segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

A DOR FEMININA

El Dolor Femenino – The Feminine Pain


Chorava com o vento, a chuva sob seus pés. E um túmulo de folhas amarelo-secas escondia o que eu menos gostava em você. Não vejo a hora de ver-te sorrir em cores e flores para sentir o cheiro dos seus hormônios. Todo seu perfume é convite lascivo, e disso gosto. Quando terminarmos, você envolverá com seu sangue o produto de todas as lagrimas-de-chuva em frutas. Passarinharei cada um deles em banquetes pela manhã. A semente cairá, longe de você, mas carregará uma parte das suas intenções e espírito para foder outras terras... Prantearei antes de ver-te semimorta e moribunda novamente. Sei que desertos sussurros de vento te assolarão deixando-te nua. Nem eu nem inseto algum visitaremos seu lar funesto. E silêncio faremos até que novas chuvas e lagrimas lhe socorram... Algum maldito tentará aquecer alimento e habitação mutilando seus cilíndricos braços. Mas por favor, não morras! Já passa esse frio e a Mãe logo enviará cores pra te vestir. Eu mal vejo a hora de deitar sob seus pés outra vez para melhor apreciar o dia.
Carlos Glauss.


Obax nafisa.
Obrigado, papai!


Em português

- Eu não sou bonita. Sabe? Eu sei, eu não sou bonita. Tirando meus seios quando jovens, eu nunca tive um belo corpo. Eu sou Aracy de Almeida, como a cantora, sabe. E assim feito ela, não sou bonita, tenho palavras feias na boca e ninguém se dá por mim.
Foi assim, na Praça José Júlio da Costa, no Centro de Ipatinga, sentado debaixo do ipê rosa sem flor que conheci Aracy.
- Pareço muito com Aracy de Almeida, a cantora. Meu pai era maquinista da Vale, cantei na igreja, namorei jogador de futebol, gosto de samba e de música clássica, leio livros psicanalíticos, gosto de pintura. Pena não ter dinheiro para comprar originais. Tenho apenas cópias.
Nós dois sentados debaixo do ipê rosa sem flor e as pessoas passando, passando. E ninguém nos viu. Nada nos ouviu. As pessoas. Passando. Nós.
- Você sabia que minha xará foi a primeira cantora da dor feminina? Todo mundo cantava a dor do homem, mas a mulher nunca era a vítima, mas a vilã. Aliás, poucas cantoras existiam e as que estavam lá não ousavam se posicionar. Ela não se conformou e mostrou que também somos gente.
Uma folha caiu entre nós e nossos olhos seguiram seu vôo em silêncio. Trânsito e transeuntes, ao contrário, não paravam de rosnar.
- É bom falar com você. Apesar de homem não impõem sua macheza. Mas nos escuta e respeita. Você é de verdade? Existem outros? Pergunto por que já me disseram que se eu fosse bonita mereceria ser estuprada. É para agradecer por não ser bela? Ou para as bonitas agradecerem à violência? – Pausa para ver o que se olha na praça. – É! É bom falar com você. Apesar de homem não impõem sua macheza falando, falando, não dizendo nada e fazendo grosserias.
Outra e outras folhas caem.


