até o chão. Duas pombinhas voam ao redor de Paloma. A dor de sua alma não a deixa ver nada. Exceto o sangue de suas feridas.
- Meu Deus! Estamos em uma novela mexicana? Ele é o Juarez?
Voltamos nossos olhos aonde ela olha.
- Sim! É ele.
O rosto de nossa amiga mudou. Os olhos ficaram vermelhos, os dentes cresceram, as unhas se afilaram. Ela se levantou e se sentou no mesmo instante. Onde estamos podemos ouvir as batidas de seu coração. Juarez e uma loira estavam abraçados e sorridentes. O olhar de Paloma dava medo. No entanto, o casal odiado não sofria nada.
- Sou um monstro inútil. – Pausa de segundos. – Ele está feliz e eu estou morta. Que valor tem tanto ódio se ele está vivo? Digam-me!
Mas não falamos nada. Entretanto meus olhos expressam: “ficando muito tempo sem amar até os olhos se transformam em cemitério”. Paloma não percebe minhas palavras mudas e se mantém na cadeira feito uma poça de sangue. Então nós nos levantamos e saímos sem ela. Ficam apenas Paloma, a dama da noite e o Feirarte.


En español

Hoy es un domingo bonito. El Feirarte está lleno de gente. La creciente disminución del área de artesanía es lastimador. Sin embargo, es un bello día. Solo eso que importa. – Piensa la “dama da noite” con sus flores. – ¿Solamente?
- Mire esa materia en el periódico “Científico encuentra manera de criar zombis. El científico brasileño San Marcos del Valle, después de laboriosa pesquisa, encuentra la fórmula para hacer que los “the walking dead” sean reales y ya ha producido a gran escala un muerto-vivo. El Río Doce devora todo que le toca e infecta otros seres vivos”.
Los tres amigos se ríen llorosos. Hasta que:
- Durante mucho tiempo me tuvo sentada debajo de un naranjo. Así era mi corazón hasta entonces. Pero mi novio era peor que un director de la cárcel. Él, Dios le maldiga, tenía las peores palabras y me convertí al monstruo que él llevaba en su corazón.
Las palabras de Paloma callaron en nuestras cabezas y callaron nuestras bocas.
- Durante mi juventud me tuve sentada debajo de un naranjo. Mi vida era sus flores, sus perfumes y sus frutos. Hoy estoy muerta. ¿Alguna vez leyeron “Corazón de Vidrio”, de José Mauro Vasconcelos? Tiene una historia de un guayabo que se murió cuando un hombre lo miró como se fuera nada. El hombre, cuando niño, y el árbol eran grandes amigos. Así estoy yo. Sin flor, sin olor y sin color.
Cerca de nosotros una hoja vuela hasta el suelo. Dos palomas vuelan alrededor de Paloma. El dolor de su alma no la deja ver nada. Excepto la sangre de sus heridas.
- ¡Dios mío! ¿Estamos en una novela mexicana? ¿Es Juárez?
Volvemos nuestros ojos adonde ella mira.
- ¡Sí! Es él.
El rostro de nuestra amiga se cambió. Los ojos se quedaron rojos, los dientes crecieron, las uñas se afilaron. Ella se levantó y se sentó en lo mismo momento. Donde estamos podemos oír las latidas de su corazón. Juárez y una rubia estaban abrazados y sonrientes. La mirada de Paloma daba miedo. Sin embargo, la pareja odiada nada sufría.
- Soy un monstruo inútil. – Un rato silencioso. – Él está feliz y estoy muerta. ¿Qué valor tiene tanto odio si él está vivo? ¡Habladme!
Pero no la respondemos. Sin embargo, mis ojos dicen: “cuando lleva años sin amar se vuelven en cementerio hasta los ojos”. Paloma no percibe mis palabras mudas y hecho un charco de sangre se queda en la silla. Entonces nosotros nos levantamos y salimos sin ella. Se quedan apenas Paloma, la “dama da noite” y el Feirarte.


Ofereço como presente de aniversário aos meus queridos:
Joubert Moisés, Wesley L.C. Ribeiro, Hudson Magalhães, Nauana Louzada, Henrique Assis, Ana P. Benacon, Edivane Ribeiro, Juliana Queiros, Albio Rodrigues, Vanda Ribeiro, Patricia C. Mackowiecky, Welington G. Silva, Lucas B.M. Alto, Patrick Castro e Larissa SA.
Igualmente ofereço aos meus amigos e também artistas aniversariantes:
Marilia Siqueira Lacerda, Alejandro Vera, Marcelo Vieira, Claudiney de Sá e Lorrayne Sancar.

Recomendo a leitura de “O rio e seus castelos de areia” e “Candidatos a heróis e outras histórias”, ambos de Sávio Tarso e Nilmar Lage:

Revisão do trecho em inglês por Sônia Frei.

Potira itapitanga são duas palavras que vem do tupi e significam “flor” e “pedra vermelha” (rubi). É meu desejo que cada leitor encontre em meus textos flores e pedras preciosas.


Escrito originariamente en español en la mañana del día 03 de mayo de 2015 y trabajado entre los días 05 de mayo y 30 de noviembre del mismo año. Por favor, ¡perdóname todo y cualquier error de español! ¡Muchas gracias!

2 comentários:

Josmar Divino Ferreira disse...

Gostei deste cientista São Marcos do Vale kkkkkkkkkkkk Só você com tanta imaginação para fazer um desastre criar zumbis. Belo texto. Parabéns.

Sonia Frei disse...

Não sei, senti tanta tristeza nessa história!