segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

ANO VELHO

Obax nafisa.


No início de uma tarde nublada de sábado passeio com minha mãe. Pensamos caminhar uns trezentos metros, a parte plana da rua onde ela está morando com minha irmã. À nossa direita, árvores do morro não residencial.
- Você está bonito.
- Obrigado! – Sorrio.
- Onde você mora?
- No Centro.
- Estão todos bem?
- Tudo na mais perfeita harmonia.
- Onde você estava?
- Fazendo prova.
- Ela cuida bem de mim. Quer que eu more com ela até eu me sarar.
- Ela te ama.
- O marido dela também cuida bem de mim.
- Todos te amam.
- Onde você mora?
- No Centro.
- Como estão todos?
- Na mais perfeita harmonia.
- Você está bonito.
- Obrigado!
- Ela não quer que eu vá embora até eu sarar. O marido dela também quer que eu fique.
- Você é muito amada.
- Todo bem que fiz a minha mãe estou recebendo de volta.
- Veja que linda árvore. Toda florida.



- Gosto muito de vê-la também. Onde você estava?
- Fazendo prova.
- Você está bonito.
- Obrigado! Veja! Um pé de caju carregadim, carregadim.
- Sempre passeio aqui com sua irmã. Ela cuida bem de mim; assim como cuidei de minha mãe nos últimos anos de vida dela. Onde você mora?
- No Centro.
- Estão todos bem?
- Sim, tudo em harmonia.
- Você está bonito.
- Obrigado!
- Vamos voltar? Estou cansada. – Caminhamos apenas a metade do trajeto. – Sua irmã e o marido dela gostam de mim. Minha mãe me dizia que Deus não me abandonaria e me daria alguém bom para cuidar de mim.
- Você é querida por todos.
- Você está bonito.
- Obrigado!
- Onde você mora?
- No Centro.
- Como vai sua família?
Pensando se ela me reconheceu ou se me confundiu com um de meus irmãos casados respondo que estamos todos em harmonia.
- Você está bonito... Eles cuidam de mim como cuidei de minha mãe... Onde você mora?... O que você estava fazendo?...
Levo-a para casa de minha irmã, vou para o ponto de ônibus e escrevo enquanto espero:
Na cabeça a flor azul
Exala perfume rodopiante
Distorcendo norte e sul
Indistinguindo o perto do distante.

En la cabeza la flor azul
Exhala un perfume rotante
Distorsionando el norte y el sur
Indistinguiendo la cerca del distante.


Ofereço como presente de aniversário a
Maria S. Hinode, Letícia A. Santos, Tatiana C.S.V. Brandão, Kívia Kiara, Joaquim Tiago, Ivanete Valverde, Melyssa Freitas, Gustavo A. Spada, Nathy Costa, Andreia Bragança, Welington Josi, Maximiano Lagares, Felipe L. Freitas, Vilma Escarlate, Homero Dias, Gustavo Soares, Samanta Bela, Sarah Helena e Graça Maria.
Ofereço às entidades:
Seicho-No-Ie Luz, AJSI MG-Três Vales (MG) e Sabor de Casa ArtCozinha.
E ao casal Moacir e Nena de Castro pelos seus quarenta anos lado a lado.

Recomendo a leitura de Flauta e de Lenda, ambos de Bispo Filho. Respectivamente nos seguintes endereços


Escrito entre 29 de novembro e 29 de dezembro de 2014.

Imagem de Rubem Leite.

Em banto, obax anafisa significam flores e pedras preciosas. O texto é minhas flores para você e faço votos de que encontre nele pedras preciosas.

8 comentários:

Josmar Divino Ferreira disse...

A velhice é um tempo de sonhos e de esquecimentos. O ser vira criança dando os primeiros passos e repetindo as mesmas perguntas ou fazendo as mesmas afirmações. Minha mãe está assim contando as mesmas histórias todos os dias ele tem 95,quase 96. Uma coisa ela ainda não esqueceu; Seu lindo sorriso. Obrigado por me fazer lembrar dela amigo Rubem Leite. Grande abraço. Você é o Cara.

MINGAU ÁCIDO disse...

Rubem Leite encerrando o ano com chave de ouro!

Tatiana Brandão disse...

Obrigada pela homenagem meu amigo!
Grande bjo!

Tatiana Brandão disse...

A velhice é uma virtude que poucos alcançam e muitos não compreendem! Fiquei muito feliz com a homenagem. Espero sinceramente ser esse apoio compreensivo para os meus, em especial à minha mãe e de igual modo espero receber esse carinho de familiares e amigos como você!
Bjos

Heloísa Davino disse...

Rubem, fui ler o seu texto pensando que seria uma coisa e fui surpreendida com outra. Vc foi muito feliz no alinhavo e na costura de seu texto. Ando passando por essa situação em família mas, distante da sabedoria aqui apresentada. Fiquei profundamente tocada. Feliz Ano Novo.

Heloísa Davino disse...

Rubem, fui ler o seu texto pensando que seria uma coisa e fui surpreendida com outra. Vc foi muito feliz no alinhavo e na costura de seu texto. Ando passando por essa situação em família mas, distante da sabedoria aqui apresentada. Fiquei profundamente tocada. Feliz Ano Novo.

Heloísa Davino disse...

Rubem, fui ler o seu texto pensando que seria uma coisa e fui surpreendida com outra. Vc foi muito feliz no alinhavo e na costura de seu texto. Ando passando por essa situação em família mas, distante da sabedoria aqui apresentada. Fiquei profundamente tocada. Feliz Ano Novo.

Carlos Glauss disse...

li seu texto e lembrei daquelas pessoas que sempre perguntam e respondem a mesma coisa... tipo o clássico gentil-brasileiro com as observações mais óbvias e perguntas com respostas em forma: "oi, como você está? como está sua mãe? como está seu pai? como estão seus irmãos?" e vá responder a verdade (caso estejam maus) e você arrependerá de ter respondido algo negativo (verdadeiro). A grande verdade é que reside na necessidade de manter a imagem positiva uma grande vaidade