En español

- No soy guapa. ¿Sabes? Lo sé, no soy guapa, siquiera bonita. Jamás tuve un bello cuerpo, excepto mis senos cuando jóvenes. Soy Aracy de Almeida, hecho la cantante brasileña, sabe. Y hecho ella, no soy guapa, tengo malas palabras en mi boca y nadie me ve.
Fue así, en la Plaza Mayor, en Lima, sentado debajo de un árbol sin flor que conocí Aracy.
- Me asemejo a Aracy de Almeida, la cantante. Mi padre era maquinista de tren, canté en la iglesia, fue novia de un jugador de fútbol, leo libros de psicoanálisis, me encantan las músicas folclóricas del Perú y las clásicas del mundo, pinturas también me encantan. Lastimo no tener plata para comprar originales. Tengo solamente copias.
Ambos sentados bajo el árbol sin flor y las personas moviéndose, moviéndose. Y nadie nos ha visto. Nada nos ha escuchado. Las personas. Moviéndose. Nosotros.
- ¿Sabías que mi tocayo fue la primera cantante brasileña del dolor femenino? Todos cantaban el dolor del hombre, sin embargo la mujer jamás era la víctima, pero sí la villana. No obstante, pocas cantantes existían y las que estaban allá no osaban posicionarse. Ella no se conformó y mostró que también somos gente.
Una hoja cayó entre nosotros y nuestros ojos siguieran su vuelo en silencio. Tránsito y transeúnte, por su vez, roznaban sin parar.
- Es bueno platicar contigo. Mismo siendo hombre no impone su virilidad. Pero nos escucha y respecta. ¿Tú es de verdad? ¿Existen otros? Pregunto porque me dijeron que se fuera bonita merecería ser estuprada. ¿Es para agradecer por no ser guapa? ¿O para las guapas agradecieren la violencia? – Pausa para ver lo que se mira en la plaza. – ¡Sí! es bueno hablarte. Mismo siendo hombre no impone su virilidad hablando, hablando, no diciendo nada y siendo chocarrero, groso.
Otra y otras hojas caen.


En English

- I am not pretty. You know? I know. I’m not pretty. Except for my breasts when I was young, my body is ugly. I am Aracy de Almeida, as the Brazilian singer, you know. Done she, I am not pretty, I have bad words in the mouth and anybody sees me.
It was this way, in a square, sitting under a tree without blossom that I met Aracy.
I seem with Aracy de Almeida, the singer. My father was machinist by train, I sang in church, I was girlfriend of a soccer player, I read psychoanalysis books, I like folkloric and classic music, paintings also love me. I feel sad from not have money to buy originals paintings. I have only copies.
Both sitting under the tree without blossom and people moving, moving. Nobody see us. Nothing listen us. People. Walking. We.
- Did you know that my namesake was the first Brazilian female singer pain? All of them sang man’s pain, but the woman was never the victim, she was always the villain. However, few woman singers existed and the ones that were there did not dare have if it position. She was not satisfied and showed that we are people too.
A leaf fell between us and our eyes followed your flight in silence. Traffic and pedestrian, in a turn, did not stop to snarling.
- It’s good talk to you. Despite you being a man does not impose his virility. But you listen and to respect us. Are you really? Are there another? I ask because they told me that I deserved to be raped if I was pretty. Is it to thank for not being beautiful? Or for beautiful girl thank violence? – Pause to see what we look at in the square. – Yes! It is good talk to you. Despite man, do not impose its manliness talking, talking, not telling anything and doing rudeness.
Other and another leaves have fallen.


Ofereço como presente de aniversário a
Lucas Alvisi, Kemilly Caroline, Renata Sousa, Dado Aragon, Marilene Tuler, Fábio S. Rodrigues, Gerci Santos, Thaylyny Emanuela, Wyllon Jheffer, Rodrigo P.D. Stani, Graciela Pedra, Ícaro Freitas e Renata Matos.
Ofereço também ao grupo Hagios Companhia.

Recomendo a leitura de
Petite Bourgeoise, de Bispo Filho; e exposição de arte plástica de Rafael Cabral.

Respectivamente nos seguintes endereços

Agradeço a Luís Gonzáles por retirar minhas dúvidas em espanhol. E se ainda assim houver algum erro a responsabilidade é minha, não dele.


Sobre Aracy de Almeida:

Escrito entre 29 de novembro e 15 de dezembro de 2014.
Meu pai, Rubem Rezende Leite, faria hoje (15-12) oitenta e nove anos. Muito obrigado, papai!


Em banto, obax anafisa significam flores e pedras preciosas. O texto é minhas flores para você e faço votos de que encontre nele pedras preciosas.

Um comentário:

Josmar Divino Ferreira disse...

Sempre um grande texto amigo Rubem LEite